23% das empresas portuguesas antecipa quebras de faturação em 2026

O barómetro europeu da ERA Group destaca Portugal como o mercado mais pessimista em crescimento e lucro entre os países analisados. Cerca de uma em cada quatro empresas portuguesas antecipam quebras de faturação este ano.

Segundo o mais recente barómetro europeuda ERA Group, consultora especializada em otimização de custos e processos, Portugal destaca-se como o país europeu com a perspetiva de crescimento mais negativa, com 23% das empresas a antecipar quebras de faturação em 2026. Em termos gerais, Portugal apresenta um perfil mais cauteloso face a outros mercados europeus, como Espanha, Suécia e Reino Unido, evidenciando uma maior contenção nas expetativas de crescimento e rentabilidade.

De acordo com o estudo, que teve como base um inquérito a mais de mil líderes e decisores empresariais, este cenário é acentuado por um enquadramento económico particularmente exigente, marcado por prejuízos estimados na ordem dos dois mil milhões de euros associados às depressões meteorológicas do início do ano, bem como pelos efeitos persistentes da inflação tarifária e pela escalada do conflito no Médio Oriente.

Assim, o barómetro constata que a percentagem de empresas em Portugal que antecipa o crescimento de receitas caiu significativamente face ao ano anterior (63%), fixando-se agora nos 39%. Contudo, 57% das organizações espera um aumento do EBITDA, embora este valor permaneça abaixo da média europeia (62%).

Os setores do retalho e distribuição (63%), da indústria (63%) e da saúde (58%) destacam-se como os mais otimistas quanto à evolução dos seus negócios.

Além disso, os executivos estão a privilegiar uma abordagem estruturada e seletiva, com foco na agilidade operacional, inovação e eficiência. O estudo da ERA Group indica ainda que a otimização de custos (41,5%), o investimento em novas tecnologias, como a Inteligência Artificial (39%) e a integração de práticas mais sustentáveis (39%) são as principais prioridades para a aplicação de recursos e transformação interna.

Outro aspeto referenciado foi o desafio que o tecido empresarial português enfrenta, já que para 40% dos decisores o aumento dos custos tecnológicos foi o principal obstáculo à obtenção de melhores resultados no último ano, um valor significativamente acima da média europeia que anda nos 29%. Também a escassez de mão de obra qualificada, apontada por 37% dos inquiridos, se revelou uma preocupação.

A incerteza geopolítica também se reflete na perceção sobre o comércio internacional e neste ponto Portugal surge como o país mais cético face às tarifas impostas pelos Estados Unidos da América, com 34% dos líderes a antecipar um impacto líquido negativo nos seus negócios.

Para muitas organizações, sobretudo as de menor dimensão e com cadeias logísticas mais locais, estas alterações têm levado à adoção de estratégias mais conservadoras, sendo a sustentabilidade (21,5%) e rentabilidade (21,5%) as principais preocupações imediatas das empresas.

Para enfrentar estes desafios, as empresas estão a direcionar os seus investimentos para áreas com impacto direto na competitividade. A sustentabilidade operacional (39%) e as áreas de vendas e marketing (36%) lideram as intenções de investimento para 2026, refletindo um esforço claro de adaptação ao novo contexto económico.

A par destas prioridades, destacam-se ainda a diversificação de produtos e o reforço da autonomia na gestão da cadeia de fornecimento, bem como a revisão do portefólio e o reforço da experiência do cliente

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