Estamos num mundo onde a inovação é (ou deveria ser) a força motriz da nossa economia e das nossas empresas, que se veem a braços com dificuldades de produtividade. Para reverter o declínio da produtividade é fundamental fortalecer parcerias duradouras que tragam fatores disruptivos geradores de desenvolvimento.

Hoje, para que as empresas se tornem competitivas, já não basta a adaptação de produtos e processos às necessidades do mercado onde as empresas operam. Cada vez mais são as atividades que geram resultado inovador que contribuem para o desenvolvimento das empresas e para o crescimento da economia.

Os empresários e gestores começam a perceber cada vez mais que as universidades podem contribuir com a transferência do seu conhecimento para transportar valor e ser o elemento-chave que vai ajudar a gerar o resultado inovador que se procura.

No mundo vertiginoso da inovação é cada vez mais importante para as nossas empresas as relações, intercâmbios e sinergias realizadas com as universidades. É amplamente consensual considerar hoje que as universidades são um dos mais importantes stakeholders para garantir o sucesso dos projetos empresariais.

Aliás, o inverso também é verdade. Ou seja, a Academia também considera fundamental a parceria e a comunhão do ecossistema com as empresas para as convergências de sucesso no presente e futuro.

Tanto empresas como universidades têm a ganhar com essa convergência. Por um lado, as empresas, necessitam do talento para inovar e desenvolver os seus produtos e querem manter-se competitivas, conseguindo fazê-lo através desta aliança e parceria. Por outro lado, as universidades têm tudo a ganhar, porque estão a formar os alunos para integrar o mercado de trabalho e conseguem fazê-lo com mais facilidade, e também porque as experiências profissionais dos seus alunos podem acelerar e criar condições para que uma nova tecnologia ou solução de produto possa ser aproveitada em contexto de parceria direta com as empresas.

É, portanto, uma relação “win-win” que reflete cada vez mais a tese de que a consolidação de uma economia sustentável está cada vez mais ligada à necessidade da cooperação e (quase) fusão entre o meio académico e empresarial.

Ouvimos todos os dias defender que queremos fixar os melhores em Portugal, mas para isso é preciso procurar libertar as universidades de algumas amarras estatais e também assegurar às empresas privadas que a aposta em bons salários terá retorno.

Temos de apostar cada vez mais em jovens qualificados que estejam disponíveis para frequentar e valorizar as nossas universidades, formando-se com a excelência suficiente para assumir a liderança das nossas empresas.

A aposta na qualidade de ensino (público e privado) é fundamental e temos já bons exemplos em Portugal. Seguramente que se formos melhorando vamos fortalecendo esta relação entre empresas e universidades, que é fundamental para o futuro que se quer inovador e próspero.

As empresas querem cada vez mais inovação e esta é vista como a única forma de sustentar o crescimento do mercado, mas também como a chave para a evolução da educação a todos os níveis, principalmente no plano académico. Por isso mesmo o “casamento” entre empresas e universidades tem mesmo de ser real e não podemos apenas “namorar”, de quando em vez, sem criar as raízes necessárias para uma relação duradoura.

Para as universidades, principalmente em Portugal, o melhor que podem ter são as parcerias com as empresas, direcionadas para projetos de inovação, pois conseguem angariar novas fontes de financiamento para investigação e garantem a colocação dos seus jovens alunos no tão difícil e inacessível mercado de trabalho.

Para as empresas os ganhos são também reais e efetivos pois estas conseguem pessoal dedicado à I&D, garantindo que a investigação segue o caminho do sucesso com a hipótese de criar, testar e desenvolver produtos e inovações que geram resultados que contribuem para o seu desenvolvimento e também para o crescimento da economia.

Portugal só tem de reforçar esta aposta e seguir o bom exemplo dos Estados Unidos da América (EUA) que no final dos anos 70 e início de 80, viu nas universidades e nos seus recursos de pesquisa uma alternativa para reverter o declínio da produtividade e uma crise de competição que se vivia nos EUA e desde então, o relacionamento entre o setor académico e empresarial tem sido um dos fatores de crescimento da economia.

O sucesso, embora possa ter na sua génese uma boa ideia, assenta nas boas práticas e a relação entre empresas e universidades é uma prática que garante futuro, sucesso e inovação. 

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Sobre o autor

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Rodrigo Gonçalves nasceu em 1974, em Lisboa. Economista, gestor de negócios, empresário, consultor em liderança e gestão de equipas e um empreendedor apaixonado e resiliente. Licenciado em Ciência Política pela Universidade Lusíada, Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela... Ler Mais