As mulheres têm até 50% menos probabilidades de estar conectadas à Internet do que os homens, revela o relatório Inclusive Future da Cisco que analisa o fosso digital e propõe ações para superar as barreiras existentes no acesso à Internet.

No seu relatório The Role of Technology in Powering an Inclusive Future, a Cisco revela como a conectividade determina as oportunidades sociais e económicas. Os países com preparação digital escassa sofrem desigualdades que lhes limitam a riqueza, o acesso à educação, o sistema de saúde e outros serviços públicos, para além das oportunidades laborais.

Para superar este fosso digital e criar um futuro mais inclusivo, o relatório assinala três barreiras principais a ultrapassar: conectividade; acesso económico e competências digitais. Ainda que o acesso à Internet seja considerado uma necessidade básica, apenas 35% dos países em desenvolvimento possui acesso generalizado à rede, contra 80% dos países desenvolvidos. Da mesma forma, as mulheres têm até 50% menos probabilidades de estar conectadas à Internet do que os homens e 87,5% do conteúdo online está disponível apenas num em cada dez idiomas.

Mas a conectividade não significa acesso imediato, garante a Cisco. A ONU define “Internet acessível” como um custo de 2% sobre as receitas mensais de uma conexão de dados de 1 Gigabyte. Ainda assim, a maioria da população não conectada vive na pobreza e não pode pagar esse valor.

Ausência de competências digitais
Muitas das pessoas não conectadas também não sabem utilizar os dispositivos digitais, as aplicações de comunicação e as redes. Ainda que 90% dos postos de trabalho já exijam competências digitais básicas, 23% dos adultos em todo o mundo ainda não sabe ler nem escrever em formato digital, um analfabetismo que é, de resto, quatro vezes mais provável nas mulheres do que nos homens.

“A pandemia mundial pôs em evidência, mais do que nunca, que ainda existe um caminho a percorrer para ultrapassarmos as lacunas digitais existentes a nível social e empresarial”, comentou Miguel Almeida, diretor Geral da Cisco Portugal, acrescentando que “as empresas, os governos e a sociedade em geral têm a obrigação moral de eliminar, o quanto antes, as barreiras à digitalização”

Na nota informativa enviada pela Cisco, a empresa dá ainda conta das suas iniciativas para promover a inclusão digital, tais como o seu programa CDA que está a ser desenvolvido em mais de 30 países, incluindo Portugal, para acelerar os respetivos processos de transformação digital e a iniciativa sem fins lucrativos NetAcad que já prestou formação sobre tecnologias digitais a 11 milhões de estudantes em 180 países.

A empresa também colabora com os projetos Google Station e Express Wi-Fi do Facebook, para alargar a conectividade a mais de mil milhões de pessoas em áreas remotas. Tendo em conta a atual crise do coronavírus, destinou também 225 milhões de dólares para apoiar sistemas de saúde, educação, resposta dos governos e tecnologia essencial.

O objetivo da Cisco com estas e outras iniciativas de RSC é ter um impacto positivo em mil milhões de pessoas até 2025. Até ao momento, quase 500 milhões de pessoas já beneficiaram de diversas ações da Cisco, incluindo educação/formação, donativos, voluntariado e cuidados de emergência no seguimento de desastres naturais ou conflitos bélicos.

 

 

 

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