A Insilico Medicine, start-up que recorre à IA para o desenvolvimento de medicamentos, recebeu um investimento de 255 milhões de dólares (214 milhões de euros) numa ronda de financiamento da Série C, dando início aos testes clínicos em humanos.

Enquanto muitas das empresas de biotecnologia que recorrem à inteligência artificial (IA) estão à procura de novos alvos para os seus medicamentos, a Insilico Medicine, com sede em Hong Kong, deu um passo à frente. A start-up não procura apenas novas áreas do organismo para receberem os medicamentos através de IA e de plataformas de machine learning, como também desenvolve novas moléculas para atingi-los.

Em fevereiro, a empresa anunciou a descoberta de um novo medicamento para a fibrose pulmonar idiopática, uma doença que causa problemas nos sacos aéreos pulmonares, provocando dificuldades respiratórias.

Esta semana levantou 255 milhões de dólares (214 milhões de euros) em financiamento da série C numa ronda liderada pela empresa de private equity Warburg Pincus. O montante elevou o investimento da empresa para 310 milhões de dólares (259 milhões de euros).

O financiamento que acaba de receber será aplicado no início dos testes clínicos em humanos e servirá também para criar novos programas para identificar alvos difíceis e para desenvolver ainda mais as suas capacidades de descoberta de IA e de medicamentos.

“A Insilico encaixa-se fortemente na nossa estratégia de investir nos melhores inovadores na área de saúde”, disse Fred Hassan, da Warburg Pincus. “Inteligência artificial e machine learning são ferramentas poderosas para revolucionar o processo de descoberta de medicamentos e trazer terapias transformadoras para pacientes mais rápido do que nunca”, acrescentou.

Como tudo começou…
Alex Zhavoronkov, CEO e fundador da start-up, começou a sua formação na ciência da computação. No entanto, o seu interesse por pesquisas sobre como desacelerar o envelhecimento atraiu-o para o mundo da biotecnologia. Concluiu o seu mestrado na Universidade Johns Hopkins e, em seguida, um PhD na Moscow State University, onde investigou sobre uso de machine learning para observar a física das interações moleculares em sistemas biológicos.

O processo de localização de um alvo pré-clínico para a fibrose pulmonar idiopática evidencia a abordagem da Insilico. A empresa tinha inicialmente encontrado 20 novos locais-alvo para tratar a fibrose. Em seguida, usou os seus processos de machine learning para restringi-los a um alvo específico, relacionado com fibrose pulmonar idiopática. Depois, com a sua ferramenta interna, a Chemistry42, gerou novas moléculas para atingir a região. O potencial medicamento pré-clínico que desenvolveu  foi considerado eficaz e seguro em estudos em ratos, disse a empresa, citada pelo TechCrunch.

“Agora, conectamos com sucesso a biologia e a química, e nomeamos o medicamento pré-clínico para um novo alvo, com a intenção de introduzi-lo em testes clínicos em humanos, que é um problema muito mais complexo e arriscado de se resolver”, acrescentou Zhavoronkov.

“Que eu saiba, este é o primeiro caso em que a IA identificou um novo alvo e projetou um potencial pré-clínico para uma doença muito ampla”, concluiu Zhavoronkov.

 

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