A famosa expressão “Cash is King!” é uma das mais escutadas no mundo dos investidores em start-ups. Isto tem um efeito colateral particular na hierarquia de ecossistemas empreendedores europeus, onde os investidores desfrutam de um tratamento quase aristocrático.

Há passes VIP, jantares de networking exclusivos, festas privadas, empresas fantásticas e cuidadosamente selecionadas, custos de viagem cobertos, até mesmo as despesas diárias são pagas, tudo apenas para que um investidor participe num evento.

Assim que o investidor confirma a presença, há uma abundância de anúncios na comunicação social, newsletters, convites, até mesmo à imprensa, enquanto os ocupadíssimos fãs – empresas em fase de levantamento de fundos (“fundraising“) – esperam pelo seu rockstar-investidor para lhes revelar o que os empreendedores devem fazer para angariar dinheiro deles (investidores).

Todos ficam felizes: organizadores, porque estão a atingir números interessantes de participantes, os patrocinadores pois conseguem exposição mediática, os investidores, porque são tratados como realeza, e, finalmente, os empreendedores, porque estão a participar num grande evento com a possibilidade de obterem um investimento.

Há apenas um detalhe que às vezes é negligenciado nesta “rat race” – como sabemos que o investidor é um investidor real?

Qualquer um que já tenha angariado fundos sabe que há muitas pessoas hoje em dia que afirmam ser investidores. A razão é óbvia, quanto mais convincentes são como investidores, mais benefícios como investidores podem apreciar. E a razão pela qual isso funciona é porque há pouca garantia de qualidade no mercado, não há o conhecimento suficiente sobre o tema, e existe um número significativo de pessoas ingénuas. No entanto, isso não significa que as pessoas que afirmam ser investidores estejam totalmente desligadas do mundo do investimento.

Quando um empreendedor está na fase de angariação de fundos é do seu interesse encontrar um investidor ativo e profissional, e não só alguém que invista dinheiro.

Existem vários tipos de “falsos investidores”, tais como funcionários de entidades de investimento relacionadas ou seus representantes (privados e públicos), consultores de investimento, pessoas que investem por curiosidade ou como um hobby uma ou duas vezes, e, claramente, as pessoas que dizem que são investidores ou seus representantes, mas não há informações sobre eles ou a informação não pode ser ligada a eles para confirmar as suas reivindicações.

Se não tiver certeza se a pessoa é um investidor real ou não, há algumas perguntas que pode fazer para tornar as coisas mais claras, como:

-Qual é o setor em que você costuma investir?
-Em quantas empresas investiram nos últimos dois anos?
-Qual foi o seu investimento mais bem-sucedido até agora?
-Qual foi o seu maior investimento falhado até agora?
-Quanto dinheiro costuma investir por empresa?
-Investe sozinho ou colabora com outros investidores?
-Pode me enviar mais informações sobre as empresas no seu portefólio para ver se há algumas sinergias com o meu projecto?

Não há nenhuma razão para não perguntar ao seu potencial investidor sobre o seu historial. Quanto mais genéricas e ambíguas forem as respostas, maior é a hipótese de estar a lidar com um falso investidor.

* E membro da direção da Global Entrepreneurship Network em Portugal

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Ana Barjasic trabalha com uma série de entidades dentro do sistema internacional de start-ups e investidores, como a Comissão Europeia e a Global Entrepreneurship Network (como membro da direcção em Portugal). Ana também é coordenadora da Business Angel Week desde... Ler Mais