Venho partilhar convosco algumas ideias partilhadas por Rui Pedro Silva, responsável tecnológico da Maersk, recentemente distinguido como melhor líder tecnológico da Europa,  nos prémios European CIO of the Year (ECOTY).

Pode parecer simples, mas na realidade alguns do pontos que Rui Pedro Silva refere são realmente a chave para o sucesso de uma equipa, departamento ou empresa. A chave está no descomplicar e o Rui sabe-o fazer de uma forma sublime. É um exemplo e deve ser partilhado. O Rui tem sido associado à questão da transformação no IT, mas eu gostaria de realçar alguns aspetos na liderança do Rui, que podem ser aplicados noutras áreas e noutros contextos.

Competência

É impossível alcançar qualquer tipo de sucesso sem competência. E não podemos negar que existem bons e maus profissionais em qualquer organização. Uma vez mais, é importante realçar que temos de contratar profissionais competentes e (re)construir uma equipa capaz, o que nos leva por vezes a ter que tomar decisões difíceis

Empatia e Confiança

A empatia permite-nos criar uma equipa forte, concisa, e sendo o mais transparentes possível, é criada uma forte relação entre elementos da equipa. Por outro lado, a confiança faz-nos defender os nossos profissionais e acreditar que estão a dar o máximo, dando o benefício da dúvida. Com esta combinação de valores o resultado do nosso trabalho vai melhorando dia após dia.

Pessoas certas no sítio certo

É simples. Não escolher profissionais sem capacidade de liderança em posições de chefia, e colocar líderes em pontos fulcrais no negócio. Já uma vez o disse e volto a repetir. Um líder no lugar certo forma novos líderes. O Rui refere também que este processo de seleção, levando as pessoas a abraçarem o desafio com compromisso, é um dos processos mais difíceis de implementar na organização. Não podemos negar que existem profissionais com melhor desempenho que outros, mas muitas das vezes, são simplesmente profissionais que não estão a desempenhar o melhor que sabem fazer. A solução passa, nalguns casos, pela reconversão de profissionais.

Contratar aqueles que fazem falta, e não aqueles que gostamos

Se há situações em que contratamos profissionais por serem nossos conhecidos, só o devemos fazer se reconhecermos a sua competência profissional. Mais ainda, não somos obrigados a ter uma relação pessoal com colegas de trabalho, e mesmo não existindo empatia, um bom profissional sabe distinguir o seu trabalho de tudo o resto.

Se querem trabalhar connosco, estão comprometidos

Compromisso. É das palavras mais fortes que costumo utilizar no contexto empresarial. Liderança exige compromisso. Com aqueles que guiamos, mas também connosco próprios e com quem aposta em nós. Se houver compromisso as coisas acabam por avançar e acontecer.

“A Job is just a job, but needs to be done right”

Sermos úteis naquilo que realmente sabemos fazer. Creio que todos nós sabemos aquilo em que realmente somos bons, e que nem todos “salvam vidas” nem trabalham para um mundo melhor. Mas se sabemos fazer algo bem feito, é nisso que devemos apostar. Mais ainda, é nisso que devem apostar em nós. Rapidamente seremos reconhecidos pelo nosso trabalho, e como o fazemos tão bem, nem daremos pelo tempo passar!

“If you are happy, you are one step closer to being successful”                                          

Trabalhar naquilo que gostamos dá-nos uma força interior indescritível. Acredito muito nesta máxima. Portanto, se contratarmos as pessoas certas, que fazem aquilo que gostam, estamos a um passo de construir uma equipa capaz, mas sobretudo feliz e satisfeita com o seu trabalho.

Felizmente já me foi dada a liberdade para aplicar muitos destes princípios numa equipa construída de raiz. Correu bem. Aliás, correu muitíssimo bem. Posso-vos dizer que foi simples, pois consegui pessoas felizes, profissionais, e ninguém tinha de ser amigo de ninguém. Acima de tudo havia profissionalismo e isso foi notável para todos. Dentro da organização, mas sobretudo com clientes. Sinto que todos cresceram e se tornaram melhores profissionais, e esta é a prova que podemos aplicar alguns dos princípios acima descritos, pois podem parecer simples, mas por vezes a chave está na simplicidade.

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Sobre o autor

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Ricardo Lima Neves é responsável da equipa de IT Service Management & Automation da área de Engenharia do Cliente (B2B) na Altice e também IT Service Management Advisor na Winprovit. Ricardo é mestre de Engenharia Informática pela Universidade Nova de... Ler Mais