A The Reef Company quer construir uma rede inteligente de recifes em Cascais, na Comporta e também na Madeira. O objetivo é regenerar a biodiversidade e absorver as emissões de carbono.

As alterações climáticas estão a ameaçar os corais do planeta. Segundo a UNESCO, os dados científicos sobre o seu estado são muito alarmantes, visto que os recifes estão a clarear muito mais rápido do que o previsto e que, uma vez “embranquecidos”, são muito vulneráveis a doenças e têm uma taxa de mortalidade mais elevada.

Para reverter a situação, a start-up The Reef Company anunciou que vai construir recifes inteligentes, numa primeira fase em Portugal, nomeadamente em Cascais, na Comporta e na Madeira, para regenerar a biodiversidade, absorver as emissões de carbono e recolher mais dados oceânicos.

“Neste momento 50% dos recifes já desapareceram e, em 2050, 90% deles vão estar destruídos. Isso vai ter um impacto enorme na cadeia de valor dos oceanos. Existe um bilião de pessoas no mundo que depende diretamente de recifes saudáveis para sobreviver e 60% da população mundial depende de proteína proveniente da vida marinha”, explicou à TSF Martim Clara, cofundador da The Reef Company, à margem da conferência dos oceanos.

“Estamos a construir recifes modulares, que se encaixam uns sobre os outros. Temos quatro tipos diferentes de recife, de quatro tamanhos. O maior deles tem cinco por cinco metros e pesa 55 toneladas. São empilháveis, podemos construir uma espécie de edifícios debaixo de água. No fundo são apartamentos para peixes. Estes recifes são construídos como alternativa ao betão, com geopolímero, e utilizamos resíduos de dragagens, por exemplo, para construir este material”, revelou o cofundador da start-up.

Os primeiros três projetos-piloto vão ser lançados em Cascais, na Comporta e na Madeira e já está praticamente tudo pronto para avançar.

“A plataforma oceânica de Portugal é enorme e escolhemos estrategicamente. Para o da Comporta e Cascais já temos as licenças quase aprovadas, temos o apoio do Governo e pretendemos fazê-las nestas zonas porque identificámos que lá o fundo oceânico parece um deserto. Anteriormente havia muito mais vida lá, pretendemos reconstruir o habitat”, acrescentou o responsável.

A start-up foi criada por Jeroen van de Waal, um empresário holandês apaixonado pelos oceanos. Já trabalhou em países como Brasil e China, mas escolheu Portugal como casa.

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