Este título até parece copiado de cabeçalhos das notícias das últimas semanas, no entanto, para mim, traduz-se num dos conceitos mais poderoso que humanidade tem.

Há cerca de seis anos, no início desta minha intensa, e ainda longa, caminhada pelo mundo das start-ups, empreendedorismo e inovação, escrevi na descrição do meu projeto a frase:

Criamos pontes entre todos os que desejam fazer a diferença no mundo. Porque um mundo conectado é uma ferramenta poderosa. Especialmente para uma missão como a de salvar o planeta.

Esbarrei nesta frase ontem. Quase como um reencontro inesperado com o Sérgio do passado. Acredito que por vezes é necessário fazer esta viagem no tempo para levantarmos as questões certas quanto à nossa existência e à pessoa que nos tornámos.

Tenho-me mantido fiel ao que acredito? Será que tenho conseguido representar bem a missão a que me propus?

Neste caso não tenho dúvidas que sim. Até me arrisco a dizer que são estas “auditorias internas” que nos permitem conhecer melhor a nós próprios e perceber qual o nosso caminho em direção à paz de espírito. Só assim me consigo avaliar e sentir que estou no caminho que me traz realização pessoal.

Uma pessoa que não sabe refletir é como um nadador que não sabe respirar. Não podemos passar a vida só a dar braçadas – obcecados em chegar mais longe e mais rápido ao destino que todos os outros. É preciso aprender a levantar a cabeça e respirar.

Sou a última pessoa a dizer que há receitas para o sucesso. Ou para a felicidade. Mas há procedimentos que não posso deixar de aconselhar – sejam auto-críticos, sejam flexíveis na decisão do caminho a percorrer, mas não percam o foco do vosso objetivo. No meio de toda a turbulência e imprevistos que a vida nos lança, este objetivo será sempre a estrela polar que vos vai orientar em todos os momentos de reflexão.

No meu caso, seis anos após ter escrito aquele mote, posso afirmar com toda a certeza que concordo a 100% com aquele rapaz ambicioso. Acredito que estou a fazer de tudo para fazer juz ao prometido. E assim o continuarei. Pois estou absolutamente convencido de que o segredo para uma mudança eficaz está na cooperação. Em unir os pontos.

John Nash, economista brilhante e muito reconhecido pelo sucesso do seu filme biográfico “Uma Mente Brilhante”, recebeu o Prémio Nobel reforçando que o melhor resultado provém de cada ponto decidir a sua estratégia pelo bem comum. Nenhum jogador tem a ganhar mudando a sua estratégia unilateralmente. Porém, isto é válido também para cenários de não cooperação. É preciso ir mais longe…

Já Saramago, afirmava que “ É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não sairmos de nós.”

Se cada pessoa é uma ilha, temos que aprender a criar pontes. São as pontes que nos permitem sair de nós. Aprender com umas ilhas. Inspirarmos outras. E vermo-nos.

Só com uma boa noção de nós próprios conseguiremos inspirar outros e provocar mudanças positivas no mundo.

Por isso, podem contar comigo para construir pontes. Sem portagens.

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Sobre o autor

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Sérgio Ribeiro é CEO e cofundador da Planetiers. Concluiu o mestrado em Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico de Lisboa. A sua tese de mestrado baseou-se na otimização da gestão de efluentes numa fábrica de biodiesel da Galp. Nos últimos... Ler Mais