As inovações tecnológicas transformaram profundamente o modo como trabalhamos, aprendemos e nos relacionamos. Isto supõe um desafio para qualquer líder, mas para os líderes das empresas tecnológicas – que são um setor altamente competitivo – o risco de não estar à altura do desafio é especialmente marcante. Podem cavar um fosso entre a liderança e a equipa que a deixa incapaz de gerir, comunicar, de criar um ambiente de trabalho aliciante e reter talento.

Mas não podemos falar na liderança de equipas sem mencionar o elefante na sala: a Geração Z. A geração que nasceu a partir de 1995 já representa 15% da população ativa em Portugal e está todos os dias a chegar às nossas empresas de tecnologia. A primeira geração de nativos digitais ficou marcada pelas crises, e hoje são profissionais cautelosos, pragmáticos, expressivos, com um forte sentido de justiça e consciência ambiental.

Não é surpreendente que valorizem um líder (LEO) – e não um chefe (CEO) – acessível, de confiança e justo, com uma visão e estratégias de negócio responsáveis (Deloitte/Network of Executive Women [NEW]). Querem sentir-se apoiados no local de trabalho e preferem um ambiente de trabalho criativo, amigável e que ofereça segurança salarial.

Contudo, a transformação cultural durante a era digital vai muito mais além da Geração Z. É transversal à sociedade. Para serem eficazes, os líderes das tecnológicas precisam de se integrar na cultura digital, conhecer as ferramentas de comunicação, facilitar os novos métodos e preferências de aprendizagem, e estar taco a taco com os membros da sua equipa em qualquer sistema digital. Há quem possa pensar que as tecnológicas estão “imunes” a este síndrome, mas o excesso de confiança é um pecado capital para as empresas de TI.

Sem essa cultura digital é impossível responder a outro dos maiores desafios do nosso tempo: o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Cada vez é mais urgente proporcionar flexibilidade e respeitar o trabalho assíncrono para reter talento. Um bom líder precisa de saber gerir projetos, recomendar as melhores ferramentas e estimular o trabalho colaborativo mesmo nestas circunstâncias.

O novo local de trabalho é hiperconectado, o que propicia um fluxo de comunicação constante que mantém toda a empresa em sintonia. Aliás, são estas tecnologias que permitem captar todo o tipo de dados e criar uma cultura data-driven. O que, por sua vez, tem duas vantagens: por um lado, consegue tomar decisões mais ponderadas; por outro, promove a transparência, que é cada vez mais valorizada pelos colaboradores.

Há muitas expetativas sobre como deve ser um líder de uma empresa tecnológica no início desta década. A boa notícia é que também existem muitas oportunidades para corresponder. A cultura empresarial das tecnológicas pede capacidade de adaptação, inovação e coragem de arriscar, não cautela. A inteligência artificial, o Big Data e o Machine Learning são terrenos férteis e que já pode explorar para gerir melhor a equipa e orientá-la no caminho certo.

As tecnologias avançadas são especialmente eficazes a eliminar barreiras e a democratizar o acesso à informação. No seio de uma empresa, é fundamental os líderes usarem a tecnologia para eliminar os chamados silos organizacionais, que dificultam o trabalho em equipa e são contraproducentes para a cultura colaborativa e estimulante que muitos dos novos talentos procuram.

Atrevo-me a dizer que tudo isto culmina na expetativa de uma holacracia, ou pelo menos de hierarquia horizontal, que incentiva e inspira os colaboradores a atingir o seu potencial. Já não é novidade, mas agora é imprescindível que um líder – ênfase na palavra líder –  segure os alicerces para que a sua equipa experimente, evolua e inove. No ramo tão competitivo quanto o das Tecnologias de Informação, pode ser a diferença entre ganhar uma vantagem competitiva… ou desvanecer na espuma dos dias.


*Especialista em gestão e liderança com 15 anos de experiência no setor das Tecnologia de Informação na área Comercial e Marketing. Licenciada em Informática de Gestão e com formação executiva em Liderança pela Universidade Católica, fundou a OUTMarketing Portugal em 2007 e a OUTMarketing Brasil em 2012. Atualmente, desempenha funções de gestão, comercial e estratégia de expansão de negócio nos dois mercados, acumulando, assim, uma experiência das melhores práticas de marketing e comunicação direcionadas para as empresas de TI, B2B.

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