Ter a oportunidade de conhecer a componente legal e as especificidades socioculturais de mercados para onde desejam expandir os seus negócios. É este o objetivo da iniciativa “Negócios com Mundo”, que tem a chancela do BPI e do CaixaBank, e que já vai na sua segunda edição.

Os empresários portugueses reuniram-se no passado mês de junho com os representantes do Grupo CaixaBank de Marrocos, Argélia, Egipto, Turquia e Dubai. A iniciativa teve como objetivo permitir que os clientes do BPI pudessem beneficiar da experiência e conhecimento da rede internacional do grupo, que está presente em mais de 20 países.

“O CaixaBank desfruta de uma posição privilegiada na zona, com sucursais operacionais em Marrocos e escritórios de representação na Argélia, Egito e Dubai, proporcionando aos interessados o apoio, acompanhamento e conhecimento profundo dos mercados, usados ​​para manter uma comunicação mais fluída e intensa com nossos bancos correspondentes, explicou Juan Torreguitart, director de International Branch Network do CaixaBank, ao Link To Leaders.

Uma opinião reforçada por Mar Santana, diretor de Foreign Trade & Risk Management do CaixaBank que refere que a iniciativa “Negócios com o Mundo é uma forma de impulsionar as sinergias entre ambas as entidades [BPI e o CaixaBank], para complementar a oferta de produtos e serviços no acesso a diferentes mercados. Chega aliás no momento mais oportuno, já que entrou em vigor o Acordo de Livre Comércio Continental Africano (AfCFTA), com o objetivo de criar um mercado único, uma área de livre circulação de pessoas e uma união monetária. Uma vez plenamente operacional, criará a maior área mundial sem tarifas”.

Quando questionada sobre quais os desafios que o Caixabank enfrenta para apoiar as empresas na implementação das suas estratégias empreendedoras além-fronteiras, Santara refere que o banco espanhol “tem, por um lado, a compreensão do mercado local de forma independente, em função do produto ou serviço oferecido ou procurado por cada empresa; não apenas em termos quantitativos (tamanho do mercado, quotas, crescimento), mas também qualitativamente (estrutura de mercado, concorrentes, padrões de comportamento do cliente)”.

Por outro lado, continua a responsável, “o banco tem a integração regional necessária para impulsionar a liberalização comercial destes países e o sucesso das zonas de livre comércio estabelecidas com a UE e com os Estados Unidos. Até ao momento, o Norte da África e Médio Oriente é a região do mundo com menor percentagem de trocas comerciais internas sobre o comércio exterior total, incluindo os países do Golfo Pérsico, uma situação que esperamos que melhore com a implementação do O Acordo de Livre Comércio Continental Africano (AfCFTA)”.

Existem atualmente cerca de 3.800 empresas portuguesas a exportar para Marrocos, Argélia, Egipto, Turquia e Dubai, segundos dados do BPI.

Se uma start-up portuguesa quiser exportar para estes mercados, deve “apoiar-se num parceiro que possa orientá-lo com profissionalismo e experiência. Os diferentes organismos governamentais orientados à exportação podem ser extremamente úteis na elaboração de uma estratégia de internacionalização nestes territórios, tão importante quanto a colaboração de um banco que possui as ferramentas financeiras necessárias, bem como o conhecimento e os contactos com os players bancários”, aconselha Torreguitart.

Em 2018, a iniciativa “Negócios com o Mundo” teve como foco os mercados da Alemanha, Marrocos, Reino Unido e Polónia e “este ano decidimos abordar outros, menos tradicionais, mas com interesse e expressão nas nossas exportações. O feedback em ambas as edições foi muito positivo. Os clientes consideram as informações obtidas muito relevantes e úteis, quer as que se referem aos aspetos económicos, quer as questões relacionadas com as especificidades culturais, cujo conhecimento é essencial para assegurar, da melhor forma, a entrada no mercado, a condução dos negócios e das parcerias locais”, revelou Pedro Barreto, administrador do BPI responsável pela Banca de Empresas e Institucionais do BPI, em entrevista ao Link TRo Leaders.

São as empresas da construção, produção de máquinas, extração de mármore e outras pedras similares, equipamentos eletrónicos e telecomunicações, metalomecânica, indústria têxtil e o agroalimentar que mais recorrem às sessões organizadas no âmbito do “Negócios com o Mundo”. Em termos de dimensão, as empresas com maior perfil para este tipo de evento são as PME e as grandes empresas. As microempresas ainda têm alguma dificuldade em exportar, por limitações estruturais e financeiras, concluiu Pedro Barreto.

 

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