O COVID-19 mudou a nossa vida cotidiana a vários níveis e um dos maiores desafios será trabalhar a partir de casa…com as crianças por perto.

Não falta literatura para otimizar o trabalho de forma remota, mas, quando incluímos a variável “crianças” na equação, o caso muda de figura.

Uma vez que eu próprio estou com esse desafio nas mãos, resolvi partilhar algumas das boas práticas que temos implementado cá em casa e que têm surtido efeito. Tal como nós, as crianças estão em casa, mas não de férias, por isso é importante que estes dias não sejam perdidos em termos de estudos.

Começámos por fazer uma espécie de enquadramento da situação. Reunimos a família, explicámos o tema e os possíveis impactos. Os miúdos fizeram inúmeras perguntas e mostraram muitos receios quanto ao futuro. Foi essencial explicar a importância do isolamento e, apesar de não termos certezas, garantimos que serão apenas alguns dias. Como ficam agitadas pelo que é noticiado nos media, evitamos que os vejam, mas todos os dias fazemos um ponto de situação do que se está a passar.

Sabemos que os rituais ajudam a criança a organizar-se e a trabalhar melhor.

Criámos, com a participação de todos, um horário e um conjunto de regras. Fizemos uma programação completa, de manhã à noite, com tempos para estudar, pausas para comer, para brincar, etc.

Para os mais novos, 11 e 8 anos, reservámos algum tempo para os apoiar nos estudos (uma hora de manhã e uma hora à tarde). Definimos o local dedicado ao estudo (por exemplo, uma mesa no quarto ou a mesa da cozinha), e cada um fica no seu espaço. Adicionalmente, definimos também em conjunto algumas regras básicas:

De manhã, à hora definida, tinham de estar no local de estudo, com os dentes e mãos lavadas, o pequeno almoço tomado e vestidos como se fossem para a escola;
Também foi muito importante definir que não são permitidas quaisquer interrupções;
O barulho, tal como durante as aulas, não é permitido;
Não é permitida a utilização de telemóveis, tablets, PS4, computadores, etc. durante o horário de estudos.

Com base nestas necessidades e nas regras impostas, este é o horário cá de casa:

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas:

1) Colocámos um tablet no corredor para simular o toque da escola, isto ajuda a que não estejam sempre a olhar para relógios e telemóveis para saber as horas;
2) Estudos – Todos estudam no liceu Francês e recebem diariamente os trabalhos dos professores, que têm sido fantásticos;
3) A caminhada – é possível porque nenhum tem sintomas e vivemos perto do Parque do Monsanto, mas é feita respeitando todas medidas de proteção – lavar mãos, não tocar na boca, nariz e olhos e mantendo uma distância social de segurança (2 metros);
4) Brincar – Há um puzzle na sala, legos, jogos de tabuleiros, mas os eletrónicos nesta altura são os mais utilizados;
5) Jantar – cada um tem um dia para escolher o que quer comer, sendo que não é obrigatório participarem na confeção, mas têm de colocar e levantar a mesa. Durante o jantar aproveitamos o momento para saber o que correu bem, o que pode melhorar e as contribuições deles têm sido fantásticas;
6) O espetáculo é da responsabilidade de cada um organizar e, no final do dia, apresentar. Temos tido bons espetáculos de magia e vídeos de produção caseira incríveis;
7) No fim de semana não há estudos.

Com estas medidas implementadas, as brigas, as “birras” e as queixinhas continuam a existir, mas acreditamos que em menor número e tentamos que se resolvam de imediato.

A escola encerrou no dia 10 de março, pelo que já vivemos esta experiência há uma semana e temos encarado a situação como uma oportunidade para estarmos todos juntos a realizar atividades em conjunto.

De uma coisa tenho certeza: ninguém irá esquecer estes dias e espero que as memórias destes momentos sejam pelos bons motivos.

Juntos, em família, iremos ultrapassar a pandemia.

*Nelson Teodoro, casado e pai de três crianças, Sara 13, Gustavo 11 e Henrique 8

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Nelson Teodoro é diretor de marketing da Novabase. Tem como principal desafio apoiar os negócios da empresa na criação de uma oferta e de uma marca global. Antes de abraçar este desafio, o gestor esteve à frente das operações da... Ler Mais