Os Estados Unidos e o Canadá são os dois maiores mercados legais de canábis medicinal no mundo, apesar da substância ainda não ser aprovada em todos os estados norte-americanos. No entanto, a Europa está também a ganhar força neste campo, com o surgimento de start-ups que procuram facilitar o acesso dos consumidores a esta substância.

Cerca de 40 mil pacientes na Alemanha já tomam medicamentos à base de canábis, reportou o German Handelsblatt. Apenas no primeiro semestre de 2018, essas prescrições médicas somaram mais de 30 milhões de euros em receitas. Todavia, os medicamentos à base de canábis ainda são vistos como um tratamento “excecional” e não a norma.

No caso da Alemanha, as prescrições são geralmente restritas a pacientes com doenças graves e crónicas, como esclerose múltipla, epilepsia, depressão e dor crónica. E mesmo para esses pacientes o processo de prescrição apresenta obstáculos.

Para mudar este cenário, há start-ups que estão já a tentar ganhar terreno no emergente, mas ainda controverso mercado de canábis medicinal. Por exemplo, a start-up alemã MedPayRx espera responder a uma necessidade crescente, facilitando o acesso dos consumidores à canábis medicinal.

A MedPayRx pretende facilitar o acesso à prescrição, distribuição e aprovação dos medicamentos à base desta substância, através de uma aplicação. O objetivo é permitir que as pessoas usem uma única plataforma para receber as substâncias prescritas, em vez de lidar com várias partes.

A start-up alemã também está a promover uma plataforma blockchain descrita como o “equivalente médico do Ripple”, isto é, um protocolo criptográfico usado para transações monetárias globais. Os pacientes que usam o interface passam por um processo de verificação e só depois são ligados aos médicos que estão autorizados a prescrever canábis medicinal.

Recorrendo à tecnologia blockchain, o sistema propõem-se reduzir drasticamente os custos quando comparado com os métodos convencionais. A fundadora da MedPayRx, Marguerite Arnold, aponta num artigo recente que a tecnologia blockchain e as criptomoedas vivem um momento alto nos mercados americano e que podem ter um impacto muito maior no setor. “Começando pelo direito dos pacientes em comprar medicamentos, eles também precisam de ter acesso aos fármacos num ambiente seguro e regulado”, acredita Arnold.

Um longo caminho a percorrer
A utilização da canábis por razões médicas ainda é reduzida. Existe um estigma à volta da substância e muitas discussões não separam o uso medicinal do recreativo. Por exemplo, poucas pessoas estão cientes que nenhum país da União Europeia irá permitir o consumo de sucedâneos da canábis por motivos médicos através do fumo. Os pacientes só podem consumir a substância através de métodos como sprays orais ou cápsulas, uma diferença fundamental do uso médico.

Os críticos da legalização também se preocupam com os possíveis efeitos negativos da canábis para a saúde. Recentemente o jornal Guardian mencionou pesquisas que indicam que a canábis aumenta o risco de suicídio e depressão nos adultos que usaram a droga quando eram adolescentes. Algumas pessoas temem que a legalização, mesmo no campo da medicina, possa dar a falsa impressão de que a droga está livre de riscos médicos.

O aumento da legalização na UE
Na Europa, alguns países começaram a facilitar o acesso à canábis para fins médicos. O setor de canábis medicinal no Canadá passou por um período de expansão, à medida que o acesso à substância melhorou. A reforma legal na Alemanha, em março de 2017, permitiu que os pacientes pudessem, pela primeira vez, receber o reembolso das companhias de seguros – um passo para melhorar o acesso.

As reformas legais na Alemanha também contribuíram para estimular a aprovação do uso da substância noutras partes da Europa. A Lituânia legalizou a canábis medicinal em outubro de 2018 e a Dinamarca no início desse mesmo ano. No início de 2019, os membros do Parlamento Europeu aprovaram uma resolução para incentivar os países europeus a aumentar o acesso à canábis.

O Canadá é um dos principais exportadores de canábis para a Alemanha. Em 2017, a Alemanha importou mais marijuana medicinal do Canadá do que qualquer outro país, um total de 520,85 kg.

Start-ups apresentam soluções para melhorar a vida dos pacientes
Em todo o mundo, as start-ups tentam aumentar as opções para os doentes aliviarem as suas doenças com medicamentos à base de canábis. Desde a plataforma de entrega de canábis Eaze, na Califórnia, passando pelo inalador portátil Syqe Medical de Israel, uma nova indústria está a crescer em torno de uma planta cada vez mais reconhecida como uma opção medicinal.

O que start-ups como a MedPayRx estão a fazer através da aplicação baseada em blockchain pode ajudar a reduzir muitas das dificuldades que os doentes enfrentam, melhorando o atendimento ao paciente e ajudando-o a ter uma vida mais gratificante.

 

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