90% dos executivos estão recetivos a novas oportunidades profissionais
O relatório da Page Executive de 2026 revela maior mobilidade, desafios de alinhamento e novas prioridades de liderança. 58% dos executivos recusariam uma promoção que prejudicasse o seu bem-estar.
Segundo o relatório “Remuneração de Executivos e Tendências de Talento 2026 – Europa Continental”, 90% dos executivos consideram novas oportunidades profissionais e quase metade encontra-se ativamente à procura de uma nova função. Mais do que a progressão na carreira ou a remuneração, fatores como propósito, cultura organizacional e bem-estar assumem um peso crescente nas decisões profissionais. Esta mudança é particularmente evidente quando 58% dos executivos afirmam que recusariam uma promoção caso esta tivesse um impacto negativo no seu bem-estar. Em suma, o mercado executivo europeu apresenta atualmente elevados níveis de mobilidade e abertura à mudança.
Os dados refletem uma evolução para decisões de carreira mais conscientes, ciclos de permanência mais curtos e uma valorização crescente da experiência global de liderança, em detrimento de aspetos puramente financeiros.
Feito com base nas respostas de mais de 14.000 executivos C-level e líderes seniores em todo o mundo, incluindo uma forte representação da Europa Continental, este estudo da Page Executive conclui que o principal desafio das organizações já não é a escassez de talento. Atualmente, o foco centra-se no crescente desalinhamento entre as expetativas dos líderes, a cultura organizacional e a capacidade das empresas para assegurar um desempenho sustentável.
O relatório constata que apesar da disponibilidade dos executivos para liderar processos de transformação, muitas organizações continuam a enfrentar dificuldades na sua capacidade de adaptação. Na Europa, apenas 47% dos líderes seniores demonstram confiança na capacidade da sua organização para responder eficazmente à mudança. Há igualmente uma diferença significativa de perceção entre níveis hierárquicos: os membros da C-suite apresentam níveis de confiança entre 9% e 12% superiores aos restantes líderes seniores.
No que toca ao uso de tecnologia, a adoção de IA está generalizada, mas o impacto organizacional continua desigual. Cerca de 77% dos líderes que utilizam ferramentas de IA indicam ganhos de produtividade a nível individual. Todavia, apenas 67% identificam melhorias de produtividade ao nível da organização e apenas 53% observam um aumento da qualidade global do trabalho. A capacidade das empresas para converter essas ferramentas em valor organizacional mensurável e sustentável acaba por ser o verdadeiro fator diferenciador.
Outra das vertentes analisadas pela Page Executive diz respeito à discrepância entre o discurso e a prática nos processos de recrutamento. Ou seja, embora 68% dos gestores de recrutamento afirmem adotar uma abordagem baseada em competências, apenas 30% atribuem efetivamente mais importância às competências do que ao percurso profissional tradicional ou à reputação dos candidatos.
Ao mesmo tempo, a contratação baseada em competências é amplamente reconhecida como um fator de melhoria da qualidade do talento, da diversidade e da preparação das organizações para desafios futuros. A persistência de critérios mais tradicionais poderá, por isso, limitar o acesso a profissionais de elevado potencial.
A remuneração continua a ser importante na atração e retenção de executivos. Na Europa, 70% dos líderes afirmam estar satisfeitos com o seu pacote remuneratório, enquanto 44% refere que esta é apenas um dos fatores determinantes para a satisfação profissional. Por sua vez, a remuneração variável continua a ter um peso significativo, já que 82% dos executivos de topo recebem incentivos associados ao desempenho, normalmente ligados ao crescimento das receitas, rentabilidade e resultados empresariais de longo prazo.
No caso português, por exemplo, dados apurados pelo relatório mostram que funções executivas em setores como Consumer, Healthcare e Indústria podem atingir valores superiores a 200 mil euros anuais em empresas de grande dimensão, refletindo a crescente exigência colocada sobre estes perfis e a necessidade de alinhar remuneração com responsabilidade, performance e competitividade internacional. Ainda assim, os executivos valorizam cada vez mais fatores como transparência, confiança, qualidade da liderança e bem-estar.
O estudo conclui que, embora a remuneração permaneça relevante, são a cultura organizacional e a qualidade da liderança que determinam, em última análise, a capacidade das empresas para atrair, envolver e reter talento executivo.







