Na capa da revista The Economist (2017) em destaque principal lê-se: “The world’s most valuable resource is no longer oil, but data”. Neste famoso artigo é apresentado um novo “recurso”, os dados, e uma nova indústria lucrativa e em rápido crescimento.

Há mais de um século que o petróleo ocupava esse lugar. Embora o ranking das 10 empresas mais valiosas do mundo (2019) ainda tenha em primeiro lugar a Saudi Aramco (Saudi Arabian Oil Company) uma petrolífera com um valor superior a 1,9 trilhões de dólares, os quatro lugares seguintes são ocupados por empresas de TI (Tecnologias de Informação). Os “gigantes” Microsoft, Apple, Amazon e Alphabet são alguns dos responsáveis e maiores impulsionadores deste novo petróleo que são os dados.

Contudo, se numa primeira vaga, relacionada com a explosão dos dados, o crescimento foi exponencial, agora aparecem outros fatores que vão impulsionar ainda mais este crescimento. E as APIs (Application Programming Interface) têm neste crescimento um papel fundamental. Sinteticamente, uma API é um conector, uma interface, um elo de ligação entre diferentes sistemas, aplicações, programas e até linguagens de programação. Um ponto de ligação seguro que permite o consumo ou fornecimento de dados.

Surge assim a chamada ECONOMIA DAS APIs. Embora possa parecer mais um novo “chavão”, esta nova economia está a transformar e a impulsionar o crescimento de novos negócios, aplicações e formas de interagir.

A lógica acaba por ser muito simples: do volume de dados produzidos apenas uma parte é normalmente aproveitada para consumo interno. Assim, o restante volume de dados pode tornar-se disponível para ser usado por outras entidades. Esta tem sido a lógica que tem impulsionado esta tecnologia.

Muitos são os casos de sucesso da aplicação desta tecnologia. Por exemplo, o Google Maps, o Waze, ou similares, que comercializam e partilham dados com outras aplicações e serviços, e que permitem a construção de fontes de informação sobre demografia, mobilidade, sinistralidade, etc. Enfim, um conjunto amplo de dados a que outros acedem e transformam em valor.

Temos ainda as indústrias financeira e seguradora, ou mesmo de logística, que através do uso desta tecnologia permitem que terceiras partes possam comercializar de forma indireta serviços, produtos ou partes dos seus serviços e produtos, de forma rápida e segura. De resto, em Portugal temos bons exemplos: o caso dos CTT e SIBS.

Estamos perante um verdadeiro mundo de oportunidades que se intensificará com a maior generalização desta tecnologia. Exista, pois, a vontade e a visão para compreender que “sozinhos podemos ir mais rápido”, mas em conjunto podemos ir muito mais longe.


Emanuel Serrano é membro da Comissão Executiva da Compta, ocupando ainda diversos lugares de destaque dentro do mais antigo grupo tecnológico nacional. Na verdade, é presidente e administrador da Compta Business Solutions e administrador da Bee2Fire, uma empresa especializada na deteção antecipada de incêndios com recurso a AI (Inteligência Artificial).

Possui formação em Eletrónica e Telecomunicações, pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, em Empreendedorismo e Gestão de Empresas, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão – ISEG/IFEA, tendo ainda realizado o Programa Avançado de Gestão para Executivos (PAGE), na Universidade Católica de Lisboa. Detentor de uma carreira profissional sempre ligada ao setor das TI (Tecnologias de Informação), Emanuel Serrano desempenhou várias funções de gestão, tendo liderado inúmeros projetos de transformação digital em tantos outros setores de atividade que são hoje referências quer no mercado nacional, quer internacional. Tem sob a sua responsabilidade o disruptivo departamento de R&D do grupo COMPTA, equipa responsável pela criação e desenvolvimento da oferta de produtos próprios, assentes em tecnologias emergentes como IA ou IoT (Internet das Coisas), para os mais distintos setores: Smart Cities, Energia, Ambiente, Investigação Criminal ou Deteção de Incêndios.

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