“Helping your business grow faster” é o mote de atuação da Noesis, um player de referência na implementação de soluções tecnológicas que no ano passado reforçou a sua ambição internacional com a integração no Grupo Altia. José Gomes, IT Operations, Cloud & Security Associate Director, explicou ao Link To Leaders os desafios que a tecnologia cloud está a  colocar às empresas e como estas podem tirar o melhor partido possível da transformação digital.

Instalada no mercado deste 1995 a Noesis assume-se como uma consultora de inovação tecnológica que oferece serviços de TI e tecnologia de ponta para acelerar a transformação digital dos negócios e apoiar as organizações a transformarem os seus processos e a tornarem-se mais competitivas. Baseia a sua atividade num portefólio de serviços end to end, com nove áreas de negócio, e tem uma visão empresarial que também passa pela internacionalização e pelos escritórios que possui na Holanda, Irlanda, Estados Unidos e Brasil, a par de Portugal.

Em entrevista ao Link To Leaders, José Gomes, IT Operations, Cloud & Security Associate Director na Noesis, falou não só dos projetos da empresa, mas também da forma como a pandemia mexeu com a transformação digital das empresas e do papel da cloud nesse processo de transformação.

Em poucos meses assistimos a um salto tecnológico gigante, alicerçado na incorporação de novas capacidades tecnológicas e no desenvolvimento de estratégias cloud. Quais são os novos desafios que a cloud coloca às empresas?
Devido ao “efeito Covid-19”, 2020 foi um ano em que a generalidade das organizações entrou em modo de sobrevivência e de reinvenção da forma como trabalham, das suas ofertas, dos seus modelos de negócio e da forma como chegam aos seus clientes finais. Esta hiper-aceleração da digitalização da economia trouxe também novos desafios. O crescente desenvolvimento de ambientes multicloud resultou na ampliação da cyber exposição e no aumento dos pontos de falha e vulnerabilidades das redes e ambientes, que os cyber-attackers têm sido rápidos a explorar sob as mais variadas formas. Assim, é fundamental que as organizações se voltem a focar na arquitetura de segurança, e esse é, porventura, o principal desafio que atualmente se coloca às empresas.

“(…) a janela de oportunidade (para os atacantes) criada com a migração massiva para o teletrabalho e que originou uma vaga [de ataques]sem precedentes”.

A pressão sobre os líderes está também a aumentar para que se invista e adote tecnologia cloud. Estão as empresas preocupadas com a segurança e a conformidade que o serviço impõe?
Sim, é um facto que a rápida adoção da cloud aumentou significativamente a complexidade das infraestruturas e essa complexidade e heterogeneidade veio para ficar. Daí ser fundamental garantir que as organizações têm uma visão holística de toda a sua arquitetura e infraestrutura de IT – automação, integração e observabilidade end-to-end são requisitos chave a implementar para garantirmos uma gestão eficiente.

Claramente, estamos a falar de novos paradigmas e a jornada para a cloud, nas suas diferentes configurações, está repleta de desafios, sendo o relativo à segurança um dos que mais preocupa os CIO’s das nossas organizações. Não se trata apenas dos ambientes estarem mais complexos – nas arquiteturas híbridas de IT com on prem, clouds privadas e clouds públicas – trata-se também do que vemos hoje em termos de ameaças. Por um lado, a janela de oportunidade (para os atacantes) criada com a migração massiva para o teletrabalho e que originou uma vaga sem precedentes. Nunca se sofreram tantos ataques como agora. Por outro lado, a própria sofisticação dos criminosos com a emergência de ataques recorrendo a soluções de inteligência artificial e ataques machine to machine, por exemplo.

Quais são as principais motivações que levam as empresas a migrarem para a cloud nos dias de hoje?
A cloud permite disponibilizar aplicações mais rapidamente, e esse é um dos principais drivers de motivação na jornada para a cloud, na medida em que permite maior agilidade e a capacidade de reduzir o time-to-market. Atualmente, a cloud já não é apenas uma ferramenta de armazenamento: passa a ser um ambiente computacional com enormes benefícios para todos os intervenientes. A Computação na Cloud veio revolucionar o mercado, possibilitando um novo modelo de negócios em que praticamente tudo o que antes era vendido como produto passa a ser oferecido como serviço.

Atualmente, já não é apenas o SaaS (Software as a service), que tem vindo a ganhar força, as ideias de XaaS ou EaaS (Everything as a Service) também cresceram muito nos últimos anos. O SaaS, tem sido uma tendência bastante forte no mercado empresarial, no qual pretende oferecer software como um serviço para melhorar a eficiência e reduzir custos. As aplicações são oferecidas num modelo de assinatura e operam na cloud, ao invés de serem instalados num servidor interno.

Desta forma, as vantagens relativamente a esta solução são várias, desde logo, em termos de eficiência de custos. Por outro lado, este é um modelo muito mais prático e acessível, dado que o SaaS pode ser operado a partir de qualquer dispositivo com acesso à internet.

De que forma as PME e start-ups se podem preparar para este boom da Cloud?
O mundo corporativo está a mudar rapidamente, os consumidores estão mais exigentes e a tecnologia necessita, urgentemente, de acompanhar este ritmo. Neste sentido, as soluções “as a service”, que referi anteriormente, irão ganhar cada vez maior relevo e irão transformar, de forma ainda mais profunda os modelos de negócios existentes.

Atualmente, já é possível fazer uso de software, de infraestrutura e de plataformas inteiras na Cloud, de forma que todos os elementos de uma empresa possam ser virtuais, eliminando assim a necessidade de uma infraestrutura física local (on-prem). O crescimento do SaaS, assim como a sua evolução para novos modelos de negócio, nomeadamente: EaaS ou XaaS, sintetizam a tendência mundial de transformar produtos de qualquer natureza em serviços, por subscrição, que podem ser oferecidos de forma personalizada e sob medida para cada cliente, valorizando o relacionamento, o suporte técnico e as atualizações constantes.

Este modelo confere enormes vantagens para qualquer organização, mas em especial para PME e start-ups que, desta forma, podem aceder, por exemplo, a software que, de outra forma, não conseguiriam. Esta infraestrutura partilhada, providenciada pela cloud, possibilita tornar os processos mais eficientes e produtivos e permite ainda a redução de custos, ao diminuir a necessidade de investimento em equipamentos caros, em mão de obra especializada ou, até mesmo, em licenças de valor elevado.

“A transformação digital é transversal e a cloud é um alicerce fundamental dessa transformação”.

Quais os setores que estão mais dependentes da cloud hoje e no futuro?
Todos os setores de atividade estão, hoje em dia, expostos a esta hiperacelerarão tecnológica e à necessidade de transformarem os seus modelos de negócio e de se reinventarem na forma como desenvolvem a sua atividade. A transformação digital é transversal e a Cloud é um alicerce fundamental dessa transformação. Se pensarmos no setor industrial, onde a IoT e a automação são determinantes para aumentar competitividade; no setor financeiro, onde as fintech vieram revolucionar a forma como os clientes interagem com instituições bancárias ou produtos financeiros; no setor do retalho, onde a analítica é cada vez mais importante, com cada vez mais dados captados do consumidor e com uma cada vez maior necessidade de trabalhar esses dados tempo real, transformando-os em informação relevante para a tomada de decisão nas organizações; na saúde, onde os avanços tecnológicos em matéria de inteligência artificial são cada vez mais determinantes para a deteção precoce de doenças, por exemplo, facilmente constatamos que a cloud é determinante em todos esses processos.

O crescimento do mercado de cloud será superior a 30% entre 2021 e 2025, segundo um estudo publicado pela Deloitte Global. Conseguirão as empresas portuguesas explorar novas formas de criar valor na cloud? Como perspetiva o setor?
Sem dúvida. As organizações, incluindo as que operavam em modelos mais tradicionais, têm dado provas de resiliência e de se conseguirem adaptar a novos paradigmas concorrenciais, sob pena de não prevalecerem num mercado cada vez mais global, competitivo e digital. As empresas portuguesas não fogem à regra. Penso que já todos perceberam que a digitalização do negócio e a incorporação de tecnologias inteligentes nas cadeias de valor representa uma oportunidade única para as organizações (de todas as dimensões e setores de atividade) ganharem vantagem competitiva num mercado em constante disrupção.

Neste contexto de maior heterogeneidade e complexidade na coabitação de ambientes On-prem, Clouds privadas e Cloud públicas como forma de criação otimizada de valor, o papel do IT é fundamental e cabe-lhe garantir que todo o ecossistema tecnológico responde de forma adequada nas dimensões de disponibilidade, performance, resiliência, agilidade e segurança. Assim, é de esperar que o setor não só se capacite de soluções cloud cada vez mais inovadoras e disruptoras (nas suas mais variadas configurações), mas também que invista em disponibilizar soluções avançadas de segurança, monitorização avançada, observabilidade e automação que auxiliem os gestores de IT a incorporar de forma sustentada e integrada as soluções mais sofisticadas de gestão do seu parque tecnológico.

“(…) há ainda muito trabalho a fazer no sentido de ajudar as empresas a prosseguirem a implementação do seu roadmap tecnológico (…)”.

Com a pandemia a levar mais empresas para a cloud, conseguiram os fornecedores de cloud ter a oportunidade de capitalizar o aumento da sua utilização?
Já vimos que no esforço pela sobrevivência, a reinvenção do negócio, a rápida transição para o trabalho remoto e o foco em servir os clientes pelos canais digitais, resultou a incorporação de múltiplas soluções cloud como forma de acelerar a incorporação de inovação, acelerar o time-to-market. Esse primeiro movimento, mais ou menos desordenado, ajudou a quebrar algumas barreiras e dúvidas que ainda pudessem subsistir em relação à adoção de modelos cloud. Portanto, diria que o mais difícil está feito.

Numa primeira fase, é preciso provar que o aumento da utilização da cloud não deve ser encarado como uma medida conjetural devido à pandemia, mas antes como fazendo parte de uma estratégia estrutural e sustentada de longo prazo. Mas a cloud pode trazer ainda mais valor, como a flexibilidade e escalabilidade, a melhoria da eficiência operacional e estratégias de investimento otimizadas. Portanto, há ainda muito trabalho a fazer no sentido de ajudar as empresas a prosseguirem a implementação do seu roadmap tecnológico assente nas ofertas cloud disponíveis, demonstrando o valor que conseguem aportar ao negócio.

A estratégia da Noesis está focada na cloud. Este caminho já vinha sendo seguido antes da pandemia ou o contexto atual obrigou a repensar esta estratégia?
O tema da cloud e a chamada journey to cloud é um tema endereçado pelo mercado já há alguns anos e na Noesis há muito que prestamos serviços nesta área e suportamos os nossos clientes nessa jornada. Nos últimos anos, temos abordado o tema da Hybrid Cloud, enquanto visão e proposta de adoção para os nossos clientes. No fundo, a necessidade de criar uma arquitetura de sistemas híbrida nas organizações, que permita gerir e estender de forma dinâmica a sua infraestrutura, plataformas e aplicações, à medida das necessidades, utilizando para tal todos os recursos ao dispor – Cloud Privada, Pública, e até o Edge Computing.

É este o Hybrid Cloud Mindset, que tem sido a proposta de valor da Noesis nos últimos anos, apoiando os clientes a criar uma infraestrutura escalável, por forma a que seja possível dar resposta rápida ao que inevitavelmente é imprevisível. Hoje em dia, sem plataformas colaborativas, sem contínuo acesso aos dados, e sem a capacidade elástica e dinâmica de alocação de recursos, as organizações já não colocam em causa apenas a sua eficiência, mas sim, o seu próprio negócio.

Que conselhos dá para que os fornecedores possam aproveitar ao máximo o avanço da cloud no mercado?
A cloud, como qualquer outra tecnologia desenvolvida, existe com um propósito: o de resolver problemas de negócio das organizações. O melhor conselho que posso dar é que coloquem o cliente em primeiro lugar, isto é, devem focar-se em entender que soluções e serviços cloud melhor respondem aos problemas concretos das organizações. Os cloud providers devem procurar desenvolver estratégias de parceria sustentadas em relações duradoras e de confiança com os seus clientes, prestando serviços que visem ajudar o IT a encontrar a melhor estratégia de adoção de capacidades cloud, quer em função da análise do meio envolvente (mercado, concorrentes, reguladores, etc.), quer em função das especificidades e requisitos intrínsecos a cada organização e que condicionam o desenvolvimento do negócio.

Considera que as tecnologias baseadas em cloud podem tornar-se na solução dominante em todos os tipos de negócios num futuro próximo?
Sem dúvida. O movimento da transformação digital a que se tem assistido nos últimos anos foi, em grande parte, possível graças à cloud. Os novos modelos de negócio, o surgimento de novos players em diferentes setores de atividade que são nativamente digitais e que vieram provocar essa disrupção no mercado, têm os seus modelos de negócio baseados na cloud. Basta pensar nas fintechs, por exemplo, ou em outros exemplos na distribuição, transportes, retalho, restauração, plataformas de streaming, entre tantos outros.
Evoluímos cada vez mais para modelos de negócio XaaS – Everything as a service – e essa lógica, de serviço e de subscrição, só é possível graças à cloud. Também na componente da analítica, da IA ou Machine Learning, entre tantas outras áreas, é a computação na cloud que possibilita essa inovação e a agilidade e escalabilidade desses modelos.

Quais as tendências da cloud em 2021?
Há um conjunto de tendências que revelam, não só, o crescimento exponencial da adoção de tecnologias cloud, como também dos desafios inerentes a esse facto. Gostaria de destacar três, a começar pelo crescimento de estratégias híbridas, devido a estratégias de investimento otimizadas, acesso a inovação tecnológica, speed-to-market e eficiência operacional leva a um número crescente de empresas que apostam em dividir os seus workloads entre ambientes on-prem, clouds privadas e cloud públicas.

Depois o foco em segurança. Por via da digitalização do negócio e pela incorporação de soluções de múltiplos providers, os últimos anos foram marcados pelo crescimento exponencial dos ciberataques devido ao aumento da cyber-exposição. 2021 é um ano em que as organizações devem dar um passo atrás no sentido de avaliarem o seu ecossistema de IT e procurarem capacitar-se de forma estruturada com tecnologias e serviços de ponta que lhes permitam salvaguardarem-se contra uma maior cyber-exposição e ameaças internas.

Por último, a observabilidade, monitorização e automação. As plataformas cloud continuarão a desenvolver soluções sofisticadas de gestão automatizada da cloud à medida que a complexidade da gestão de ecossistemas complexos aumenta, tanto da quantidade como da qualidade dos serviços interligados entre aplicações.

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