Já ouviu falar de bubble-wrapping? É a nova tendência de trabalho que afeta o crescimento profissional

Foto: Tri Palkers, Unsplash

A designação é aplicada quando se protege excessivamente os trabalhadores, uma prática que pode pôr em causa a autoconfiança e o crescimento profissional. Afeta sobretudo as lideranças femininas.

Depois das várias tendências que têm surgindo no universo laboral, eis que há um novo termo a dominar as atenções. Trata-se do bubble-wrapping – em português, sinónimo de “embrulhar em plástico bolha” – e  consiste numa prática em que a chefia protege excessivamente um colaborador.  O que, asseguram os especialistas citados pela Forbes, pode acabar por comprometer a autoconfiança e o crescimento profissional.

Ou seja, em termos práticos, se um trabalhador é frequentemente “desculpabilizado” pelos superiores, se nunca é corrigido ou interpelado a fazer melhor sempre que, por exemplo, faz uma apresentação fraca, nunca descobre que precisa de melhorar, e continua a fazer os mesmos erros, o que, no limite, pode levar à perda de oportunidades de evolução na carreira.

Vejamos um exemplo: imagine um executivo que evita dizer à equipa que um projeto está atrasado e que dificilmente atingirá as metas. Ele suaviza a mensagem, minimiza os problemas e assume todo o stress. Quando o prazo final chega, a equipa fica surpreendida com o resultado menos bom, porque foi poupada da realidade que precisava enfrentar, a tempo de poder alterar a abordagem. Ou seja, foram privados do feedback necessário e realista para atingirem o sucesso.

Curiosamente, os especialistas salientam que a prática do bubble-wrapping é mais comum entre as lideranças femininas, o que acaba por também as prejudicar ao serem vistas como mais inseguras e ineficientes. Por vezes, as mulheres adotam essa tendência no trabalho e muitas vezes são elas próprias o alvo dessa proteção associada ao bubble-wrapping.

Léonie Kennepohl, especialista em liderança feminina e fundadora da Female x Finance, explicou à Forbes que existem muitas razões para que as mulheres sintam que precisam de “embrulhar em plástico-bolha” uma determinada situação. “Especialmente no ambiente de trabalho, muitas mulheres suavizam sua comunicação porque querem ser queridas. Elas também têm muito mais probabilidade de receber críticas de que são ‘mandonas’ ou ‘diretas demais’ quando comunicam da mesma forma que seus colegas homens”, sublinha a especialista.

Contudo, alerta, embora essa prática possa parecer um gesto de compreensão, a realidade é que priva as pessoas do feedback e dos desafios que precisam para se tornarem mais resilientes, capazes e bem-sucedidas. Kennepohl refere que, às vezes, um chefe exigente, que tira o funcionário da zona de conforto pode ser o melhor remédio para aumentar sua confiança e impulsionar sua carreira. Além disso, o facto de as mulheres amenizarem conversas difíceis e de evitarem dar as suas opiniões para minimizar conflitos pode tornar a comunicação menos eficaz. Com o tempo, esse comportamento faz com que as mulheres pareçam menos confiantes em cargos de liderança.

A estratégia para contornar este tipo de situação, evitar o bubble-wrapping, e garantir que seja vista como uma verdadeira líder pode passar por três atitudes, de acordo com Léonie Kennepohl. Primeiro, priorize o desenvolvimento da confiança na sua comunicação, ou seja, na próxima vez que tiver algo a dizer numa reunião esforce-se para expressar exatamente o que pensa, sem suavizar as palavras. Pratique essa atitude até ser algo natural, para que se sinta confiante e à vontade para ser direta e dizer o que realmente pensa, em vez dizer o que seus clientes ou colegas querem ouvir.

Segundo, assuma que a crítica construtiva é positiva e necessária para que as pessoas cresçam nas suas funções e na carreira. Seja um líder direto, que explica claramente onde há espaço para melhorar e como essa melhoria pode ser alcançada.

Por último, concentre-se em ser respeitado e não em ser querido por todos. Nem sempre se tomam decisões com que todos concordam. Uma decisão pode ser adorada pela direção, mas detestada pelos colegas. Em suma, é impossível agradar a todos, mas é possível conquistar o respeito quando as decisões são bem fundamentadas e comunicadas com clareza. E o respeito importa mais do que ter a aprovação de todos.

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