Opinião

O voluntariado corporativo e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Margarida Couto, presidente do GRACE*

Quando em setembro de 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram lançados como parte da Agenda 2030 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, com a aprovação, por unanimidade, dos 193 Estados-membros da ONU, ficou muito claro que a prossecução dos ODS é um objetivo em si mesmo tão exigente, que só pode ser alcançado se todos, sem exceção – Governos, instituições públicas, escolas, universidades, empresas privadas e públicas, organizações em fins lucrativos, cidadãos – se envolverem de forma empenhada, em todas as partes do mundo, em torno de um esforço comum.

Então como hoje, ninguém duvida do papel que cabe às empresas na tradução em realidade da visão da Agenda 2030 das Nações Unidas, nem da especial responsabilidade que necessariamente lhes cabe enquanto agentes incontornáveis da mudança que o cumprimento dos ODS pressupõe.

Como referiu Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas à data a aprovação da Agenda 2030, “as empresas são um parceiro vital para alcançar os ODS. As empresas podem contribuir através das suas atividades principais e instamos as empresas do mundo inteiro a avaliar os seus impactos, definir objetivos ambiciosos e comunicar os resultados de forma transparente”.

É inequívoco que uma das formas – porventura das mais poderosas – em que as empresas podem dar o seu contributo para a prossecução dos ODS, é através do voluntariado corporativo e da inerente disponibilização do tempo, das capacidades e das competências dos seus colaboradores para a resolução de problemas sociais e ambientais complexos. O que hoje é pedido às empresas é assim que usem bem a oportunidade de fazer do voluntariado corporativo um investimento de capital humano em prol da Agenda 2030, mediante o alinhamento das suas ações de voluntariado com os ODS.

O GRACE, enquanto associação de referência em Portugal em matéria de responsabilidade social corporativa e de sustentabilidade, promoveu desde sempre o voluntariado corporativo, nomeadamente através da iniciativa GIRO (GRACE, Intervir, Recuperar, Organizar) que, ao longo de 13 anos permitiu que, uma vez por ano, muitas centenas de colaboradores das empresas suas associadas participassem, num mesmo dia (o dia GIRO) em ações relevantes de Norte a Sul do país, incluindo ilhas, e orgulha-se de, até à data, ter levado mais de 8.600 voluntários a intervir em 75 locais, em benefício de mais de 150 entidades sem fins lucrativos.

Treze anos volvidos, chegou a hora de dar um novo formato ao GIRO, transformando-o num programa de voluntariado de continuidade totalmente alinhado com os 17 ODS, dando assim o GRACE, mais uma vez, o exemplo em matéria de voluntariado corporativo: e assim nasceu o GIRO2.0, que passa a ter a duração de um ano, e não de um dia, e que pretende ajudar as empresas a identificar corretamente os problemas societais para cuja resolução podem contribuir e a envolver-se em ações de voluntariado corporativo ligadas aos ODS para cuja prossecução escolheram trabalhar, junto de entidades da economia social cuja ação dá resposta a um ou mais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Este novo formato, que, entre outras virtudes, permite uma real avaliação do impacto do voluntariado corporativo desenvolvido junto destas entidades sem fins lucrativos, foi apresentado no passado dia 12 de julho perante uma enorme plateia de empresas fortemente envolvidas em ações de voluntariado e entusiasmadas com o potencial do GIRO2.0.

No mesmo dia, e também com o envolvimento do GRACE, foi “lançada a primeira pedra” da criação em Portugal de um Regional Council do Impact 2030, uma poderosa iniciativa do setor privado, de cariz internacional, desenvolvida em colaboração com as Nações Unidas, e que tem por missão ativar o investimento das empresas em capital humano através de ações de voluntariado corporativo destinadas à prossecução dos ODS. Portugal pode assim orgulhar-se de estar entre a primeira dezena de países a ter um Conselho Regional do Impact 2030 e de, por essa via, ativar o poder das empresas em juntar forças em prol do cumprimento da Agenda 2030 das Nações Unidas.

*Presidente do GRACE em representação da Vieira de Almeida & Associados – Sociedade de Advogados

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Margarida Couto

Margarida Couto

Margarida Couto é licenciada em Direito e pós-graduada em Estudos Europeus, pela Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa. Integra a Sociedade de Advogados Vieira de Almeida & Associados (VdA) desde 1988, sendo a sócia que lidera a área de prática de Telecomunicações, Media e Tecnologias da Informação e a área de prática do Terceiro Sector e Economia Social. É a sócia responsável pelo Programa de Pro Bono e de Responsabilidade Social da VdA, presidindo ao Comité Pro Bono... Ler Mais..

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