Empresa brasileira utiliza borras de café para criar biocouro

Foto: Rahulsankraft, Pixabay

A brasileira Insider está a utilizar os resíduos de café para criar um material que substitui o couro e prepara-se para testar o novo material a nível industrial.

O mundo da moda tem procurado diminuir a dependência dos produtos de origem animal e derivados de plásticos, procurando alternativas de materiais sustentáveis cada vez mais inovadores. É o caso da proposta da equipa de pesquisa da Insider, uma marca brasileira de roupas, que criou um biocouro a partir da utilização de resíduos de café. Durante três meses, desenvolveram um novo “couro”, num processo que envolveu cerca de 30 protótipos até chegar à versão final, que, entretanto, a marca já patenteou. O processo de produção deste biocouro utiliza menos de 2 litros de água por metro quadrado, por oposição aos 100 litros associados ao processo tradicional de curtir o couro.

Karen Prado, líder de pesquisa e desenvolvimento da Insider, explicou que o desafio consistiu em criar um material que reunisse estética e performance sem repetir os impactos ambientais do couro animal ou dos sintéticos plásticos.

Com esta aposta, a Insider rentabilizou uma matéria-prima que resulta do elevado consumo de café da população brasileira. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), em média, cada brasileiro consome três a quatro chávenas de café por dia, o equivalente a cerca de 4,8 kg de café por habitante, por ano.

A líder de pesquisa e desenvolvimento da Insider esclarece que o material que resulta da borra do café tem cerca de 75% de composição vegetal. Foi criado para reproduzir as características visuais do couro, mas com menos consumo de recursos. Revelou ainda que os protótipos foram feitos a partir da borra de café gerada no próprio escritório, dentro de uma lógica de economia circular e envolvendo os funcionários no processo de recolha.

A responsável pela pesquisa adiantou ainda que nos testes de sustentabilidade, metade do material decompôs-se no solo em 15 dias e que em 30 dias o índice chegou a cerca de 67%. A primeira aplicação deste material será numa única peça (um blusão de design exclusivo) apresentada como prova de conceito.

Apesar do bom desempenho deste biocouro, o produto ainda não está à venda porque antes de chegar ao mercado tem de comprovar que reúne condições para manter a qualidade do protótipo numa escala industrial, ou seja, garantir que os benefícios do material são mantidos. Nesta fase do processo, o desafio não passa só pela sustentabilidade, mas também pela resistência, conforto, durabilidade, custo viável e apelo estético do produto.

Comentários

Artigos Relacionados