Blockchain, uma start-up que oferece um serviço de depósito e transferências de moedas encriptadas, recebeu 36 milhões de euros em investimentos na última ronda de angariação de fundos.

O dinheiro foi investido pela Lakestar, um fundo de capital de risco, pela GV, a organização de investimentos da Google, e pelo multimilionário e dono da Virgin Richard Branson.

O investimento surge numa altura em que o mercado das “cryptocurrencies” – moedas encriptadas, na tradução direta para português – está a ter uma procura bastante elevada, principalmente no que diz respeito aos Bitcoins, a moeda deste género mais popular entre os utilizadores deste tipo de numerários.

O feito desta start-up foi a criação de um software que disponibiliza um serviço de depósito e de transferência de moedas encriptadas. Mas qual é a razão para este furor que fez gigantes como a Google e Richard Branson investir neste setor? A ideia por trás da Blockchain (cadeia de blocos) é eliminar os intermediários das transferências monetárias, ou seja, os bancos.

Em declarações à CNBC, o CEO da start-up, Peter Smith, referiu que o dinheiro angariado será utilizado para investir no departamento de pesquisa e desenvolvimento. A Blockchain conta também abrir novos escritórios em diferentes partes do globo.

O que é a Blockchain?

Esta nova maneira de armazenar e gravar transações é feita em blocos, que estão ligados entre si criptograficamente com o objetivo de assegurar que são à prova de piratas informáticos. Cada bloco desta rede é um código de computador que contém algum tipo de informação. Esta informação tanto pode ser um certificado de propriedade como também um comprovativo de uma transferência bancária. Imagine a seguinte situação: quer enviar dinheiro a alguém do outro lado do mundo. A transferência tanto pode demorar dois dias, como pode demorar uma semana. Isto acontece porque os bancos têm de ter a certeza para onde é que foi o dinheiro. Este é um dos problemas que o Blockchain vem resolver. Com o software desenvolvido pela start-up, as transferências podem ser feitas de uma forma rápida e barata, para além de não haver nenhum banco na equação, que ficaria com a informação de todas as transferências feitas.

Mas se não são os bancos a assegurar as transferências, que entidade é que as consegue assegurar? A resposta é simples: à medida que novas informações são adicionadas na rede, a complexidade da cadeia de blocos aumenta e o banco de dados torna-se maior. E se alguém quiser fazer uma alteração que não é autorizada, todas as pessoas da rede consegue ver onde é que esta aconteceu e decidir se a mudança é válida ou não. Um exemplo prático: imagine que queria comprar uma casa a alguém por 250 mil euros. Em vez de pagar a um advogado para tratar do assunto, podia decidir registar o contrato na Blockchain onde diria que tinha concordado em pagar 250 mil euros pela casa. Este método cria um livro de registos públicos transparente e que qualquer pessoa podia ver. Desta maneira, o dono da casa não poderia voltar atrás com a palavra e pedir, em vez dos 250 mil, 300 mil euros.

Com este método, se algum pirata informático quiser fazer alguma alteração na rede teria não o conseguiria fazer a piratear apenas um computador, teria de piratear, ao mesmo tempo, todos os que têm acesso à rede.

Tendo sido fundada em 2011, a Blockchain já conta com quase 15 milhões de utilizadores de 140 países diferentes. A receita, segundo o CEO da start-up, aumentará mais de 1000% a cada ano.

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