Pedro Lopes, o jovem fundador dos cadernos reutilizáveis InfiniteBook, fala do projeto que criou aos 17 anos e do desafio que foi criar uma start-up que continua a inovar e a lançar novos produtos.

Criada há três anos, a InfiniteBook já vendeu mais de 60 mil cadernos reutilizáveis e está no Top da Amazon, na categoria Office. A aposta de Pedro Lopes no mundo dos negócios foi bem sucedida e acaba de dar mais um fruto: o InfinityBook Entrepreneur, um caderno direcionado para os empreendedores.

O que leva um adolescente a criar uma start-up como o InfiniteBook?
Sempre tive uma enorme vontade de criar coisas novas, de desafiar o status quo. O InfiniteBook surgiu do meu descontentamento com as soluções que havia no mercado para resolver o meu problema a estudar.

O que foi decisivo no lançamento da empresa?
Pode não ser a resposta politicamente mais correta, mas não pensar demasiado sobre o futuro, sobre os problemas que estavam para vir, sobre a quantidade de horas que iria ter de dispensar neste emprego a super full-time, foi o que fez com que não ficasse com medo de avançar. Foi o atirar-me de cabeça e esperar que lá pelo meio arranjasse forma de colocar um capacete.

Quais os desafios que encontrou pelo caminho?
Um dos principais desafios foi, e continua a ser, a minha idade. Embora sinta que o panorama em Portugal está a mudar, a mentalidade da maior parte dos empresários faz com que muitas vezes não me levem tão a sério. Como não tenho uma start-up 100% tecnológica, onde já é hábito os fundadores serem jovens, esse problema ainda se torna mais evidente. Outro grande desafio é o psicológico. Ouvir não todos os dias. Chegar ao fim do dia e não ter ninguém para culpar pelo que correu mal. Ter algo 24/7/365 dependente do nosso trabalho. Ter de lidar com a pressão de pagar as contas no final do mês. Tudo isso custa bastante e tem um impacto inimaginável numa pessoa. O desafio é lutar todos os dias contra a vontade de desistir e de me conformar com os estudos ou com um emprego estável. Mas nunca serei um conformista. Sei que no dia que desistir, vou voltar a um lugar em que o meu único desejo era estar onde estou agora. Qualquer empreendedor, sem exceção, vai ter de lidar com o pensamento de desistir. Para ter sucesso tem de encontrar uma forma de o afastar, todos os dias.

A empresa conta apenas com capitais privados?
Neste momento, o InfiniteBook conta também com a participação da Brave Generation, do Tim Vieira. Fomos pescar um “tubarão” fora do lago.

Qual o balanço que faz destes três anos de existência?
Foram bastante positivos. Conseguimos crescer substancialmente, de ano para ano, e atingir todos os objetivos propostos.

Porquê um caderno reutilizável?
O InfiniteBook surgiu simplesmente porque nunca gostei de estudar a lápis, não desliza bem nas folhas, nem com caneta porque não posso apagar. Antes do InfiniteBook tentei utilizar um quadro branco no meu quarto, mas o espaço útil é pouco e não o podemos simplesmente arrancar da parede e levá-lo connosco. Utilizando um provérbio português, a necessidade aguça o engenho. A partir daí foi tornar esse quadro portátil e daí surgiu o primeiro protótipo do InfiniteBook.

Para além da componente ambiental, quais as vantagens de utilizar um caderno InfiniteBook e não um tradicional?
A grande vantagem passa pela possibilidade de reutilização e pela experiência de escrita que oferece, semelhante a um quadro branco. Não é só mais um caderno. Representa muito mais do que isso. É um símbolo de liberdade, de ser criativo, de aprender, de errar. De apagar e começar do zero.

Quantos cadernos já venderam até ao momento?
Até ao momento, já vendemos cerca de 60 mil cadernos. O nosso target passa por estudantes, empreendedores, pessoas da área IT e project managers. Temos ainda a componente corporativa com a oferta de um leque de possibilidades de personalização.

O que tem contribuído para o InfiniteBook estar no Top da Amazon na categoria Office?
Penso que o principal, além de sentirmos que as pessoas gostam, é o cuidado que temos com os clientes e a importância que damos ao feedback que nos transmitem. Temos ainda a sorte, se bem que eu não acredito muito em sorte, de ter sempre excelentes reviews nos produtos, o que incentiva potenciais clientes a darem o passo seguinte e a comprarem.

O que têm feito para divulgar o produto a nível nacional e internacional?
Temos apostado numa estratégia online através das redes sociais, blogs e youtube, e participado em alguns eventos organizados por jovens nas universidades que nos permitem ter contacto direto com o nosso target, de forma a ter um produto cada vez mais moldado às suas necessidades.

Que outros produtos pensa lançar no futuro? Quais as inovações que tem previstas para o futuro?
Dentro do InfiniteBook atual temos pensado em melhorias de design, novas capas, novos templates nas folhas. Em relação a produtos diferentes, temos dois protótipos que queremos lançar no final deste ano, início do próximo. Lançámos esta semana um InfiniteBook direcionado a empreendedores. Veio resolver um problema comum. A falta de organização diária. Um empreendedor tem tanta coisa para fazer que acaba perdido no trabalho e não se foca a 100% nas tarefas. O InfiniteBook tem to-do lists de tarefas urgentes, de tarefas a fazer naquele dia e pessoas a contactar. Tem também folhas em branco para dar liberdade de criar. É um produto que acredito poder vir a ajudar muitas pessoas.

Faz parte da estratégia da empresa lançar uma componente digital do produto, como uma app?
Sim, acreditamos que o futuro passa por aí. Temos a ideia de fazer uma app, com a componente de scan e armazenamento na cloud, há algum tempo, mas ainda não foi possível realizar esse projeto. É algo que está no topo das nossas prioridades.

É fácil ser-se empreendedor aos 21 anos?
Nada fácil. Para além de ser novo, e às vezes não ser levado tão a sério, existem outros fatores que tornam este percurso complicado. Esta é uma idade para conhecer pessoas, sair à noite, passar tardes na esplanada com os amigos, ir viajar com a namorada. É muito complicado equilibrar a vida social, profissional e académica. Por um lado, não queremos perder os twenties a trabalhar 24/7. Por outro, sabemos que é uma oportunidade única e que no futuro tudo irá compensar. Basta ter paciência.

Que conselhos dá a quem quer lançar uma start-up?
Não lancem. A sério. O mundo do empreendedorismo está cheio de wanna be entrepreneurs. De “empreendedores” porque está na moda, porque é cool, porque acham que vão ficar bilionários e andar a mostrar a boa vida no Instagram. Quem é que no seu perfeito juízo ia querer, por vontade própria, aguentar esta vida? Um empreendedor tem de ser alguém que não aguenta as coisas como estão, que tem uma necessidade maior que ele próprio de criar algo novo. Aí sim, se for esse o caso, tenho alguns conselhos. Porque quando se cria uma star-tup, começa a mais longa, mais difícil, mas mais gratificante jornada da nossa vida.
Há tantos conselhos que gostava de ter ouvido quando comecei o InfiniteBook, mas há um que se destaca: deixem de se dar com pessoas que não vos querem ver vencer e comecem a rodear-se de pessoas positivas. A vossa vida vai ser 200% mais fácil. Não deixem de viver apenas por terem uma empresa. Estejam com a família e com os amigos. Por pouco tempo que seja. O sucesso sozinho é insucesso.

Qual o empreendedor a quem gostaria de entregar um InfiniteBook?
A Brian Chesky, co-founder da Airbnb. Porque me mostrou que tudo é possível. Que mesmo depois de ser rejeitado dia sim, dia sim, e de lhe dizerem que a ideia era péssima, conseguiu transformar o Airbnb na empresa que é hoje. Por ter conseguido dar a volta em todos os maus momentos através de ideias criativas.

Respostas rápidas:
O maior risco: Ter criado uma empresa aos 17 anos.
O maior erro: Deixar arrastar problemas.
A melhor ideia: InfiniteBook
A maior lição: Ter sempre plano A, B, C, D. Não acreditar que todas as pessoas querem o nosso sucesso.
A maior conquista: Ter criado uma empresa aos 17 anos (às vezes o maior risco traz a maior recompensa).

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