Somos conectados, formados, viajados, mimados e chegámos para mudar o mercado de trabalho e o mundo! Fomos apelidados de Geração Y, Me, Peter-Pan, Nem-Nem e outros tantos nicknames estereotipados (que abominamos).

Temos todos uma forte veia empreendedora, queremos todos ser CEOs antes dos 30 e não “aquecemos a cadeira” do escritório por mais de dois anos. Já sabemos.

Voltámos a ouvir fado, misturado com reggeaton, devoramos tudo o que seja vendido numa “qualquer-coisa-daria” e medimos a nossa vida pelos gigas disponíveis nos nossos devices. Somos a geração das experiências, do foodporn, das selfies, dos filtros e do Instagram. As empresas tentam reter-nos, os pais tentam casar-nos, as marcas tentam aliciar-nos. Não usamos cartão de crédito, partilhamos carros e queremos voltar às origens, ser minimalistas e sustentáveis. Já sabemos.

Mas será que sabemos o que está a acontecer a esta geração que chegou aos trinta? Estaremos a acomodar-nos ou continuamos idealistas e disruptivos? As estatísticas parecem indicar que, de facto, nos comportamos de acordo com as previsões. Eu discordo.

Como millennial inveterada, custa-me ser diariamente informada pelo Linkedin sobre os (tri-, tetra-, penta-) aniversários que os meus colegas de faculdade estão a celebrar numa qualquer empresa do PSI20. Aqueles que tanta inveja causavam por andarem a conquistar o mundo, estão a regressar a casa ou a reformaram-se do cargo de aventureiros de passagem para se tornarem comuns imigrantes. E as conversas nos jantares passaram a ser sobre as trivialidades de quem tem hora marcada para picar o ponto.

Depois de uma década a sonhar com o nosso primeiro milhão, que íamos ganhar depois de termos “a” ideia, estamos a tornar-nos nas “corporate bitches” que tanto menosprezamos. E se nos põem à frente um contrato sem termo, um salário fixo (mais variável) e um seguro de saúde, aí então é ver-nos agradecer aos céus e a dizer “sim, chefe”.

Parece-me que, aos poucos, o nosso Y está a ganhar uma perninha. Não tarda nada, dão-lhe um toque e lá se transforma ele num X. Resta-me a esperança de que a nossa índole seja mais forte e aos 40, nos dê para largar tudo e regressarmos aos ideais de juventude! Espera, não é isso que os quarentões da Geração X andam a fazer?!

Por isso, caros empregadores, podemos até continuar a gostar muito de desafios constantes, evoluções rápidas e trabalhar de All Star mas está na altura de se começarem a preocupar com a Geração Z – os miúdos que não falam e só querem trabalhar a partir de casa – porque nós, os eternos Peter Pan, estamos a crescer e a ficar fora de moda.

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Rita Viegas é uma millennial convicta, apaixonada por pessoas e viciada em comunicação. Atualmente é gestora de projetos na OZ Energia, tendo sido anteriormente diretora de marketing da Eastbanc e desempenhado vários cargos em áreas de marketing e comunicação em... Ler Mais