Opinião
2026: Esperar ou fazer acontecer
E, no meio das habituais previsões e profecias, chegámos finalmente a 2026. Não vou aqui debitar o cliché sobre quão decisivo será este novo ano. Cada época tem os seus desafios específicos e, como todas as outras, exigirá (boas) doses de sabedoria, coragem e determinação.
Que este mundo não vai ser um lugar sereno e previsível, já todos estamos cientes. Em termos globais, as designadas “megatrends” estão bem identificadas. Os desenvolvimentos exponenciais da AI, com impactos em todas as dimensões da vida em sociedade (nomeadamente, no mundo do trabalho), trarão um misto de curiosidade e ansiedade. Noutro nível, as alterações climáticas continuarão certamente a testar a nossa capacidade de resiliência e de reinvenção socio-económica.
E a geopolítica deste mundo multipolar estará cada vez mais volátil. E a nível regional? Na Europa, vamos ter um ano intenso com o processo de paz (ou de guerra continuada) na Ucrânia – e os imperativos de maior integração e cooperação europeias. Nos EUA, no meio da extrema polarização e de lutas políticas disfuncionais, teremos a incógnita de uma Administração cada vez mais virada para o seu hemisfério (Venezuela será apenas o início) e pouca orientada para o nosso velho continente.
No Médio Oriente, teremos (esperemos) a estabilização das relações entre Israel e os seus vizinhos depois de 2 anos de guerra fratricida – e, ao dia em que escrevo, aparentemente, o final abrupto da teocracia iraniana. A China continuará a enfrentar o desafio da desaceleração da sua economia, olhando igualmente para a necessário controlo e ordem da sociedade – que se depara com o seu (já esperado) crescente envelhecimento – e o tom cada vez mais afirmativo da política externa e de defesa, continuará a alarmar os seus vizinhos.
A Índia, por seu turno, fruto da sua demografia e economia, emergirá cada vez mais como uma potência de impacto global. Será certamente um ano de inquietações e de eventuais mudanças: como a democracia ainda persiste como sistema dominante, os povos serão chamados às urnas um pouco por todo o mundo, com eleições importantes nos Estados Unidos, Brasil, Israel, Colômbia e Etiópia – com efeitos e impactos continentais e mesmo globais (também existirão formalmente na Rússia, mas com resultados muito menos imprevisíveis).
E em Portugal, perguntar-me-ão? Sendo certo que, como País pequeno e aberto, seremos sempre fortemente impactados pelo contexto exterior, tal não é razão para não termos uma “agenda”. Mesmo com “tempestades” à nossa volta, muito depende ainda da nossa vontade e decisão, colectiva e, muitas vezes, individual. Identificando oportunidades, alavancando vantagens competitivas e focando nas variáveis que dependem da nossa decisão.
A um nível “macro”, haverá que acelerar a reforma do Estado, potenciar a competitividade (a nível fiscal, laboral e na muito esquecida questão da energia). E atrair investimento, criando riqueza e emprego – algo que depende de uma agenda estratégica para Portugal, que demora a ser percebida.
E num nível micro, individual? Muitas vezes, parecemos meros espectadores de um “entretenimento global”, de media e social media, que nos brindam com “notícias” num regime contínuo 24/7. A tendência, muito portuguesa, será um expectante “vamos ver”. Mas cada atitude/ iniciativa/ decisão é importante. A nossa capacidade de inovação, empenho e dedicação profissional, seja por conta própria ou por conta de outrem; a atenção que prestamos à Comunidade em que estamos envolvidos – desde a participação cívica ao voluntariado; a exigência de qualidade, rigor e contenção nos serviços públicos que temos; o investimento que façamos, proactivamente, na nossa educação, formação e conhecimento; na gestão pessoal e familiar dos recursos; na forma como escrutinamos as decisões dos nossos políticos; ou, como gestores de um agente económico “empresa”, o novo investimento que possamos fazer.
Conforme a nossa escala de recursos, poder, influência ou nível de responsabilidade, algumas destas realizações poderão marcar a diferença entre um ano mau e um ano bom. Porque, no final do ano, as estatísticas do PIB, crescimento da economia, exportações, défice, taxa de emprego e outras representarão, em boa parte, o somatório de milhões de decisões e micro-decisões individuais, como estas que referi. Serão a diferença entre esperar para ver… ou fazer acontecer. Vamos para a segunda opção! E bom 2026 para todos(as)!








