Mas ainda agora nasceu, já está em vias de extinção? Pois é … Quando pensamos na Uber, pensamos numa empresa recente (10 anos desde a sua fundação) que criou uma das mais recentes profissões do mundo: o motorista Uber.

A realidade da Transformação Digital, e das suas tecnologias disruptivas, é que a velocidade é tal que até o motorista da Uber já se tornou numa profissão em vias de extinção!

Porquê? Pelas mesmas razões pelas quais a sua profissão nasceu: a tecnologia!

O crescimento e a maturidade de tecnologias como a inteligência artificial e robotização já não é futurologia. É uma realidade! A introdução rápida de novas tecnologias no quotidiano do mercado está a colocar cada vez maior pressão na agilidade e eficiência das organizações. O motorista Uber, tal como hoje o conhecemos, está já em fase de início da sua potencial extinção, pois os carros autónomos estarão muito em breve a passar por nós, no nosso dia a dia. Qualquer dia, e até ser normal do dia a dia, assustar-nos-emos a passar numa passadeira e olharmos para o lugar do condutor e … não vemos ninguém ao volante! É por isso que os motoristas Uber vão deixar de ser precisos!

Elon Musk, o CEO da Tesla, anunciou há dias que pretende, em 2020, lançar uma frota de veículos de transporte de passageiros sem condutor. A Uber está já a testar em situações reais estes cenários… A Google e muitos outros já andam em maturação bastante avançada destas mudanças tecnológicas. Até em Portugal já foram iniciados alguns testes. A legislação está já a ser trabalhada para acomodar estes novos desafios da evolução tecnológica e de otimização de procedimentos com as pessoas e as empresas.

Esta “aceleração” tecnológica tem obviamente cada vez mais impactos na dinâmica empresarial e na necessidade de adaptabilidade interna das equipas e dos processos. Os desafios estratégicos e operacionais de gestão das empresas são cada vez maiores, pois estas terão de compreender como introduzir melhores práticas aplicadas ao mundo tecnológico, como conceitos DevOps (modelos de desenvolvimento incremental e de operação contínua), para conseguirem ganhar vantagens competitivas, para além da normal sobrevivência.

Este contexto de “aceleração” tem também grandes desafios para as pessoas. Se já há alguns anos reconhecíamos que o conceito de “Emprego para a vida” havia desaparecido, agora o conceito “Aprendizagem contínua e adaptável” é essencial, isto é, o eterno desafio entre o especialista e o polivalente tenderá provavelmente para o polivalente, isto é, para o adaptável. A dimensão do mercado de especialistas será mais reduzida, sendo ocupada pelos “Ronaldos” da especialidade e com riscos da própria especialidade/necessidade também desaparecer facilmente.

É, neste contexto, que entra o enquadramento da própria educação das nossas crianças e na forma como devem ser preparados para a criatividade, para a natureza e para a tecnologia. Mas … isso será para um próximo artigo.

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Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais