Relatório revela principais tendências do talento tecnológico em Portugal
Os profissionais mais estratégicos nas suas escolhas de carreira e empresas que não baseiam a competitividade apenas no salário, são duas das muitas conclusões do Tech Talent Trends Report 2026, da Landing.Jobs e do Damia Group Portugal.
Resultado da participação de profissionais de IT, independentemente da função, área ou nível de experiência, que nos últimos meses responderam a um survey online, o Tech Talent Trends Report & Salary Benchmark volta a analisar o estado do talento tecnológico em Portugal e as principais transformações do setor no último ano.
Tech roles e funções mais relevantes no mercado, linguagens de programação e frameworks em crescimento, modelos de trabalho, salários e a sua evolução, benefícios e propostas de valor, motivações e drivers de carreira, ou tendências em Inteligência Artificial e respetivo impacto no trabalho tecnológico, são algumas das áreas que o relatório analisa. E em linhas gerais, deste trabalho da Landing.Jobs e do Damia Group Portugal destacam-se alguns insights que permitem traçar o perfil do mercado nacional e identificar algumas tendências.
Assim, ficamos a saber que o salário médio anual na área tecnológica é de 53.671 euros, mais 0,9% face ao ano passado (após sete anos de crescimento, os salários começam a estabilizar); que as funções remotas de primeiro plano pagam 14,3% mais do que as funções de primeiro lugar no escritório (o salário médio bruto remoto é de 62,798€ vs salário bruto médio do escritório de 54,951€); as empresas de produtos pagam 24,8% mais do que a consultoria; 19% estão ativamente à procura de outros empregos; e 40% estariam dispostos a mudar-se para uma empresa estrangeira (apenas 13% trabalham atualmente além-fronteiras).
A diferença salarial de género em cargos seniores ainda ronda os 14% tanto em desenvolvimento tecnológico como em cargos de gestão (as mulheres representam agora 22% da força de trabalho, marcando mais um ano de progresso lento, mas gradual); e 74% dos profissionais de tecnologia utilizam ferramentas de programação com IA (o GitHub Copilot lidera (56%), seguido pelo Claude Code (34%) e pelo ChatGPT Code Interpreter (31%).
O relatório constata que depois de vários anos marcados por incertezas, desacelerações nas contratações e rápidas mudanças nos modelos de trabalho, o mercado português de talento tecnológico está a entrar uma nova fase de transformação.
A procura por talentos especializados mantém-se forte, especialmente em áreas ligadas à inteligência artificial, dados, DevOps e cloud-native architectures. Ao mesmo tempo, a ascensão de ferramentas e agentes baseados em IA está a começar a transformar a forma como as equipas são construídas e como o trabalho é realizado.
Uma das consequências mais visíveis é a crescente pressão sobre as oportunidades de entrada. Com os profissionais seniores a tornarem-se significativamente mais produtivos através da assistência IA, as empresas estão a contratar menos programadores juniores, o que levanta questões importantes sobre a sustentabilidade a longo prazo do ecossistema e de como a próxima geração de talento tecnológico português se desenvolverá.
Por outro lado, nesta visão global do mercado, verifica-se que Portugal continua a reforçar a sua posição enquanto polo tecnológico internacional, atraindo empresas globais e profissionais estrangeiros que veem o país como um local estratégico para construir equipas de tecnologia.
Ao mesmo tempo, o ecossistema está a tornar-se mais complexo e competitivo. As empresas assumem dinâmicas globais de contratação, equipas distribuídas e gerem expectativas em torno da flexibilidade e produtividade. A adoção da IA está a acelerar nas organizações, quer a influenciar o tipo de funções criadas, quer a redefinir as competências que as empresas mais valorizam.
De acordo com o Tech Talent Trends Report é possível concluir que o mercado português de talento tecnológico já não é um mercado em expansão, mas sim um mercado em amadurecimento.







