Entrevista/ “Quando as pessoas se sentem mais incluídas, aumentam o seu envolvimento, a sua retenção e contribuem para a inovação”

Pedro do Carmo Costa, CEO da Pulsely

“O nosso plano é continuar a crescer com tecnologia que permita chegar a cada vez mais empresas, a mais geografias, e, sobretudo, ter impacto nessas empresas, nas pessoas e no negócio”, afirma Pedro do Carmo Costa, CEO da Pulsely.

A Pulsely, start-up portuguesa de analytics e diagnósticos de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), anunciou no mês passado a conclusão de uma ronda de investimento de 1,25 milhões de euros. A ronda foi liderada pela Lince Capital e contou também com a participação da Iberis Capital.

Fundada por Pedro do Carmo Costa, Betsy Bagley e Pedro da Cunha, a missão da Pulsely é a de desenvolver soluções para promover um ambiente de trabalho mais inclusivo. Através de uma plataforma SaaS, a empresa pretende fornecer ferramentas que visam aumentar o engagement, a retenção, a produtividade e o desempenho financeiro dos colaboradores, promovendo assim uma cultura corporativa mais sustentável e orientada para o futuro.

O Banco Mundial, Roche, Nações Unidas e L’Óreal são alguns dos clientes que já usam a plataforma da Pulsely.

O investimento agora recebido será usado ​​para acelerar a implementação da sua plataforma SaaS e expandir a equipa com a contratação de novos colaboradores até ao final de 2025, explica Pedro do Carmo Costa, CEO da Pulsely, em entrevista ao Link To Leaders.

Acabam de concluir uma ronda de investimento. Qual o objetivo?

Esta ronda vai permitir à Pulsely continuar a diferenciar-se na sua tecnologia e na qualidade da sua ciência. Queremos acelerar a implementação da plataforma SaaS, consolidar a nossa posição como líder na medição e monitorização de práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão. Em termos práticos, este investimento vai significar mais contratações nessas áreas até 2025

De que forma a Pulsely promove a inclusão no trabalho?

A Pulsely é líder em diagnósticos de Inclusão e trabalhamos com empresas em todo o mundo, em indústrias muito variadas. Os nossos clientes valorizam muito a nossa capacidade de identificar com dados e ciência quais os grupos demográficos internos que devem ser trabalhados para aumentar a retenção, o seu envolvimento e a capacidade de inovar.

“Com apoio da nossa equipa, os clientes usam a nossa tecnologia para colher as percepções dos colaboradores”.

Como funciona o processo?

Com apoio da nossa equipa, os clientes usam a nossa tecnologia para colher as percepções dos colaboradores. Com esses dados, a nossa ciência permite identificar os grupos em risco e o impacto na performance, assim como oferecer um conjunto de recomendações.

Quais os maiores desafios para promover a de Diversidade, Equidade e Inclusão nos locais de trabalho?

Diria que a falta de conhecimento sobre o tema. A ideia que de Diversidade, Equidade e Inclusão é contra alguém, quando na verdade é sobre criar um local de trabalho onde todos podem crescer, com benefícios óbvios para as pessoas e para a organização.

Quem são neste momento os clientes da Pulsely? Em que geografias operam?

Operamos em todos o mundo. Os Estados Unidos representam metade dos nossos clientes e os restantes estão na Europa e América Latina. Contamos com clientes como as Nações Unidas, Roche, Banco Mundial, Pirelli, L’Óreal, Nubank, entre muitos outros.

“O foco nos EUA é mesmo assegurar que todos sentem que fazem parte da empresa onde trabalham”.

Qual o país mais inovador nesta matéria?

Não qualificaria como inovador, mas talvez mais progressista: os Estados Unidos da América. Isto porque para muitas empresas nos EUA já não se trata de trazer e valorizar diversidade porque já operam assim naturalmente. O foco nos EUA é mesmo assegurar que todos sentem que fazem parte da empresa onde trabalham. É um país onde já está incorporado que inclusão não é apenas a coisa “certa” de se fazer, mas na realidade é algo importante para a performance de negócio.

Qual é o impacto do vosso trabalho na rentabilidade das empresas?

Quando as pessoas se sentem mais incluídas, aumentam o seu envolvimento, a sua retenção e contribuem para inovação. Tudo isto contribui inevitavelmente para o aumento da rentabilidade das empresas.

Que conselhos dá para as empresas promoverem a Diversidade, Equidade e Inclusão nos locais de trabalho?

O meu principal conselho é sair do discurso inconsequente e partir para a ação. E começar pelo princípio, ou seja, pelo diagnóstico. No fundo, tal como não nos passa pela cabeça tomar medicamentos para o fígado ou para os rins, sem que tenhamos um diagnóstico que nos sugira, também em DEI é necessário um diagnóstico que nos aponte para aquilo que importa mesmo cuidar.

“A equipa fundadora tem muita experiência em ciência e tecnologia e para nós foi óbvio que seria um espaço onde poderíamos contribuir com algo com valor”.

Como surgiu a ideia de criar a Pulsely?

Quando percebemos que o tema de DEI está cada vez mais na agenda de liderança das grandes empresas, até porque está muito ligada à agenda ESG, depressa sentimos que seria necessário criar analytics que permitam a esses líderes tomarem boas decisões e não apenas decisões baseadas em “achismos”. A equipa fundadora tem muita experiência em ciência e tecnologia e para nós foi óbvio que seria um espaço onde poderíamos contribuir com algo com valor.

Quais são os planos para o futuro?

O nosso plano é continuar a crescer com tecnologia que permita chegar a cada vez mais empresas, a mais geografias, e, sobretudo, ter impacto nessas empresas, nas pessoas e no negócio.

 

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