Só nos EUA existem mais de 11 milhões de empresas detidas por mulheres. Das empresas que faturam 1 milhão dólares (890 mil euros), uma em cada cinco são propriedade de mulheres. Não obstante todo o progresso, continua a haver disparidades, nomeadamente ao nível do financiamento.

Um dos principais desafios para as mulheres empreendedoras, comparativamente aos homens, é a obtenção de financiamento de capital de risco. Em 2017, apenas 2,2% de todo o capital de risco nos EUA foi para empresas fundadas exclusivamente por mulheres e, em média, as empresas de mulheres recebem 5 milhões de dólares (4,455 milhões de euros) de financiamento enquanto as fundadas por homens  recebem 12 milhões de dólares (10,6 milhões de euros).
Os dados dão citados pela smallbiztrends.com, que refere ainda que no ano passado, o maior investimento de uma venture capital numa empresa de fundadoras foi a série G, de 165 milhões de dólares (147 milhões de euros), da start-up Moda Operandi, um valor significativamente inferior ao financiamento série G da WeWork, uma empresa de fundadores masculinos, que obteve 3 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros).

Como podem então as empreendedoras ultrapassar esta discrepância? A smallbiztrends.com sugere seis passos para superar a lacuna de financiamento.

Encontrar um mentor – A empreendedora deve identificar alguém que teve sucesso no financiamento de capital de risco. De seguida, preparar os argumentos, pedir ajuda na análise do plano de negócios e solicitar os conselhos desse mentor ou mentora para estar preparada para todas as questões e ser bem sucedida quando apresentar o negócio aos investidores.

Encontrar os investidores certos – Pesquisar cuidadosamente quais os fundos de investimento a contactar e certificar-se de que a sua ideia é algo em que possam estar interessados. Ao identificar fundos que já investiram ou que estão a investir em empresas de mulheres, aumenta as probabilidades de obter fundos.
Existem firmas de capital de risco que se dedicam a tentar minimizar a lacuna de financiamento de género. A Inc. criou uma base de dados, chamada The Fundery, que ajuda as mulheres a encontrar empresas de capital de risco que investem especificamente em empreendedoras.

Superar os medos – As mulheres estão a ter um papel cada vez mais ativo no tecido empresarial. Quatro em cada 10 empresas nos EUA são propriedade de mulheres e têm mais de 3,1 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) em receita. Para apresentar o pedido de financiamento é importante treinar alguns aspetos concretos: como falar sobre capital, o que o investimento pode trazer à empresa e o que os investidores têm a ganhar. É importante explicar claramente o plano de negócios, transmitir detalhadamente o projeto e estar preparada para perguntas difíceis colocadas pelos investidores.

Pedir mais –  Enquanto, habitualmente, os homens  aumentam os números, quando procuram financiamento de capital de risco, as empreendedoras tendem a ser mais realistas e conservadoras. Os investidores são propensos a rejeitar o valor do primeiro pedido de financiamento. Por isso, devem adotar uma tática semelhante para que tenham mais margem de negociação caso o seu pedido inicial seja recusado e tenham que baixar o valor.

Equacionar outras formas de financiamento O financiamento de capital de risco não é a opção certa para todas as empresas. Se após várias tentativas, as respostas continuarem negativas, mesmo a empresa tendo um bom desempenho, pode ser importante considerar outras fontes de financiamento. Aqui as opções são diversas: crowdfunding, financiamento bancário, empréstimos para pequenas empresas, angariação de fundos entre amigos e familiares ou business angels.

Tornar-se uma investidora de risco Quando tiver capital suficiente para investir, a empreendedora pode apostar noutras empresas propriedade de mulheres. A única maneira das empreendedoras continuarem a procurar financiamento de capital de risco é se mais mulheres receberem financiamento de capital de risco.

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