Fora do Escritório: as escolhas do CEO da Simplefy para este verão

Família, viagens e alguns dias obrigatórios em Cabanas de Tavira fazem parte da receita de Rui Lopes, CEO da Simplefy, para recuperar energias no verão. Numa pausa em que prefere deixar os horários de lado, o gestor partilha também a sua visão sobre o impacto da IA nas organizações, o papel das equipas na liderança e as incertezas económicas e geopolíticas que acompanha com atenção para os próximos meses.

Quando está “fora do escritório”, o que mais gosta de fazer para desligar?

O tempo em família é o que mais me faz desligar. Uma viagem a quatro, um encontro de primos que só se vê uma vez por ano ou fins de semana com amigos. Junto a isso, boa música a tocar de fundo e sinto que recarreguei a sério.

Qual é o destino, em Portugal ou fora, onde consegue realmente descansar?

Adoro descobrir sítios novos, cá dentro ou lá fora. Mas há um que é obrigatório todos os anos: Cabanas de Tavira. É lá que desligo mesmo, com bom peixe e praias que não troco por nada.

“Recomendo o livro “O Enigma de Israel”, de Henrique Cymerman. Ajuda a perceber a complexidade daquele Estado, o que hoje em dia é bastante relevante”.

Há algum livro, podcast, filme ou série que recomende para este Verão?

Recomendo o livro “O Enigma de Israel”, de Henrique Cymerman. Ajuda a perceber a complexidade daquele Estado, o que hoje em dia é bastante relevante. Em podcasts ando por tudo, política, sociedade, humor, futebol. Para este Verão, deixo o “Dia de Reflexão”, que, com o seu tom descontraído, toca em vários temas da atualidade.

Que hábito mantém durante as férias que o ajuda a regressar com mais energia?

Não fico parado nem a apanhar sol sem fazer nada. Ando muito, caminho sempre que posso: é o meu hábito não negociável. E não desligo por completo do “mundo real”, da política, da economia e das finanças, gosto de acompanhar as notícias. Sou obstinado por organização, mas nestas alturas deixo fluir, sem horários impostos.

“O nosso papel tem de ser cada vez mais de curadoria e menos de execução. Não podemos dar nada como adquirido”.

O que aprendeu de mais importante no primeiro semestre de 2026?

Que a filosofia que escolhemos há três anos e meio, quando criámos a Simplefy, continua a ser a certa: Tech by Human. Em que a tecnologia serve o humano, nunca o contrário. Estamos certos de que a tecnologia não é um departamento, é algo transversal a todas as áreas e departamentos, um sistema vivo que se alimenta do nosso conhecimento e das nossas orientações. O nosso papel tem de ser cada vez mais de curadoria e menos de execução. Não podemos dar nada como adquirido.

Qual foi o maior desafio de liderança que enfrentou nos últimos meses?

Preparar a empresa para a transformação trazida pela Inteligência Artificial, que já está em curso. Não é gerir mais uma ferramenta, é repensar o papel de cada pessoa na organização. Lançámos três soluções de IA no nosso evento de julho, mas o desafio foi liderar essa transição sem perder o que nos diferencia: o fator humano. A IA tem de nos libertar para fazermos curadoria e decidirmos melhor, não substituir o julgamento das pessoas. Quem não surfar esta onda agora, arrisca-se a ser arrastado por ela.

Que tendência, oportunidade ou preocupação vai estar no seu radar na segunda metade do ano?

Preocupa-me a conjuntura externa, a guerra no Irão e a eterna guerra na Ucrânia. São fatores que podem desestabilizar a economia europeia e mundial, com impacto direto na inflação e na trajetória das taxas de juro, e uma incógnita sobre se o emprego se mantém estável. Cá dentro, preocupa-me se o Governo consegue aprovar o Orçamento do Estado, e se temos mais um período de estabilidade política e social. No fundo, o que está no meu radar é o estado geral da economia, que nos poderá ditar ameaças e oportunidades.

“Acredito cada vez mais que os melhores líderes são o puro reflexo das suas equipas”.

Como equilibra descanso e responsabilidade quando lidera uma equipa ou uma empresa?

É difícil desde 2018, ano em que assumi responsabilidades que exigem estar sempre ligado. Mas, se há um segredo, está no fator humano. As pessoas que nos rodeiam, ditam a nossa sorte. Invisto muito no desenvolvimento, na formação e na capacitação de quem trabalha comigo, só assim me torno menos ‘útil’ no dia a dia e consigo descansar melhor. Acredito cada vez mais que os melhores líderes são o puro reflexo das suas equipas.

Que conselho daria a outros líderes para aproveitarem melhor este período de pausa?

Planeamento e atenção ao detalhe. Antes de desligar, deixar tudo bem delineado, delegar responsabilidades e tarefas à equipa direta, manter pequenos momentos de contacto diários e evitar estar sempre a espreitar o email e o WhatsApp. Só assim os líderes conseguem mesmo recarregar baterias.

Complete a frase: Este verão quero…

Este Verão quero conhecer a Croácia e a sua bela costa, finalizar a mudança de casa e estar mais presente para os meus.

O essencial de Verão de Rui Lopes
Livro: O “Enigma de Israel – Uma História do Estado judaico”
Destino: Croácia
Objeto indispensável: Óculos de sol
Uma palavra para definir este Verão: Família
Uma ideia para levar para Setembro: Mais vale uma má decisão do que nenhuma decisão.

Rubrica Especial de Verão

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