Conciliação entre trabalho e família continua a penalizar mais as mulheres, diz INE
Cerca de uma em cada quatro mulheres empregadas com responsabilidades familiares alterou a sua vida profissional para conseguir prestar cuidados a filhos, netos ou familiares dependentes. Nos homens, a realidade é outra, revelam dados do INE.
A conciliação entre a vida profissional e pessoal continua a ser mais desafiante para as mulheres que trabalham e são mães ou avós do que para os homens que trabalham e são pais ou avôs. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, cerca de uma em cada quatro das mulheres empregadas com responsabilidades familiares indicou mesmo ter alterado a sua atividade profissional para melhor conciliar com esses cuidados.
O INE realça, contudo, que há uma diferença significativa (de quase 11 pontos percentuais) entre géneros. Enquanto 86% dos homens garantem não ter mudado a vida profissional por causa do trabalho, só 75,2% das mulheres estão nessa situação, segundo os dados agora divulgados.
Por outro lado, as estatísticas mostram que, entre os 19,1% que identificaram efeitos da prestação de cuidados na vida profissional, o mais referido foi a alteração do horário de trabalho sem alteração da carga horária a que está obrigado (7,2%).
“Esta mudança foi mais referida entre os residentes na região do Algarve (8,0%), por mulheres (8,3%), pessoas dos 18 aos 34 anos (7,8%), com ensino superior (9,2%), trabalhadores por conta própria (8,9%), nomeadamente os isolados (9,4%), empregados com dois ou mais empregos (10,6%), que determinavam o próprio horário de trabalho ainda que com restrições (11,7%), que trabalhavam em casa (9,6%) e a tempo completo (7,3%)”, detalha o INE.
Além disso, 3,3% dos empregados inquiridos revelam ter mudado de trabalho ou de empregador para melhor conciliar a sua vida profissional com as responsabilidades de prestações de cuidados e que 2,8% reduziram o horário de trabalho.
Quando questionados sobre a característica do trabalho que mais dificulta a conciliação entre a vida pessoal e profissional, o obstáculo mais mencionado foi o horário de trabalho longo (11,8%), seguindo-se a imprevisibilidade do horário ou horário atípico (9,3%), o trabalho exigente ou cansativo (8,9%) e as deslocações casa-trabalho/trabalho-casa muito demoradas (6%).
Segundo a análise, duas em cada cinco mulheres nomearam características no seu trabalho que dificultam a prestação de cuidados familiares (40,5%), identificando o horário de trabalho longo (12,6%) e o trabalho exigente e cansativo (10,1%) como as principais. Por outro lado, entre os homens que reconheceram obstáculos à conciliação (37,2%), a dificuldade mais referida foi a imprevisibilidade do horário ou horário atípico (10,5%).
A utilização da licença parental também revela diferenças entre géneros: 83% das mulheres recorreram a esta licença, enquanto entre os homens a percentagem foi de 69,4%.
Quanto à duração das interrupções na carreira para este fim, o gabinete de estatísticas avança que a média ronda os dois meses e seis meses, mas também aqui há uma “clara diferença entre homens e mulheres“.
81,3% dos homens indicaram durações acumuladas curtas: até um mês (51,1%) e mais de um até dois meses (30,2%). Por oposição, as interrupções mais extensas foram reportadas quase exclusivamente por mulheres: 91,5% estiveram de licença parental durante, pelo menos, 2 meses (31,2% indicaram uma ausência total de mais de 6 meses até 1 ano)”, assinala o INE.
O INE adianta ainda que “7,1% das pessoas cuidavam de familiares dependentes com 15 e mais anos, despendendo 30 e mais horas semanais na prestação desse cuidado (28,0%)”.






