Opinião

O futuro das empresas até 2030 com associações empresariais ativas e inovadoras

Liz Silva, presidente da M2UP – Marketing & Business Association

Portugal chega a 2026 com uma realidade indesmentível: as PME são a espinha dorsal da sua economia. Em 2022, existiam 1 452 225 PME ativas, responsáveis por 77,4% do emprego e 68,3% do valor acrescentado nacional, segundo dados da Comissão Europeia citados pela InvoiceXpress.

São números que obrigam a uma pergunta séria: o que acontece a estas empresas até 2030? O horizonte está definido por dois grandes desafios, por um lado, a digitalização e a outra pela sustentabilidade e por uma janela de financiamento histórica. O Portugal 2030 prevê cerca de 1,3 mil milhões de euros destinados à competitividade empresarial, inovação, digitalização e transformação tecnológica, segundo o portal Start PME. Dinheiro existe. O que falta, muitas vezes, é orientação.

É aqui que a digitalização surge como imperativo, não como opção. Até 2030, a Estratégia Digital Nacional estabelece que no mínimo 90% das PME devem possuir pelo menos um nível básico de intensidade digital, segundo o portal Digital.gov.pt. A meta é ambiciosa. A realidade atual está ainda longe dela.

As associações empresariais ativas e inovadoras são, neste contexto, um fator decisivo. O COMPETE 2030 apoia explicitamente as associações empresariais através de ações coletivas que permitam criar condições favoráveis ao desenvolvimento de estratégias coletivas, estimulando a difusão do conhecimento, a transferência de tecnologia e a capacitação das empresas para estratégias de internacionalização. Ou seja, o próprio quadro europeu reconhece que as associações são agentes de transformação não apenas de representação.

As redes de colaboração empresarial permitem às PME partilhar conhecimento e inovação, ganhar escala e conquistar novos mercados através de missões conjuntas e contactos facilitados pelas redes . Sozinha, uma PME luta. Numa comunidade bem organizada, compete a nível global.

A inovação empresarial em copromoção, apoiada por uma dotação global de 149 milhões de euros no âmbito do Portugal 2030, representa uma política de estímulo ao crescimento competitivo e sustentável, com impacto direto na transformação do tecido económico português Skilltech, segundo a SkillTech.

O futuro pertence às empresas que souberem escolher bem a sua rede. Até 2030, uma associação ativa, presente, com eventos regulares, conteúdo de valor e uma comunidade de empresários comprometidos não é um luxo — é uma vantagem competitiva real. Em Portugal, quem crescer sozinho, crescerá menos.

Quando fundei a M2UP, em 2011, não sabia exactamente o tamanho do desafio que estava a abraçar. Sabia, isso sim, que havia algo profundamente errado na forma como os empresários portugueses se relacionavam uns com os outros ou melhor, como não se relacionavam. Cada um na sua trincheira, cada um a lutar sozinho, cada um a reinventar a roda em silêncio.

Hoje, com mais de 300 eventos por ano, presença em 10 distritos e uma comunidade que continua a crescer, posso afirmar com convicção: o modelo colaborativo funciona. Não é teoria. É prática diária, são negócios gerados em salas de reunião, são parcerias que nasceram numa conversa depois de um evento da M2UP.

Os dados que este artigo apresenta confirmam aquilo que vivemos no terreno há mais de uma década. As PME portuguesas têm peso, têm valor e têm potencial. O que muitas vezes lhes falta é contexto, é um espaço onde possam aprender, crescer e conectar-se com quem já percorreu o mesmo caminho.

O que me preocupa, genuinamente, é a velocidade da mudança. A Inteligência Artificial, a transição digital, as novas exigências de sustentabilidade, estas não são tendências do futuro. São realidades do presente. E as empresas que chegarem a 2030 sem ter navegado estas águas com acompanhamento, vão chegar mais frágeis, mais lentas e menos competitivas. No fundo, podem encerras portas.

A minha visão para a M2UP até 2030 é clara: ser a rede empresarial mais activa, mais inovadora e mais próxima dos empresários em Portugal, independentemente do distrito, do sector ou da dimensão da empresa. Não queremos substituir ninguém. Queremos amplificar todos.

Acredito, com toda a convicção, que o maior ativo de qualquer empresa não é o seu produto nem o seu capital. É a qualidade das suas conexões. E isso nós sabemos construir.

Portugal tem os instrumentos. Tem o financiamento. Tem os empresários. O que falta, muitas vezes, é a ponte é um espaço de confiança onde o conhecimento circule, onde as oportunidades se cruzem e onde o crescimento seja partilhado, não solitário.

Até 2030, a diferença entre as empresas que sobrevivem e as que prosperam não será apenas tecnológica. Será relacional. Será cultural. Será a diferença entre um empresário que enfrenta os desafios sozinho e outro que os enfrenta apoiado por uma comunidade que o conhece, que o desafia e que o ajuda a ir mais longe.

A pergunta que fica e que cada empresário deve fazer a si mesmo é muito simples: a rede em que estou inserido está a fazer-me crescer?

*Este artigo foi escrito com base em dados verificados de fontes públicas: InvoiceXpress, Start PME, COMPETE 2030, Estratégia Digital Nacional, Portugal 2030, SkillTech e Comissão Europeia e SBA Fact Sheet Portugal.

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Liz Silva

Liz Silva

Liz Silva é presidente da M2UP – Marketing & Business Association, associação que tem liderado com visão de expansão territorial, inovação e foco em criação de valor para empresários e profissionais de marketing. Anteriormente, foi presidente da AMA – Associação de Marketing Empresarial / Marketing de Aveiro, tendo sido uma das impulsionadoras da sua evolução para uma estrutura nacional com a criação da M2UP. É também empreendedor no setor do marketing estratégico: lidera iniciativas sob a marca “Liz Silva –... Ler Mais..

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