Desafiamos alguns empreendedores nacionais a fazerem uma mini retrospetiva do ano que agora termina e a revelarem quais as suas prioridades para o próximo ano. E ainda partilharam quais os livros que mais os inspiraram.

Ricardo Santos, CEO da Heptasense, João Aroso, fundador e CEO da Advertio, Helena Antónia Silva, fundadora e CEO da Vintage for a Cause, Nuno Brito Jorge, cofundador e CEO da GoParity, André Jordão, cofundador e CEO da Barkyn, e Hugo Venâncio, fundador e CEO da Reatia, aceitaram o desafio do Link To Leaders para responder a três questões: que lições retiram de 2020; como olham para 2021? Quais as  prioridades; e livros que tenham sido uma fonte de inspiração.

 

Ricardo Santos, CEO da Heptasense

Que lições retira de 2020?
A importância de ter as ferramentas e pessoas certas para conseguir adaptar um negócio, que outrora parecia bem estruturado, pois situações como esta pandemia levam a uma mudança rápida da forma como interagimos com atuais e novos clientes, da forma de trabalhar e serviços que tragam valor para esta nova realidade.

Como olha para 2021? Quais as prioridades?
Espero que as coisas voltem ao normal, mas caso esta situação se mantenha, estar mais preparado do que em 2020. Profissionalmente, quero que os negócios continuem a crescer, e estamos também a fechar uma ronda de investimento, de forma a sustentar esse mesmo crescimento.

Livros que tenham sido uma fonte de inspiração para si enquanto empreendedor e porquê?
Cisne Negro”, por Nassim Nicholas Taleb. Este livro introduz o conceito de “Cisne Negro” que consiste nos acontecimentos que alteram o nosso rumo de forma drástica, ensinando-nos a prever e gerir esses mesmos acontecimentos. Aplico este tipo de filosofia na minha empresa, pois num mundo em que existe tanto “ruído” de informação, temos de conseguir posicionar-nos em destaque de forma a abrir novas portas para oportunidades e crescermos.

“Superhubs”, por Sandra Navidi. Retrata a importância das relações com outras pessoas, e quanto mais bem relacionados melhor é o nosso “hub”. Fez-me compreender que mesmo uma empresa de tecnologia para singrar precisa de muito trabalho de networking, pois no final as empresas são pessoas e a forma de fechar um negócio passa primeiro por criar uma relação de confiança com as pessoas-chave.

24/72″, por Jonathan Crary. Este livro é um ensaio filosófico que explica que as alturas de sono são prejudiciais para o capitalismo, pois vamos todos trabalhar e dormir à mesma hora, defendendo a tese que as atividades laborais deveriam funcionar 24h, durante 7 dias por semana. Fez-me refletir que a produtividade não passa por me obrigar a trabalhar nas “horas normais”, mas a gerir melhor a minha forma de trabalhar para que a produtividade se reflita durante as 24h do dia, sem influenciar negativamente a vida pessoal.

João Aroso, fundador e CEO da Advertio

Que lições retira de 2020?
2020 acabou por ser um ano que ninguém esperava e que foi bastante difícil para muitos negócios. Ainda assim, se quisermos retirar algo de positivo deste ano, diria que o facto das empresas terem que adaptar e melhorar os seus processos é sem dúvida um deles.

Na Advertio, por exemplo, sempre fomos uma empresa “remote-friendly”, mas este ano obrigou-nos a adaptar os nossos processos para que se adequassem à nova realidade. Isso passou por rever prioridades de reuniões, alterar a forma como comunicamos internamente e também por criar oportunidades para manter a cultura da empresa e o espírito de equipa. No nosso caso, esta adaptação acabou por ser bastante rápida, mas diria que a maior lição de 2020 foi mesmo percebermos a importância de termos processos bem definidos.

Como olha para 2021? Quais as prioridades?
Olho para 2021 com otimismo e as minhas prioridades serão as mesmas que tenho vindo a focar nos últimos meses: continuar a trabalhar todos os dias no nosso produto e manter o ritmo de crescimento dos últimos meses. Além disso, penso que a cultura das equipas será sem dúvida um dos grandes focos da maior parte das empresas, que terão que continuar a inovar na forma como se relacionam.

Livros que tenham sido uma fonte de inspiração para si enquanto empreendedor e porquê?
Escolher apenas dois ou três livros é uma tarefa complicada porque há vários que serviram de inspiração de uma forma ou outra. Em primeiro lugar, e visto que trabalho no espaço da publicidade há já muitos anos, diria que o “Ogilvy on Advertising” é sem dúvida um dos livros que mais me inspirou porque o próprio Ogilvy é um exemplo de sucesso não só como publicitário, mas como empreendedor no geral.

Depois, o “The Master Algorithm, de Pedro Domingos, foi para mim a leitura ideal para entrar no tema da Inteligência Artificial. Como CEO duma empresa que usa diversas tecnologias, tento sempre estar a par de todas e considero que este livro é um excelente ponto de partida sobre este tema.
Por último, posso ainda destacar o “Elon Musk”, de Ashlee Vance, que penso que é um livro que poderá inspirar quase qualquer tipo de pessoa, independentemente do seu background.

Helena Antónia Silva, fundadora e CEO da Vintage for a Cause

Que lições retira de 2020?
Ano muito desafiante que é sem dúvida uma prova de resiliência. Múltiplas aprendizagens, mas a maior é a de que a partilha é a alma do negócio.

Como olha para 2021? Quais as prioridades?
Reforçar a estratégia digital e otimizar processos.

Livros que tenham sido uma fonte de inspiração para si enquanto empreendedora e porquê?
“1984”
, George Orwell, e “No Enxame“, de Byung-Chul Han. Não que tenham sido fonte de inspiração, mas explicam muito bem o fenómeno de polarização que estamos a viver e as consequências do digital enquanto chave duma transição que já é uma realidade e de como isto tem consequências em termos coletivos.

Nuno Brito Jorge, cofundador e CEO da GoParity

Que lições retira de 2020?
A sustentabilidade está finalmente a chegar ao “mainstream”. Mais vale tarde que nunca. E que ainda existe muita solidariedade e preocupação com o próximo dentro do ser humano, às vezes só precisamos que algo sirva de gatilho para serem ativadas.

Como olha para 2021? Quais as prioridades?
Com bastante entusiasmo pela oportunidade de fazer algumas coisas de forma diferente, por exemplo, de humanizar e democratizar a economia, mas também com alguma preocupação pelo período de incerteza em que vivemos apesar de como empreendedores estarmos habituados a contextos incertos.
Em relação à GoParity as prioridades são conseguir o financiamento que nos permita continuar o crescimento que temos tido, a expansão internacional e contratar mantendo o espírito e qualidade que temos na equipa atual.

Livros que tenham sido uma fonte de inspiração para si enquanto empreendedor e porquê?
“The Art of Innovation”
porque é dos fundadores da IDEO, uma consultora de inovação que me lembro de admirar desde antes de ser empreendedor. “In Patagonia” é o meu livro preferido de viagens, extremamente bem narrado e envolvente. Os empreendedores também precisam de se abstrair e sonhar. “Let my people go surfing”, um livro inspirador de um empreendedor sustentável com o qual se pode também aprender a ser um líder mais humano.

André Jordão, cofundador e CEO da Barkyn

Que lições retira de 2020?
Fazer da empresa um sistema em aprendizagem é o melhor asset para adaptação a tempos instáveis e diferenciação no mercado

Como olha para 2021? Quais as prioridades?
Com otimismo! Está a acontecer uma adoção digital a uma velocidade nunca vista antes e isso traz desafios – como mais ruído e novos segmentos online -, mas é uma grande oportunidade para negócios digitais que saibam captar novos clientes. Quanto a prioridades, o crescimento do negócio para mainstream e sermos líderes digitais do nosso espaço nos três países em que operamos. Em termos pessoais, saúde e saber preservá-la com rotinas para parte física, mental e stamina.

Livros que tenham sido uma fonte de inspiração para si enquanto empreendedor e porquê?
“Thinking in Systems”, de Donella Meadows; “Principles”, de Ray Dalio; e “Good to Great”, de James Collins.

Hugo Venâncio, fundador e CEO da Reatia

Que lições retira de 2020?
2020 foi um ano onde as pessoas tiveram que se reinventar. De um momento para o outro, todos os nossos conceitos, formas de estar e trabalhar tornaram-se desajustados. 2020, mostrou-nos um lado mais humano, mas também mais frágil da sociedade. Tivemos grandes momentos de superação, mas também de dor e aflição. Foi um ano que nos fez parar e repensar, e sobreviver.  Quem conseguiu passar este ano, sairá mais forte.

Se em 2019 nos dissessem que o mundo ia parar quase três meses, que as relações humanas iriam ser abaladas, e que a vida económica ia parar, certamente que não acreditaríamos. Mas veio o 2020, e tivemos que lutar para ultrapassar todas as limitações que a COVID-19 nos presenteou.

De 2020 saímos diferentes. Acredito que para melhor. Com uma nova resistência e apreço pelas coisas mais simples do mundo. Um abraço, na nossa geração, ganhou um novo sentido.

Como olha para 2021? Quais as prioridades?
2021 será o retomar da “normalidade”. Acredito que será um ano de recuperação, mas também difícil. A sociedade ainda vai ter de lidar com as consequências económicas e sociais desta pandemia (que têm sido retardadas). Depois de um ano de 2020, em que nos afirmámos como líderes em Portugal, agora o nosso objetivo passa por o sermos também noutros países.

Livros que tenham sido uma fonte de inspiração para si enquanto empreendedor e porquê?
Livros que considero uma inspiração ou de utilidade: “Lean Startup”, um livro essencial para quem quer ser, ou é, empreendedor. Com este livro aprendem-se abordagens diferentes e diferenciadas sobre como validar a visão e o produto, bem como adaptar ou ajustar. Sempre com foco no que o cliente quer e faz. Um livro essencial para empreendedores e gestores. “A Estratégia Oceano Azul” é livro impactante para quem é empreendedor. Apresenta-nos sistemas para tornar irrelevante a concorrência e ferramentas para que qualquer organização possa encontrar os seus oceanos azuis.

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