Portugal recebe concurso internacional de FemTech. Há 100 mil euros para impulsionar saúde da mulher.

Portugal vai  receber competição para laboratórios de investigação e start-ups FemTech em fase inicial. Os vencedores terão acesso a apoio técnico para desenvolver um produto mínimo viável, no valor de até 100 mil euros, bem como a investidores.

Portugal vai acolher, nesta primavera, um concurso dirigido a start-ups femtech e laboratórios de investigação. A iniciativa reunirá inovadores que trabalham na interseção entre a inteligência artificial e a saúde da mulher. As candidaturas já se encontram abertas e estarão disponíveis até 28 de abril de 2026.

Lançada pela plataforma científica EmbryoNet-AI, em parceria com a FemTech Real Money Talks Media — uma plataforma europeia dedicada à inovação na saúde feminina e no setor femtech —, a iniciativa tem como objetivo acelerar avanços com aplicação prática, transformando ideias em fase inicial e questões clínicas em soluções de inteligência artificial funcionais.

“A saúde da mulher tem sido, durante muito tempo, subfinanciada e pouco investigada. Com este concurso queremos mudar esse cenário e dar visibilidade a equipas talentosas que estão a impulsionar esta área”, afirma Elena Lipilina, cofundadora e CMO da EmbryoNet-AI.

 O concurso está aberto a equipas portuguesas e internacionais que apresentem uma hipótese sólida, tenham acesso a dados de imagem ou séries temporais e procurem responder a questões críticas na saúde da mulher através da inteligência artificial — seja na descoberta de fármacos, apoio ao diagnóstico ou investigação clínica. Podem também candidatar-se start-ups em fase inicial na área da saúde feminina que ainda não disponham de produto ou MVP.

“Estamos interessados em desafios clínicos e de descoberta de fármacos onde a inteligência artificial tenha potencial para gerar um impacto significativo na saúde da mulher. Isto inclui projetos que utilizem fenotipagem em séries temporais para compreender melhor a resposta a tratamentos e os mecanismos das doenças, em áreas como os cancros ginecológicos, a endometriose e a fertilidade. Estamos também interessados em equipas que pretendam acelerar a pré-rotulagem de imagens médicas provenientes de mamografias, ressonâncias magnéticas pélvicas, ecografias ou lâminas de anatomia patológica, bem como em soluções que combinem dados fenotípicos e clínicos para apoiar a tomada de decisão em ensaios clínicos, descoberta de biomarcadores e estratificação de tratamentos”, acrescenta Elena Lipilina.

Entre as candidaturas, serão selecionadas até 10 empresas, com base no potencial de impacto na saúde da mulher, maturidade dos dados, alinhamento com as capacidades da EmbryoNet-AI, viabilidade dentro do calendário do programa, robustez do modelo de negócio, bem como critérios éticos e de sustentabilidade.

As equipas selecionadas avançarão para a fase seguinte — o Mentor Sprint — que terá lugar no início de maio de 2026. Durante este período, os participantes irão trabalhar de perto com especialistas nas áreas tecnológica, de marketing e clínica, com o objetivo de afinar o âmbito dos projetos e reforçar a sua abordagem.

O programa culminará com um Pitch Day ao vivo, em maio de 2026, onde os finalistas irão apresentar as suas soluções a um painel de investidores e especialistas nas áreas da saúde da mulher, inteligência artificial e biotecnologia.

A equipa vencedora entrará depois numa fase de desenvolvimento com duração entre 8 a 10 semanas, de maio a julho de 2026, durante a qual a EmbryoNet-AI irá desenvolver, sem custos, um piloto totalmente funcional baseado em serviços.

Segundo Elena Lipilina, este apoio permitirá à equipa poupar entre 65 mil e 100 mil euros — o custo de desenvolvimento de um MVP, dependendo da complexidade do produto.

Além disso, “o vencedor terá acesso direto a investidores nas áreas da saúde da mulher e biotecnologia baseada em inteligência artificial, bem como um reforço da credibilidade pública através de materiais preparados para captação de investimento, incluindo apresentações (pitch decks), e exposição mediática”, explica a organização.

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