Falámos com João Jesus e ficámos a saber qual o negócio que o CEO da Cuckuu gostaria de ter criado, se não tivesse lançado a aplicação de alarmes. E podemos dizer que até encontrou complementaridade entre os dois projetos. Ora veja.

Gosta do alarme que o obriga a sair da cama todos os dias? A resposta mais provável será não. Talvez queira experimentar a Cuckuu, uma aplicação mobile portuguesa que torna os alarmes em algo divertido e social e que é apoiada pela Microsoft no âmbito do Ativar Portugal.

Tendo já perto de 15 mil utilizadores mensais e com a intenção de se expandir até setembro para os Estados Unidos, Reino Unido e alguns países africanos, a Cuckuu está, neste momento, avaliada entre 10 e 15 milhões de euros, segundo João Jesus, o CEO da start-up portuguesa.

Contudo, no ano passado esta avaliação não foi aceite pelos investidores do “Shark Tank”. O CEO da Cuckuu referiu ao Link to Leaders que o objetivo principal da participação no programa televisivo “foi sempre a promoção da Cuckuu; nessa área correu bastante bem, pois conseguimos bastantes downloads”. Apesar de não terem conseguido um investimento em televisão, a equipa recebeu o apoio monetário de alguns business angels.

Até ao final de 2017, João Jesus diz querer “fechar o nosso round de investimento, aumentar a equipa de desenvolvimento em Portugal, expandir para o mercado dos EUA e atingir os 100 mil utilizadores com uma taxa de 50% de utilizadores ativos por mês”. A longo prazo, a Cuckuu espera poder substituir os alarmes de todos os telemóveis do mundo.

E se a equipa da Cuckuu tivesse tido outra ideia? O Link to Leaders entrevistou o CEO da aplicação portuguesa, para perceber que outro negócio a equipa gostaria de ter desenvolvido.

LTL: Uma ideia que gostariam de se ter lembrado. Porquê?

João Jesus (JJ): Para mim, a ideia que gostava de me ter lembrado tem a ver com os meus gostos pessoais, e não só por achar que é uma das empresas com maior potencial para se tornar uma das mais poderosas do mundo, a Netflix.

A maneira como a Netflix mudou a forma de consumirmos filmes e televisão é impressionante. Mas o que ainda acho mais incrível foi a coragem que tiveram em apostar em conteúdo deles e de acharem que podiam competir com os poderes estalecidos. Acho que todas as grandes ideias têm que ter coragem e pessoas que acreditam nelas.

A maneira como a Blockbuster teve a oportunidade de os adquirir e não aproveitou mostra que, mesmo tendo a ideia à sua frente, não viu o seu potencial, pois este foi sempre pensado como um caminho que necessitava que a tecnologia acompanhasse. Agora acho que ninguém duvida que o futuro não vai ser televisão convencional, mas cada vez mais Netflix e outras companhias como eles.

Sendo um apaixonado por cinema esta era uma empresa em cuja criação adorava ter estado envolvido, pois acho que ainda vamos ver muito mais do seu potencial a ser desenvolvido, principalmente se os rumores de ser adquirida pela Disney forem verdade.

LTL: Se tivessem seguido por esse caminho, o que teriam feito?

JJ: Bem, acho extremamente complicado pensar em fazer algo diferente ou melhor, pois acho que, até ao momento, provou-se que as estratégias escolhidas têm sido corretas. Talvez tivessem tido a oportunidade de entrar no mercado do streaming de música antes do Spotify se ter estabelecido tão forte ou até fazer uma aquisição do Spotify. Acho também que um mercado com bastante potencial, onde a Netflix podia tentar entrar, era na parte dos videojogos.

Mas, dito isto, acho que ainda estão no seu percurso, uma vez que já conseguiram em tão pouco tempo é incrível. Algo que sem dúvida teria feito também seria a questão dos live events e de pay for view de desporto, que considero ser uma das poucas razões pelas quais as pessoas ainda têm televisão tradicional.

Mas, como disse antes, o caminho escolhido por eles mostrou muita coragem, pois abandonaram conteúdos com provas dadas e apostaram tudo em conteúdos exclusivos e assim posicionaram-se como um serviço que não tem alternativas. Essa é a coragem que quero acreditar que ia ter e que quero ter para a minha start-up.

LTL: Como integrariam a Cuckuu nessa ideia?

JJ: A Cuckuu podia ser integrada em todas as plataformas da Netflix, como a questão de reminders para podermos convidar todos os nossos amigos quando as séries são lançadas e, quando o alarme toca, termos vídeos dos atores a interagir connosco, para sentirmos uma ligação mais pessoal com o que vamos ver.

A Cuckuu é uma plataforma que usa as ligações das pessoas para partilhar conteúdos nos horários mais relevantes. Isto é algo que facilmente podíamos integrar com a maior plataforma de conteúdos do mundo.

A outra maneira como a Cuckuu podia ajudar seria com os dados e informação das rotinas das pessoas, para que a Netflix fosse mais relevante para cada utilizador, recomendando conteúdos nos horários em que estou mais livre e coisas que para mim possam ser relevantes naquele momento, e ligando-me a uma comunidade que seja como eu, fazendo assim com que o meu consumo de conteúdo seja um ato social e onde ninguém se sente sozinho.

Comentários