Opinião
Um impulso para o papel da Mulher na economia portuguesa
Num país em que mais de metade da população é constituída por mulheres, muitas delas com um elevado grau de qualificação, não é aceitável que haja pouco incentivo ao seu desenvolvimento, para garantir a igualdade de género.
Neste contexto, está na altura de refletir sobre os bloqueios estruturais que persistem e as soluções que os podem mitigar. De acordo com o relatório da Pordata para o Dia da Mulher de 2025, apenas 17% dos cargos de liderança em Portugal são ocupados por mulheres, o que pressupõe uma sociedade que continua a subestimar o potencial feminino. O acesso aos lugares de decisão permanece limitado, apesar do talento, da formação e da ambição das profissionais.
Na área do empreendedorismo, um outro estudo para celebrar a mesma data, desta vez da Mastercard, concluiu que mais de metade das mulheres portuguesas (57%) pretendem abrir o seu próprio negócio, colocando Portugal no topo da Europa em espírito empreendedor feminino. Por isso, motivação não falta, o que falta é um apoio adequado e eficaz.
De acordo com este estudo, o principal desafio das mulheres ao iniciar um novo negócio é a falta de dinheiro para investir (57%) e, quando mais de metade das mulheres admitem dificuldades em aceder a financiamento, o problema não é individual, mas estrutural. Os fundos públicos de apoio à inovação e ao risco, destinados a start-ups, continuam a dirigir os investimentos a equipas exclusivamente fundadas por homens, um erro que custa oportunidades.
Há, ainda, um outro fenómeno que me inquieta profundamente. Assiste-se a um crescimento alarmante de discursos de ódio, misoginia e desinformação entre as gerações mais jovens — particularmente na Geração Z e Alpha, a geração das minhas filhas. Isto obriga-nos a parar e a perguntar: o que aconteceu? Como é que, num mundo com mais acesso à informação do que nunca, são reforçadas narrativas que colocam mulheres e homens em campos opostos? Parte da resposta poderá estar numa perceção distorcida do significado de feminismo.
O feminismo nunca foi, nem é, um movimento de supremacia feminina. É, na sua essência, um movimento pela igualdade de direitos, oportunidades e respeito entre mulheres e homens. Quando esta definição é manipulada ou reduzida a caricaturas ideológicas, cria-se resistência onde deveria existir colaboração. Talvez a minha geração tenha falhado em comunicar isto com clareza. Talvez tenhamos assumido que certas conquistas eram irreversíveis. Mas a história mostra-nos que nenhum avanço é permanente se não for continuamente defendido, explicado e exemplificado.
O Dia da Mulher não deve ser apenas uma celebração. Deve ser um momento de reflexão sobre o que já conquistámos, sobre o que ainda falta fazer e, sobretudo, sobre o tipo de sociedade que queremos deixar às próximas gerações. Como mãe, empreendedora e mulher, acredito que o futuro não se constrói com confronto, mas com responsabilidade partilhada. A igualdade não é uma ameaça, mas sim uma oportunidade coletiva para sermos melhores.








