Que, por efémera, tem de ser aproveitada. Por alguma razão se chama ao verão silly season.

Porque está calor e ficamos meio adormecidos.
Porque estamos de férias e acontece pouca coisa.
Porque ficamos mais leves.
Porque as conversas ficam mais superficiais.
Porque nos rimos mais.
Porque fazemos e dizemos disparates.
Temos a certeza que aproveitámos tudo o que este verão tinha para nos dar…?

Algumas empresas ou organizações até fecham em alguns períodos do verão. Outras ficam com a atividade reduzida. Não desaparecem, mas o nosso envolvimento com elas, neste período, fica menos intenso.

Será por isso que mais tarde estas empresas ou organizações vão ter problemas?
Será que esta distância que pomos entre nós e as nossas obrigações profissionais as prejudicam?

Sabemos que estudos diversos apontam que sim, a produtividade das empresas fica reduzida nos períodos de férias, e que o regresso de férias é um período de adaptação com reduções de produtividade e alguma ansiedade… mas os mesmos estudos mostram que os períodos antes de férias também as tem, com mais erros humanos a ocorrer, decorrentes do cansaço.

Conseguimos desligar?

E as outras preocupações que carregamos todos os dias, e que fazem parte do que consideramos serem as nossas obrigações.
Os familiares e amigos que precisam de nós e que vamos “abandonar” neste período em que saímos de perto deles.
As ansiedades sobre dinheiro, emprego, saúde, educação dos filhos, o contrato da casa que vai acabar, etc., etc.
Conseguimos que o remorso por não estar a dar apoio a quem precisa ou a tratar do que devíamos não nos atazane e nos deixe gozar este período?

Onde quero chegar com isto?
À necessidade de celebrar a felicidade quando ela por nós passa.
À obrigação de pormos de parte as amarras que nos levam a ter medo de estar felizes e descontraídos.
Ao dever de aproveitar o que de bom a Vida nos dá, sem medos e sem complexos.
E não, não é verdade que o que sabe bem, faz mal ou é pecado…

Reconheçamos que o período de férias é um período onde é mais fácil estarmos felizes. Dizem os filósofos que a felicidade é apenas um somatório de momentos felizes, que são efémeros e que agregam em períodos mais ou menos longos, e nunca um estado permanente.
E apesar de ter pena de saber que o happy ever after não existe, sabemos que assim é!

A própria efemeridade dos momentos faz com que a satisfação que deles retiramos possa ser maior.
Um dia de sol, sem vento, com um mar de água quente, instalado numa boa cadeira, numa praia sem gente.
Uma pista de neve em pó, que caiu durante a noite, perfeitamente alisada, num dia luminoso de céu azul escuro, onde entramos sozinhos e que parece ser toda nossa.
Uma bebida especialmente preparada para nós, numa companhia que há muito queríamos, num cenário maravilhoso.
Uma gargalhada de uma criança que entrou há pouco nas nossas vidas e que nos enche a alma.
Uma graça inesperada e com graça, contada por um amigo que consegue por toda a mesa a rir.
Tudo exemplos de situações que, por únicas e efémeras, tentamos aproveitar ao máximo, que se revestem de um significado e nos deixam memórias especiais.

Correto?
Se assim é vamos deixar de parte o que nos restringe – preocupações, enervamentos, raivas, ansiedades e inquietudes, … – e pôr-nos a jeito para que, quando esses momentos nos batem à porta em grande quantidade, estejamos abertos para os receber, e nos disponhamos a gozá-los a 100%

Para nada mais do que para nos sentirmos bem. Mesmo só para isso!

E também para enchermos os reservatórios de felicidade que carregaremos depois connosco no regresso de férias, e que, durante o ano, vão sendo esvaziados pelas contrariedades e por menos momentos em que os conseguimos encher

Seremos capazes???

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Maria do Rosário Pinto Correia é regente da disciplina de Marketing in The New Era (licenciatura em Business Management) na CLSBE. Coordena, ainda, 3 programas de Executive Education - PGV - Programa de Gestão de Vendas, EI - Estratégias de... Ler Mais