People Engagement Summit 2026: o futuro passa pela liderança humanizada
A vantagem competitiva das empresas constrói-se cada vez mais na articulação entre tecnologia e capacidades humanas, sublinhou Ricardo Martins, CEO da Cegoc, na 10.ª edição do People Engagement Summit 2026, onde também foram reconhecidas as empresas que mais se destacaram na 10.ª edição do People Engagement Survey.
O bem-estar, o desenvolvimento de competências, a liderança com propósito e a valorização do talento estiveram no centro do debate do People Engagement Summit 2026. O evento, promovido pela Cegoc na terça-feira passada, em Lisboa, reuniu especialistas para discutir os principais desafios do mundo do trabalho e serviu também de palco para a apresentação dos resultados da 10.ª edição do People Engagement Survey, um dos barómetros de referência da experiência profissional em Portugal.
Num contexto marcado pela aceleração tecnológica, pela diversidade de modelos de trabalho e de novas gerações no mercado, as organizações enfrentam um desafio central: manter as pessoas envolvidas nas empresas. A resposta, sendo transversal, exige uma abordagem integrada que combine tecnologia, alinhamento de valores e práticas internas e experiência humana.
Para Ricardo Martins, CEO da Cegoc, essa resposta começa por reconhecer que tecnologia e humanidade não são forças opostas, mas complementares. “Temos de juntar à inteligência artificial a nossa inteligência emocional, mas também a inteligência relacional”, afirma. A aposta nas pessoas, acrescenta, é o que distingue as organizações com capacidade de crescimento sustentável: “a capacidade de as empresas apostarem na humanidade, nos seus talentos, na formação, nas áreas de soft skills” será um dos pilares críticos nos próximos anos.
Mas o desenvolvimento de competências, por si só, não é suficiente. A forma como as organizações são lideradas assume um papel determinante. “O papel das lideranças é fundamental neste processo, até porque são muitas vezes o foco principal da construção da cultura”, sublinha Ricardo Martins. É precisamente o alinhamento entre valores individuais e organizacionais que permite criar resiliência perante a mudança tecnológica. “Organizações que têm colaboradores mais alinhados, mais unidos pelo seu propósito, têm maior disponibilidade para ultrapassar receios legítimos em torno das novas tecnologias”, acrescenta.
O People Engagement Summit 2026 reuniu dezenas de CEO, diretores de Recursos Humanos e responsáveis de People & Culture de grandes empresas e PME, assumindo-se como um espaço de reflexão e partilha sobre os desafios da gestão de pessoas. “Nós temos vindo a fazer, ano após ano, um investimento muito forte em soluções de engagement, seja através do survey, da atribuição de prémios ou da partilha no Summit”, sublinhou Ricardo Martins, defendendo que envolver talento é hoje uma condição essencial da estratégia organizacional.
Bem-estar psicológico no centro do engagement
Segundo os resultados da 10.ª edição do People Engagement Survey, desenvolvido em parceria científica com o ISCTE Executive Education, as políticas de bem-estar psicológico surgem como o principal fator explicativo do engagement, seguidas pela compatibilidade entre os valores individuais e os da organização e pela perceção de uma orientação estratégica clara. Em sentido inverso, a falta de dignidade ou de humanização nas relações de trabalho traduz-se numa quebra do envolvimento e num aumento da intenção de saída.
O estudo aprofunda ainda a relação entre isolamento social, negligência e bem-estar. Os dados mostram que quanto maior a perceção de isolamento, maior a tendência para o desinvestimento no trabalho. Em contrapartida, organizações que promovem práticas de liderança positivas, reforçam a coesão e investem em políticas de bem-estar conseguem mitigar esse risco, evidenciando que o bem-estar psicológico é um fator estrutural para a sustentabilidade organizacional.
No domínio da inteligência artificial, os colaboradores com maiores níveis de literacia digital apresentam atitudes mais positivas face à tecnologia e níveis mais elevados de engagement. Por outro lado, quando a tecnologia é percecionada como ameaça, aumenta a intenção de saída e diminui a disponibilidade para esforço adicional.
Também os modelos de trabalho revelam conclusões relevantes. Contrariando a perceção comum, são os colaboradores em regime exclusivamente presencial que reportam maiores níveis de isolamento social, enquanto os modelos híbridos estão associados a maior bem-estar e envolvimento. O desafio das organizações não reside, assim, na escolha entre presença física ou trabalho remoto, mas na capacidade de tornar o espaço presencial num catalisador de colaboração, interação e sentido de pertença.
Prémios para destacar boas práticas
Este ano, o People Engagement Awards atribuiu prémios especiais comemorativos para assinalar uma década de reconhecimento das organizações que mais investem no envolvimento e bem-estar dos colaboradores. Ao longo destes dez anos, o evento afirmou-se como uma referência nacional, distinção agora reforçada com a atribuição de mais prémios do que é habitual. O objetivo foi destacar organizações que, de forma consistente, têm demonstrado um compromisso sólido com o bem-estar das pessoas, a adoção de boas práticas de gestão de recursos humanos e com a participação no survey.
Conheça os vencedores por categoria.

Grandes Empresas (mais de 251 colaboradores):
- º Lugar Grandes Empresas: Zurich Portugal
- º Lugar Grandes Empresas: InnoWave
- º Lugar Grandes Empresas: Bondalti
- º Lugar Grandes Empresas: Turismo de Portugal. I.P.
- º Lugar Grandes Empresas: Plural Cooperativa Farmacêutica CRL
- º Lugar Grandes Empresas: Wellow Network, S.A
- º Lugar Grandes Empresas: agap2IT
- º Lugar Grandes Empresas: KCS iT
- º Lugar Grandes Empresas: Cuf
- º Lugar Grandes Empresas: Lipor
Médias Empresas (entre 51 e 250 colaboradores)
- º Lugar Médias Empresas: CA Seguros, SA
- º Lugar Médias Empresas: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
- º Lugar Médias Empresas: Codewin
- º Lugar Médias Empresas: José de Mello Capital
- º Lugar Médias Empresas: Real Vida Seguros
- º Lugar Médias Empresas: Cachapuz – Weighing & Logistics Systems, Lda
- º Lugar Médias Empresas: Academia Transformar
- º Lugar Médias Empresas: Altronix – Sistemas Electrónicos Lda
- º Lugar Médias Empresas: F3M Information Systems, S.A
- º Lugar Médias Empresas: Team IT
Pequenas Empresas (entre 11 e 50 colaboradores)
- º Lugar Pequenas Empresas: AMCO Intermediários de Crédito
- º Lugar Pequenas Empresas: STANDOUT TECHNOLOGIES, UNIPESSOAL LDA
- º Lugar Pequenas Empresas: B-Training Consulting
- º Lugar Pequenas Empresas: LeaseCapital Lda
- º Lugar Pequenas Empresas: Talento – Formação
- º Lugar Pequenas Empresas: MAGICWAVE, LDA
- º Lugar Pequenas Empresas: InovaPrime – Serviços em Tecnologias de Informação, Lda.
- º Lugar Pequenas Empresas: Argon Group
- º Lugar Pequenas Empresas: Sysnovare – Innovative Solutions
- º Lugar Pequenas Empresas: Electrão – Associação de Gestão de Resíduos
Vencedores por macro setores de atividade:
Banca, Seguros e Serviços Financeiros
1.º Lugar Grande Empresa: Zurich Portugal
1º Lugar Média Empresa: CA Seguros, SA
Consultoria e Serviços Profissionais
1º Lugar Grande Empresa: Wellow Network, S.A
1º Lugar Média Empresa: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.
Hotelaria, Turismo, Desporto Ensino e Serviços Comunitários
1º Lugar Grande Empresa: Turismo de Portugal. I.P.
Indústria, Construção e Atividades Produtivas
1º Lugar Grande Empresa: Bondalti
1º Lugar Média Empresa: Cachapuz – Weighing & Logistics Systems, Lda
Saúde e Farmacêuticas
1º Lugar Grande Empresa: Plural Cooperativa Farmacêutica CRL
1º Lugar Média Empresa: Academia Transformar
Tecnologia, Media e Telecomunicações
1º Lugar Grande Empresa: InnoWave
1º Lugar Média Empresa: Codewin
Prémio de Bem-Estar, Humanização e Dignidade: CA Seguros, SA
Prémio Entidades Públicas: Lipor
Prémio 10 anos: Samsys – Consultoria e Soluções Informáticas, Lda.








