Opinião

Criatividade e gestão de recursos humanos

Leonor Almeida, coordenadora de Mestrado do ISG*

O contexto organizacional está a mudar: a globalização e uma crescente participação das mulheres no mundo trabalho contribuem para a redefinição dos sistemas de valores dos futuros profissionais. Dessa redefinição fará certamente parte integrante uma maior importância atribuída ao valor da criatividade.

A criatividade possibilita a inovação e potencia o desenvolvimento, proporcionando ideias e opções originais, podendo constituir a melhor arma face aos desafios da vida. A criatividade parece ajudar, quer na resolução de problemas, como no evitamento de muitos outros problemas, sendo considerada, por isso mesmo, reativa e proativa. Gestores e líderes confrontam-se com novos desafios onde o papel do pensamento divergente e da criatividade assume cada vez mais um lugar de destaque. Iniciativa, espírito de equipa, capacidades de liderança, autonomia, flexibilidade, criatividade e vontade de assumir riscos são requisitos, cada vez mais, solicitados. As empresas procuram colaboradores que, para além das competências técnicas exigidas para a função, tenham também estes requisitos, seja qual for a área profissional.

Mitjáns (2002)[1], em investigações com profissionais criativos de diferentes áreas, verificou que os recursos por eles mais utilizados eram a motivação, capacidades cognitivas diversas, flexibilidade, audácia, capacidade de autodeterminação, autoestima adequada, segurança e capacidade para estruturar o campo de ação para tomar decisões.

Também foram apontadas por Amabile (2004)[2] a autoconfiança, a fluência verbal e a flexibilidade como sendo características das pessoas criativas que deveriam também estar presentes em líderes. Além destas características, Fields (2001)[3] verificou que a intuição era predominantemente utilizada por executivos e gestores de topo, devendo, portanto, ser estimulada e desenvolvida. Cabe ao líder estar atento às necessidades da equipa, dos clientes e do mercado, com o intuito de propor inovações através do incentivo de novas ideias. Contudo, é importante frisar que ao líder não basta incentivar as ideias, sendo preciso colocá-las em prática.

A disposição para correr riscos e aprender com os próprios erros é de especial relevância para a expressão da criatividade, sendo a coragem um atributo fundamental, uma vez que a criatividade implica lidar com o desconhecido. A geração de ideias implica mudanças no local de trabalho e estas, por sua vez, levam à busca de aperfeiçoamentos constantes.

Referências:

[1]
Mitjáns, A. (2002). Creatividad y salud en los indivíduos y en las organizaciones. Creatividad y Sociedad, 1, 25-32.

[2]
Amabile, T. M., Schatzel, E., Moneta, G., & Kramer, S. (2004). Leader behaviors and the work environment for creativity: Perceived leader support. The Leadership Quarterly, 15, 5-32.

[3]
Fields, A. E. (2001). Intuition engineering. Journal of Organizational Engineering, 2(3), 1- 13.

* Leonor Almeida, coordenadora do Mestrado em Gestão do Potencial Humano do ISG

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