Depois do investimento do Softbank a Uber poderá ter perdido o título de start-up mais valiosa do mundo.

O gigante tecnológico Softbank está alegadamente pronto para comprar uma fatia significativa da Uber. Quem o noticia é o Wall Street Journal, que conta que investidores e empregados da start-up colocaram cerca de 20% das ações da Uber à venda.

O desejado investimento, que está a ser falado desde outubro, poderá trazer perto de 8,4 mil milhões de euros à Uber. Segundo o jornal norte-americano, a tecnológica nipónica vai arrecadar 15% do controlo da empresa.

O que poderia ser uma boa notícia para a start-up de mobilidade transformou-se em algo mau. Isto porque – alegadamente – os investidores e empregados da empresa vão vender as respetivas partes da start-up com um desconto de 30%. O que poderá traduzir-se numa avaliação de pouco mais de 40 mil milhões de euros. Uma avaliação que é inferior, em cerca de um terço, aos cerca de 60 mil milhões que a empresa valia no último investimento que recebeu, em julho de 2016.

Apesar de parte do investimento, de 840 milhões de euros, por parte do Softbank ser feito com a avaliação de 2016, é notório que os investidores não estão dispostos a pagar este valor pela start-up. A própria empresa nipónica recusou-se a avaliar a Uber nesse valor. Em novembro, altura em que a Uber trouxe a público que ia receber um investimento da tecnológica japonesa, o potencial investidor explicou, em comunicado, que havia apenas um acordo verbal e que se as condições de investimento não fossem satisfatórias havia a possibilidade da oferta ser retirada.

A potencial avaliação de pouco mais de 40 mil milhões de euros poderá retirar o título de “start-up mais valiosa do mundo” à Uber. Se a avaliação vier a confirmar-se, o primeiro lugar do pódio poderá agora pertencer à chinesa Didi Chuxing, a start-up a que a Uber vendeu as suas operações, no verão de 2016, e que tem uma avaliação de cerca de 47 mil milhões de euros.

O ano que está prestes a terminar foi complicado para a Uber. O facto de ser proibida de atuar em vários países, de ter mostrado uma cultura tóxica, de ter alegadamente roubado informação a competidores e de ter admitido que pagou a hackers para estes não revelarem os dados que roubaram da start-up, são apenas alguns exemplos das dificuldades que a Uber passou.

Numa última análise, a falta de regulação poderá mesmo vir a matar aquela que foi um dos primeiros unicórnios a aparecer.

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