Melhorar o desempenho das equipas e das empresas é o que se propõe a  Skoach, uma solução tecnológica criada pela dupla João Ferreira e Rita Ribeiro da Silva. Ao Link To Leaders os fundadores do projeto falaram do que os motiva, da ronda de investimento que estão a levantar e das metas que pretendem alcançar, entre as quais a internacionalização.

Depois de trabalharem em empresas na área de consultoria e IT, Rita Ribeiro da Silva e João Ferreira deixaram os respetivos empregos para tentar resolver uma necessidade nas empresas portuguesas: promover uma cultura de feedback que leve os colaboradores a aprender e mudar comportamentos.

Com percursos diferentes que acabaram por se complementar – Rita é licenciada na Nova SBE e com um Mestrado em Economia da Católica SBE e um MBA da Columbia Business School, em Nova Iorque;  o João é  engenheiro informático, licenciado pelo Instituto Superior Técnico –  criaram um chatbot aplicado ao setor de RH, que, com base em estudos comportamentais, cria desafios automáticos na forma de jogos, para promover no colaborador hábitos em torno de feedback, autonomia e liderança. Assim, nasceu a Skoach, um projeto que apelidam de “treinador digital” de RH que orienta e treina colaboradores de uma equipa com o objetivo de desbloquear o seu próprio potencial e alcançar um maior desempenho no trabalho.

O que é um “treinador” digital de RH, como apelidam o vosso produto?
Rita Ribeiro da Silva (R.R.S.)
: Como um treinador desportivo que nos dá exercícios para alcançarmos um objetivo, a Skoach lança-nos desafios que nos fazem adquirir novos hábitos e ferramentas, contribuindo para um melhor desempenho e um ambiente de equipa mais propício ao crescimento e retenção. Um programa Skoach começa pelo desenvolvimento de skills de feedback, com o objetivo de criar uma cultura de feedback informal, onde todos são capazes e se sentem à vontade para ter conversas construtivas, para o seu crescimento e o dos outros.

Como funciona em termos práticos?
João Ferreira (J.F.): O chatbot da Skoach começa por ser integrado no Slack ou no Teams, plataformas que a maioria das empresas já usa no seu dia a dia, facilitando a instalação e o uso do nosso produto. Depois de uma análise inicial à personalidade de cada um e à dinâmica de equipa, é definido um plano de três meses de desafios a serem aplicados por cada utilizador no seu dia a dia. Cada desafio completo atribui um ponto à respetiva equipa e a competição é promovida via ranking para motivar a participação. No fim do primeiro trimestre, os vários membros da equipa sentem-se mais preparados para dar, receber, pedir e reagir a feedback, o que contribui para que cada equipa maximize o seu potencial.

O que é que uma ferramenta como a Skoach pode fazer pela performance das equipas e, consequentemente, das empresas?
R.R.S: A Skoach serve os seus utilizadores, não só capacitando-os com as skills para que sejam mais proativos no seu crescimento, como também criando ambientes mais propícios a tal, uma vez que muda o contexto em que se inserem, quando aplicado à equipa toda.

Em relação às empresas, a Skoach visa aumentar a produtividade dos seus colaboradores, bem como a sua retenção, uma vez que cria melhores condições para que o feedback seja bem dado e recebido, assim maximizando o potencial de cada um. Procuramos, cada vez mais, trabalhar em parceria com os clientes, de forma a medir melhor o impacto do nosso produto.

Quais as características mais inovadoras do produto?
J.F.:
Antes de mais, o facto de nos integrarmos no canal de comunicação usado pela maioria das empresas – Slack ou Teams – torna a instalação muito mais simples. Depois, ao contrário de outras soluções existentes fora de Portugal, a Skoach envolve equipas inteiras e não apenas chefias, o que permite às empresas oferecer este tipo de solução a quem normalmente não tem acesso.

Por último, a nossa metodologia assegura um impacto mais sustentável, uma vez que os nossos utilizadores aprendem de forma espaçada e vão aplicando o que aprendem no seu trabalho – assim retendo muito mais informação e desenvolvendo melhor as suas competências.

Onde é que o vosso chatbot já foi usado?
R.R.S
: O nosso produto já chegou a mais de 200 profissionais. Os clientes vão desde a Aptoide e Beta-i, até à Morais Leitão e à JLL. A vantagem da Skoach é que pode ser utilizada por qualquer empresa de qualquer setor que tenha como objetivo melhorar o desempenho das suas equipas.

“A Skoach surge para ajudar todos a exercitar os músculos mentais (e adquirir os hábitos) que nos levam a tomar controlo do nosso próprio crescimento (…)”

Como é que a Skoach começou? Porquê esta ideia?
R.R.S: A ideia de criar a Skoach surgiu quando estava em Nova Iorque. Primeiro, no MBA, confirmei que podemos sempre continuar a crescer, que o cérebro é um músculo que podemos exercitar e ganhei ferramentas que me ajudaram a ganhar resiliência e desenvolver skills que não achava possível antes.
Já no ambiente de trabalho, senti que comportamentos simples de chefias e colegas faziam muita diferença na produtividade e lealdade de todos. Desde realmente procurar conhecer as pessoas que se gere, a dar feedback construtivo de forma a que a pessoa sinta que é no seu melhor interesse. A Skoach surge para ajudar todos a exercitar os músculos mentais (e adquirir os hábitos) que nos levam a tomar controlo do nosso próprio crescimento, mas também criar um ambiente “talent-sticky” à nossa volta.

Em que fase se encontra o projeto? Para quando a entrada no mercado?
J.F.:
Desde 2019, já várias empresas utilizaram a Skoach. Estamos agora a levantar uma ronda de financiamento para aumentar a equipa e acelerar o crescimento.

Quais as mais-valias para o projeto o facto de estarem incubados na Startup Lisboa?
R.R.S:
A Startup Lisboa tem-se provado uma grande mais-valia: para além da comunidade de start-ups que se entreajuda, a equipa da SULx desdobra-se para oferecer à sua comunidade bons benefícios, como mentoria de pessoas especialistas em vários tópicos, e para ajudar cada start-up no que mais precisa, como introduções a clientes e investidores.

O que falta neste momento para que a Skoach dê o “salto”?
J.F.: Estamos agora a investir na User Experience do nosso produto: acreditamos que uma experiência mais conversacional e com maior leque de skills à escolha nos permitirá acrescentar ainda mais valor.

“Fechar uma ronda de investimento, aumentar a equipa, crescer a nossa base de clientes em Portugal e começar a vender internacionalmente”.

Quais as próximas metas que a Skoach quer alcançar?
R.R.S.:
Fechar uma ronda de investimento, aumentar a equipa, crescer a nossa base de clientes em Portugal e começar a vender internacionalmente.

Em que fase gostariam de ter o projeto no próximo ano?
R.R.S: No próximo ano, gostaríamos de servir vários milhares de utilizadores e permitir o desenvolvimento de várias skills, contribuindo, de facto, para uma melhor cultura em cada cliente.

Respostas rápidas:
O maior risco: Não conseguirmos isolar o impacto do que fazemos.
O maior erro: Não ter ajustado em certos clientes a atividade da Skoach ao workload ou a férias.
A maior lição: Por mais que trabalhemos em objetivos de equipa, temos que mostrar o valor que cada um ganha individualmente.
A maior conquista: Ter utilizadores a afirmar que a Skoach os aproximou das suas equipas e os ajudou a crescer.

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