O Portugal Startup Outlook faz uma macro análise do panorama português de start-ups, salientando as tendências do ecossistema no último ano.

Depois de no início da semana termos revelado as principais conclusões do Scaleup Portugal Report – uma pesquisa da responsabilidade da aceleradora Building Global Innovators (BGI) e do EIT Digital, em parceria com a Informa D&B, com a Sempa/Next e Maze – revelamos agora algumas das conclusões da terceira edição do Portugal Startup Outlook, um outro relatório da responsabilidade das mesmas entidades.

Apesar de revelarem diferentes tipos de informação (o Scaleup Portugal foca-se na análise das 25 melhores start-ups portuguesas), ambos os relatórios têm como finalidade dar visibilidade ao ecossistema português de empreendedorismo e inovação, e fornecer aos seus membros uma ferramenta relevante para as suas tomadas de decisões.

O Portugal Startup Outlook faz o retrato do ecossistema e das suas tendências, com base na análise de 500 start-ups. “Podemos pensar nestes relatórios como se fossem um carro. O Portugal Startup Outlook seria um belo carro, ou seja, a parte externa. Já o Scaleup Portugal seria o motor”, explicou Otito Dosumu, Digital & Deep-Tech Manager da BGI, no evento de lançamento dos relatórios.

O Portugal Startup Outlook analisou o ecossistema de start-ups nacionais com base em cinco temas: start-ups, financiamento, fundadores, investidores e mercado. Esta edição inclui ainda uma seção especial sobre o impacto da Covid-19 no ecossistema.

Do conjunto de conclusões a que chegou o Portugal Startup Outlook, destacam-se alguns indicadores relevantes .A saber:

Por um lado, o financiamento recebido pelas start-ups portuguesas cresceu no último ano, tendo atingido um valor de 180 milhões de euros. Em 2020, este valor foi de 30 milhões de euros, o que significa um aumento de 488.28%.

Por outro lado, a maior parte das start-ups em Portugal utiliza o investimento recebido no desenvolvimento de novos produtos e serviços (29%) e no pagamento de salários (23%), enquanto no campo dos maiores desafios 29% apontou como principal desafio encontrar os investidores certos para os seus negócios e 22% mencionou a rede de contactos limitada.

Quanto à distribuição de start-ups por indústria, a maioria das start-ups em Portugal é de ecommerce (20%) e de tecnologias da informação (18%).

Já quanto aos desafios que as start-ups enfrentam para começar a atividade, cerca de 24% das analisadas no relatório consideram que garantir financiamento é um desses desafios, enquanto 17% apontou como entrave a burocracia dos serviços públicos e privados.

No cenário nacional destaque ainda para o facto da maioria do investimento ser proveniente dos Estados Unidos (28 %) e de Portugal (19%). As apostas dos investidores vão principalmente para empreendimentos early-stage, e focam-se maioritariamente em investimentos de série A e B (54%).

A experiência limitada dos fundadores (24%) é apontada como uma das principais barreiras ao investimento em Portugal. Quanto ao perfil dos fundadores, 64% são portugueses e 51% possuem mais de cinco anos de experiência.

Tendo em atenção o cenário de pandemia devido à Covid, 69% das start-ups afirma não ter recebido apoios do Governo durante a pandemia, enquanto 31% afirmam ter recebido. Desses apoios, cerca de 76% foi monetário.

Em 2021, Portugal teve 125 exits (17.60%), número de representa um aumento de 7.2% em relação ao ano passado (10.40%).

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