PFU investe 3,3 milhões de euros para transformar Lisboa num hub europeu de inovação

Jesús Cabañas, Regional Sales Manager para a Ibéria da PFU. Foto: Grupo RICOH

O grupo japonês Ricoh, através da subsidiária PFU para a região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), tem um plano de expansão em Portugal avaliado em mais de 3,3 milhões de euros até 2031.

A PFU (EMEA) Limited — PFUE, empresa do Grupo RICOH, vai reforçar o investimento em Portugal com um plano de expansão superior a 3,3 milhões de euros até 2031, que pretende consolidar Lisboa como um centro europeu de apoio técnico, inovação operacional e desenvolvimento de soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA).

A decisão surge num momento em que a economia digital entra numa nova fase, marcada pela crescente integração da IA nos processos empresariais e pela valorização dos dados como principal ativo competitivo.

Para a PFU (EMEA) Limited (PFUE), a próxima grande transformação já não passa apenas por digitalizar documentos, mas por converter informação não estruturada em dados inteligentes, preparados para alimentar sistemas de automação e inteligência artificial.

“Na economia da Inteligência Artificial, a vantagem competitiva não começa no algoritmo, começa na qualidade dos dados. O verdadeiro desafio já não é apenas digitalizar documentos, mas transformar informação não estruturada em dados fiáveis, estruturados e acionáveis, capazes de gerar inteligência e acelerar decisões”, afirma Jesús Cabañas, Regional Sales Manager para a Ibéria da PFU (EMEA) Limited.

“Os scanners deixaram de ser uma simples infraestrutura de backoffice para se tornarem uma peça crítica na cadeia de valor da transformação digital. A próxima vaga de competitividade empresarial será definida pela capacidade de converter papel em conhecimento útil, e é por isso que estamos a investir num ecossistema integrado de captura documental, software e inteligência artificial”, acrescenta.

A PFUE opera atualmente em Lisboa com uma equipa especializada de 14 profissionais, responsável pelo suporte técnico de primeiro nível para toda a região EMEA, assegurando assistência a clientes e parceiros internacionais.

Nos próximos anos, a empresa planeia expandir esta estrutura, consolidando ainda mais a capital portuguesa como centro de excelência para operações de apoio.

Plano de crescimento acelera presença da PFU no mercado português

O plano estratégico da empresa assenta em quatro áreas prioritárias: a expansão do portefólio, com soluções de software para captura, gestão e estruturação inteligente de dados; o reforço do canal de distribuição, através de novos acordos com retalhistas e programas dedicados a parceiros especializados, como os VARs; o desenvolvimento de soluções com IA aplicada à digitalização documental; e a entrada e crescimento em setores estratégicos, como saúde, educação, justiça e administração pública.

A empresa antecipa ainda o lançamento de novas ferramentas de captura inteligente e automação documental, integradas num ecossistema tecnológico cada vez mais orientado para a cloud e para a IA.

Em paralelo, a PFUE está a reforçar a sua estratégia de canal em Portugal, tendo integrado dois novos distribuidores no último ano (TD SYNNEX e ESPRINET), com perspetiva de ampliar ainda mais a sua rede para garantir maior capilaridade e proximidade junto dos clientes.

A empresa mantém igualmente um programa de investimento contínuo e crescente nos seus parceiros, ajustado à evolução da procura e ao contexto geopolítico internacional. Ao mesmo tempo, o centro de suporte de Lisboa está a ser capacitado para alargar o portefólio de serviços prestados a parceiros e clientes.

Da digitalização documental à inteligência de dados

Apesar da aceleração digital, a PFU alerta para um fenómeno persistente nas organizações: a chamada “digitalização cosmética”, em que documentos físicos são simplesmente convertidos em PDF, sem criação de valor analítico.

A proposta da empresa passa por integrar hardware e software para garantir dados estruturados e de elevada qualidade; uma condição essencial para que sistemas de IA funcionem com precisão e fiabilidade.

“Trabalhar com dados de baixa qualidade é como conduzir um Fórmula 1 a 300 km/h com a viseira embaciada. Se os dados são imperfeitos, qualquer sistema de IA, por mais avançado que seja, vai amplificar erros em vez de criar valor”, sublinha o responsável ibérico da PFUE.

Com mais de 60 anos de experiência, uma base instalada superior a 15 milhões de equipamentos e posições de liderança global – incluindo 71% de quota no Japão, 42% na América do Norte e 33% na Europa, a PFU continua a investir fortemente em inovação tecnológica.

Entre as soluções mais recentes destacam-se o Clear Image Capture, uma tecnologia avançada para a melhoria da qualidade da imagem digitalizada, e o PaperStream Capture Pro Premium, uma plataforma inteligente e aberta para a ingestão de documentos, extração e classificação de dados. Esta solução permite obter dados de elevada qualidade a partir de documentos físicos e imagens, preparados para integração com tecnologias de RPA e Inteligência Artificial atualmente implementadas nas empresas.

A estratégia da PFUE estende-se igualmente à área da cultura e património, onde a digitalização desempenha um papel essencial na preservação e democratização do acesso ao conhecimento.

Entre os projetos já desenvolvidos destaca-se a digitalização dos arquivos históricos do Dicastério para a Comunicação, no Vaticano, incluindo documentos com mais de um século.

 

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