Conheça as start-ups portuguesas apoiadas pelo programa Ativar Portugal da Microsoft que atuam no setor do turismo e que têm melhorado a estadia dos turistas, e ajudado a economia portuguesa a crescer.

Na última década, as receitas vindas do turismo quase duplicaram. Em 2016, Portugal arrecadou 12,6 mil milhões de euros através do turismo. Quando comparado com 2006, o valor aumentou mais de seis mil milhões. Atualmente, este setor representa 6,9% do produto interno bruto (PIB). Por isso, não é de admirar que cada vez mais empresas queiram o seu “share” neste mercado.

Mas há mais. Para discutir e desenvolver ideias inovadoras para o setor, foi inaugurado recentemente o centro de apoio a start-ups do turismo. O Centro de Inovação do Turismo visa transformar Portugal num “hub global de inovação e desenvolvimento digital”, afirmou a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.

Com tantas boas notícias à volta da indústria do turismo, não podíamos deixar de celebrar a dinâmica do setor em Portugal. Para tal, reunimos as start-ups portuguesas ligadas à indústria do Turismo abrangidas pelo programa Ativar Portugal da Microsoft. Vamos conhecê-las?

B-Guest

“Antes de 2014, tivemos que realizar muitas viagens em termos profissionais, ficámos muitas vezes hospedados em hotéis e sentimos na pele a ‘dor’ que nos levou a iniciar a B-Guest”, José Vieira Marques, fundador.

Depois de realizar muitas viagens, os fundadores da B-Guest aperceberam-se que a forma de comunicação dos hotéis era a mesma de há 30 anos.

Criado no início de 2014, o serviço que a B-Guest disponibiliza, visa facilitar e melhorar a estadia dos clientes nos hotéis. Baseado nas longas filas de espera para fazer check-in/out, na dificuldade de pedir serviço de quartos por os funcionários não saberem falar inglês, esta start-up conseguiu convencer três cadeias de hotelaria a apostarem no seu produto, com uma simples apresentação PowerPoint.

Meses depois de arrancar oficialmente, o projeto B-Guest foi selecionado, entre mais de 400 de todo o mundo, para fazer parte de um programa de aceleração de três meses na Lisbon Challenge. Este programa, promovido pela Beta-I, condecorou a B-Guest com o segundo lugar.

Esta start-up que espera conseguir atingir o ponto de equilíbrio financeiro até ao final do ano, procura agora levantar uma nova ronda de investimento no início de 2018, com o intuito de acelerar a entrada em novos mercados, aumentar a equipa e acelerar o desenvolvimento do seu produto. Em termos territoriais, a B-Guest espera crescer e cimentar a sua posição em Portugal e no Brasil, onde abriram recentemente um escritório, e querem também dar os primeiros passos em Espanha e nos Emirados Árabes Unidos.

CityGuru

Como emigrante de muitos anos e viajante por necessidade profissional, sempre achei difícil encontrar alguém local que me pudesse mostrar os locais para onde viajava”, João Moedas, fundador.

Já presente em Lisboa, Porto e Amesterdão, a aplicação TheCityGuru começou com a dificuldade de encontrar um cidadão local que pudesse mostrar a sua cidade a um turista, sem ter de haver agendamento prévio ou dinheiro adiantado.

Esta start-up tem agora como objetivos a expansão para além de Portugal e Holanda e aceitar um convite que receberam para se mudarem para Munique, na Alemanha.

GuestU

O objetivo é sermos os líderes ibéricos neste ano e líderes a nível europeu em 2018”, Euclides Major, cofundador e CEO.

Focados em melhorar a forma como os turistas exploram a cidade, a GuestU criou o GuestU Phone, um telemóvel que contém informações sobre o local que o turista está a visitar com internet e chamadas gratuitas, e ainda uma interface que permite controlar toda a experiência no hotel.

Tendo começado a trabalhar juntos em 2007, os fundadores da atual GuestU começaram por lançar em Portugal a GoCar Tours, uma empresa que hoje explora mais de 10 marcas de animação turística.

Um produto que veio a ser alterado ao longo do tempo, o GuestU Phone só foi oficialmente lançado no início deste ano e já está presente em quase mil quartos. O objetivo da start-up passa por crescer este número rapidamente e ser líder ibérico neste ano e europeu no próximo.

Inviita

“Para além dos desafios tecnológicos temos sentido que a nossa criatividade tem de superar os orçamentos de grandes empresas”, Bernardo Véstia, cofundador.

Lançada em outubro de 2015, a Inviita é uma aplicação mobile que funciona como um guia personalizado. Ajuda turistas e locais a descobrirem a cidade, de acordo com a sua disposição.

Considerada pela Apple a “Best New App” após o seu lançamento, a Inviita permite ao utilizador criar listas com os lugares de que mais gosta e partilhá-la com os amigos.

Num futuro próximo, querem apostar mais na versão “web” da aplicação e dar mais ênfase à vertente business-to-business. Neste último, querem criar soluções para grupos hoteleiros e outras entidades ligadas ao turismo, como foi o caso do Hotel Pestana CR7.

JiTT – Just in Time Tourist

“A aplicação e o storytelling que se pode encontrar lá dentro, já valeu uma nomeação pela Organização Mundial de Turismo”, Cristina Baptista, Business Development Manager.

Criada por quatro historiadores da Universidade de Coimbra, a JiTT é uma aplicação para “smartphone” que serve de guia turístico e que desenha rotas pelas cidades, conforme o local e o tempo livre de que o utilizador dispõe.

Tendo começado com Barcelona, a JiTT já está presente em Roma, Londres e Sydney. Esta aplicação dispõe de um total de 30 guias de cidades e 7 guias temáticos que, entre outros, incluem temas como Sherlock Holmes e Harry Potter.

Tendo já sido nomeado para “melhor tecnologia móvel destinada a enriquecer a experiência turística”, a equipa da JiTT acompanhou o desenvolvimento do mercado turístico, tirando proveito da crescente preocupação de oferecer mais aos turistas. Hoje já oferece serviços a outras empresas que querem “mimar os seus clientes”.

Mygon

“A Mygon veio proporcionar aos utilizadores campanhas promocionais baseadas nos seus interesses”, Juliana Belo, Digital Marketing and Content Manager.

Nascida das falhas encontradas no mercado das compras coletivas e de promoções diárias, a Mygon vem resolver um problema habitual com este tipo de produtos: o facto das pessoas receberem promoções que, na realidade, não se adequam aos seus verdadeiros interesses e terem de – obrigatoriamente – pagar antecipadamente por “vouchers” que, normalmente, só podem ser utilizados semanas ou meses depois.

Com esta falha, a Mygon veio proporcionar, aos utilizadores de campanhas promocionais, experiências com base nos seus interesses e na localização geográfica. A grande diferenciação entre a Mygon e as outras empresas tradicionais de “vouchers” é o facto de poder usufruir quase de imediato da atividade e só pagar no estabelecimento que a proporcionou.

Num futuro próximo, a start-up que gera um volume anual de cerca de dois milhões de euros para os seus parceiros, espera consolidar o seu “core business” e apostar no lançamento de novos produtos e serviços. Exemplo de um dos novos serviços é a Mygon Loyalty, um sistema de fidelização online que procura ajudar os parceiros a fidelizarem os clientes, através de um sistema de carimbos digitais.

TalkGuest (antiga iBooking)

“Os planos passam por consolidar a nossa posição de líder no mercado nacional e, em 2018, efetuar a internacionalização”, Rafael Rosário, cofundador.

Este software que facilita a gestão de alojamento local, começou com a ideia de dois amigos de tentar criar uma solução para o mercado de construção.

Tendo-se mudado para o Porto depois de uma experiência no Brasil, um dos fundadores da atual TalkGuest procurou uma ferramenta que o apoiasse na gestão de toda a burocracia que a atividade de alojamento local exige. Não tendo encontrado nada que fosse capaz de satisfazer a sua necessidade, reuniu-se com um amigo e decidiram “colocar na gaveta o projeto em que estávamos a trabalhar e no mesmo dia nasceu a atual start-up”.

O projeto que recentemente teve de passar por um rebranding, pretende consolidar a posição de líder de mercado nacional e internacionalizar-se no próximo ano.

Tripaya

“Sempre senti que faltava uma solução que me dissesse onde eu poderia ir com o meu dinheiro”, André Ramos, CEO e fundador.

Tendo já sido uma das start-ups do mês, a Tripaya é a última empresa nesta lista. Criada por um viajante habitual, esta start-up veio colmatar uma falha em “sites” de viagens, como o Skyscanner e Booking: uma solução que dissesse ao utilizador até onde poderia ir com um certo montante de dinheiro.

Tendo gerado um volume de vendas de aproximadamente 250 mil euros em 2016, a Tripaya quer expandir a sua atividade para mercados como a Alemanha, Reino Unido e Espanha, ainda em 2017.

Sendo a confiança que a empresa passa ao cliente, um dos principais desafios no setor do turismo, a Tripaya decidiu juntar-se ao Skyscanner e ao Booking, para ganhar credibilidade junto do seu público-alvo.

Principais desafios e as novas tendências do turismo

As novas tendências do turismo em Portugal passam por haver uma interação maior com os turistas, tanto pessoalmente, como através de aplicações mobile, a criação de experiências novas que fujam ao “mainstream” e a possibilidade de escolher um serviço que possa ser imediatamente utilizado. As start-ups incluídas neste “top” referiram também que, cada vez mais, o setor do turismo tem de ter atenção às necessidades dos “millennials” (pessoas nascidas entre 1980 e 1996, que nasceram no “boom” da tecnologia). Algumas das start-ups referem ainda que a grande afluência de turistas vindos da Ásia, pode ser uma grande oportunidade de negócio.

O único desafio que estas start-ups enfrentam e que não é transversal a todos os setores, é terem de se debater com instituições bastante conservadoras, como hotéis e restaurantes. De resto, os desafios são comuns a todas as áreas: problemas em chegar ao produto final, de maneira a satisfazer o maior número de clientes, a difícil procura de investidores, os impostos altos que criam barreiras ao crescimento, e a falta de tração para acelerar o negócio.

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