Trabalhar em casa pode aumentar taxa de natalidade

Um estudo recente feito em 38 países descobriu que o trabalho remoto está associado a uma maior fertilidade quando ambos os parceiros trabalham em casa pelo menos um dia por semana.

Quando os dois elementos de um casal trabalham em casa, o risco de terem mais filhos é mais elevado comparativamente com casais em que nenhum dos dois trabalha em casa. A conclusão é de uma pesquisa recente, citada na Euronews, da autoria de Steven J. Davis e equipa, e publicada como um documento de trabalho pelo National Bureau of Economic Research (NBER) sob o título “Work from Home and Fertility“. Constatou que o trabalho remoto está associado a maior fertilidade, ou seja, significa mais nascimentos entre as pessoas que trabalham em casa.

Envolvendo um total de 38 países, a pesquisa verificou que a fertilidade real, de 2023 a 2025, e a planeada para o futuro são maiores entre adultos que trabalham remotamente pelo menos um dia por semana. A fertilidade estimada ao longo da vida aumenta em 0,32 filhos por mulher quando ambos os parceiros trabalham em casa pelo menos um dia por semana. Nos Estados Unidos, o aumento chega a 0,45 filhos por mulher.

De acordo com a amostra desta análise (por adultos de 20 a 45 anos), o número médio de filhos por mulher é de 2,26 quando nenhum dos parceiros trabalha em casa. Todavia, se a mulher trabalha em casa pelo menos um dia por semana, a fertilidade ao longo da vida aumenta para 2,48 filhos. Esse número aumenta para 2,58 se ambos trabalham em casa. No caso do homem trabalhar em casa pelo menos um dia por semana, esse número é mais reduzido, de 2,36 filhos.

Mas afinal o que pode explicar a relação entre o trabalho remoto e o aumento da fertilidade? O autor da pesquisa, Steven J. Davis, destaca três possibilidades. A maior facilidade para conciliar trabalho e cuidado infantil dos modelos de teletrabalho, leva a que as mulheres e respetivos parceiros optem por ter mais filhos. Por outro lado, famílias com filhos escolhem empregos que oferecem opções de trabalho remoto, mas a fertilidade não é afetada pelo regime de trabalho remoto. Por último, a disponibilidade de empregos que permitem o trabalho remoto aumenta a fertilidade, ampliando as oportunidades atuais e futuras de escolher empregos que sejam compatíveis com a parentalidade.

O relatório sugere que estas três possibilidades corroboram a ideia de que o trabalho remoto facilita a conciliação entre a criação dos filhos e o emprego. Mais, os investigadores encontraram evidências de que as taxas de fertilidade aumentam com as oportunidades de trabalho remoto, um padrão que se manteve após a pandemia (2023-2025) e antes da pandemia (2017-2019).

Mas há variações nos diferentes países, em parte devido à percentagem de adoção do modelo de trabalho remoto. Entre os trabalhadores de 20 a 45 anos, a proporção dos que trabalham em casa pelo menos um dia por semana varia de 21% no Japão, para 60% no Vietname, por exemplo. O relatório estima que o trabalho remoto seja responsável por 8,1% da fertilidade nos EUA, o que equivale a cerca de 291.000 nascimentos por ano em 2024.

A transição para o trabalho híbrido e totalmente remoto após a pandemia tem sido muito desigual entre os países e, por isso, os dados da fertilidade, a nível nacional, dependem da frequência com que o trabalho remoto é adotado pelas empresas.

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