Férias dão tempo para pensar: 61% ponderam mudar de emprego

Foto: Firmbee por Pixabay

Mais do que o salário, 57% dos profissionais apontam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional como o principal motivo para considerar uma mudança de emprego após o verão, seguido das oportunidades de progressão na carreira (22%), segundo uma sondagem da Hays.

Com a chegada do verão, muitos profissionais aproveitam a pausa das férias para refletir sobre a sua situação profissional e ponderar novos caminhos para a carreira. Longe de ser um fenómeno pontual, este período tem-se afirmado como um momento privilegiado para fazer um balanço do desenvolvimento profissional, do bem-estar e das expectativas em relação ao trabalho.

Esta é uma das principais conclusões de uma sondagem promovida pela Hays: 61% dos participantes afirmam que o período de verão os levou a repensar a sua situação profissional e a ponderar uma mudança de emprego. Entre os restantes, 20% dizem que esta época não alterou a sua perspetiva, 11% consideram ainda ser cedo para tirar conclusões e apenas 6% admitem ter refletido sobre o tema, embora pretendam permanecer na empresa onde trabalham.

A pausa proporcionada pelas férias permite a muitos profissionais ganhar distância da rotina e analisar, com maior clareza, aspetos que durante o resto do ano acabam por ser relegados para segundo plano. Longe da pressão do dia a dia, surgem questões como a evolução da carreira, as oportunidades de crescimento, o reconhecimento recebido ou o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, revela a empresa de em comunicado.

A falta de perspetivas de progressão, a sensação de estagnação, a ausência de reconhecimento, uma carga de trabalho excessiva ou a perda de flexibilidade são alguns dos fatores que levam muitos profissionais a explorar novas oportunidades, aponta a sondagem

“O verão não é, por si só, o motivo que leva alguém a mudar de emprego. No entanto, oferece o tempo e o distanciamento necessários para que muitas inquietações se tornem mais evidentes. Em muitos casos, funciona como um catalisador de reflexões que já existiam e que, após as férias, acabam por se traduzir na decisão de procurar um novo desafio profissional”, afirma Sandrine Veríssimo, Regional Director da Hays Portugal.

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional afirma-se como a principal prioridade

Embora a remuneração continue a ser um fator relevante na decisão de mudar de emprego, os profissionais valorizam cada vez mais aspetos relacionados com o bem-estar, a qualidade de vida e a progressão de carreira.

Questionados sobre qual seria o principal motivo para ponderarem uma mudança de emprego após o verão, 57% dos profissionais apontam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, surgindo bastante destacado face às restantes opções. Em segundo lugar aparece a progressão na carreira (22%), seguindo-se a qualidade da liderança e gestão (11%) e um melhor ambiente de trabalho (8%).

Para a Hays, estes resultados demonstram que a decisão de mudar de emprego raramente resulta de um único fator.

“Hoje, os profissionais procuram muito mais do que uma remuneração competitiva. Querem sentir que evoluem, que são ouvidos e que existe um caminho claro para o seu crescimento dentro da organização. As empresas que conseguem transformar essa escuta em ações concretas estarão mais bem preparadas para atrair e fidelizar talento num mercado cada vez mais competitivo”, acrescenta Sandrine Veríssimo.

O regresso ao trabalho pode ser o momento da decisão

É frequentemente no regresso das férias que este processo de reflexão ganha expressão. A desmotivação persistente, a perda de entusiasmo por projetos que antes eram estimulantes ou uma maior atenção às oportunidades existentes no mercado podem ser alguns dos primeiros sinais de que um profissional está a ponderar uma mudança.

Em muitos casos, essa reflexão traduz-se rapidamente em ações concretas, como atualizar o currículo ou o perfil no LinkedIn, reforçar a rede de contactos, consultar ofertas de emprego ou acompanhar a evolução salarial do mercado.

Segundo a Guia Hays 2026, 67% dos profissionais em Portugal pretendem mudar de emprego durante este ano, reforçando que a mobilidade profissional continua a ser uma realidade no mercado de trabalho nacional.

“Neste contexto, o período que antecede e sucede às férias representa uma oportunidade para as organizações reforçarem o diálogo com as suas equipas, compreenderem melhor as suas expectativas e investirem no seu desenvolvimento profissional. Afinal, a retenção de talento não se constrói apenas depois do verão, mas ao longo de todo o ano”, conclui a Hays.

Comentários

Artigos Relacionados