Sem pretender ser futurista na análise de algumas tendências que afetam a atividade de marketing das empresas e que, consequentemente influenciarão o comportamento e ação dos consumidores, parece senso comum que o desenvolvimento da tecnologia irá dominar os mercados nos próximos anos.

É o caso da ascensão das comunicações em formato 5G. A necessidade de incrementar a velocidade a que se processam conteúdos, a necessidade de operar com quantidades gigantescas de dados, a interligação entre múltiplas plataformas, a simplicidade de processos e o acesso a “quase tudo” de forma simples e eficaz, vai desabrochar muito rapidamente com grande protagonismo para o vídeo em alta definição, que nos colocará cada vez mais dependentes do mobile para “ver acontecer” qualquer imagem.

Veremos crescer muito rapidamente o mercado da “Internet da Coisas”, com conexões em regime de permanência, ou seja, deixaremos de ter coisas embutidas nos computadores, para passarmos a ter computadores embutidos nas coisas.

Embora pareçam silenciosas, a inteligência artificial e a automação estão a percorrer o seu caminho de forma galopante em muitas indústrias, o que faz repensar o que serão as profissões de amanhã. Quase todos os setores de atividade e as suas cadeias de valor estão a ser transversalmente preenchidos com o domínio destas matérias: a chinesa Wesmart Shenzhen produz roupa que regula a temperatura, mede a respiração e orienta os atletas na monitorização do seu treino; a Byton desenvolveu um sistema que alimenta a interface do condutor com o seu veículo, fazendo com que os passageiros possam controlar todas as operações no seu automóvel através de comandos de voz; a SenseTime investiu no reconhecimento de imagens, incluindo faces humanas.

Mesmo que este caminho comece com chatbots, as empresas precisam repensar toda a sua estratégia de marketing em face da automação, enveredando por aquilo a que se tem chamado transformação digital. Mas esta só reforça a responsabilidade de se oferecer excelente atendimento ao cliente, ao mesmo tempo que compromete as empresas com um nível de exigência de serviço de altíssima qualidade. É apenas através desta realidade que o mercado reconhecerá as empresas que estão preparadas para o futuro.

A alteração da realidade, tal e qual como a queremos ver, remete para um reforço dos investimentos em realidade virtual e realidade aumentada, que se mostrarão totalmente úteis para alimentar a notoriedade das marcas, gerar interesse em conhecê-las e motivar mais compras. Mesmo em negócios B2B, esta é uma área em franco desenvolvimento, que, por exemplo, permite dar a conhecer o dia a dia de um processo fabril, os testemunhos diretos de clientes ou a visualização de um processo relativo a uma encomenda. É a visualização da “verdade dos factos” acessível a todos os interessados. Imagine-se, por exemplo, o potencial desta realidade na atividade hoteleira, onde as fotografias publicitárias passarão para segundo plano.

A qualidade da informação representará uma exigência crescente, o que significa que todo o marketing de conteúdo será reforçado, seja pela sua pertinência, rigor ou criatividade. É essa “verdade” que contribuirá para um maior ou menor envolvimento dos clientes com a marca, seja através do fornecimento de documentos técnicos, tutoriais e até casos de estudo, o que nos obriga a repensar sobre o que será o ensino de amanhã. É evidente que esses conteúdos terão de estar adaptados ao tipo de negócio, mas sobretudo deverão estar moldados às plataformas nas quais os respetivos clientes navegam frequentemente. É por aqui que se deverá medir o grau de sucesso das leads de qualquer negócio.

Finalmente, o crescente poder dos influenciadores de opinião não vai parar. Tal como em fenómenos tribais, os consumidores procuram informação onde julgam que esta é credível e seguem aqueles de quem gostam, ou porque são isentos e rigorosos, ou porque são capazes de confrontar a realidade, sem se preocuparem com o politicamente correto. Eles vão passar a ter um papel principal na promoção e recomendação de produtos e serviços. Para cada nível de dimensão empresarial serão encontrados influenciadores de nicho ou de mass market, sempre com a certeza de que os investimentos requeridos são inferiores aos que decorrem da publicidade tradicional. E cumprem aquela tendência testada estatisticamente: 75% dos consumidores não crêem na publicidade das empresas, mas 94% dizem ter em consideração a opinião de terceiros.

Em 2020 veremos sair da sombra toda a dimensão tecnológica previamente anunciada e que começará a alterar a forma como vemos o mundo.

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Doutorado em Gestão pela Universidade Complutense de Madrid. Diplomado por INSEAD, London Business School, Wharton School, University of Virginia, MIT Management Sloan Management School, Harvard Business School, Imperial College of London, Kellogg School of Management de Chicago e IESE Business... Ler Mais