Desde o boom das aplicações de smartphone que potenciaram a mobilidade, cada vez é mais difícil, mesmo para as insígnias mais conhecidas, conseguirem ser a plataforma de eleição dos consumidores.

Atualmente, grande parte dos early-adopters deste tipo de tecnologia intercalam entre as várias plataformas de mobilidade, de forma a pesarem o tempo de espera pelos motoristas e o preço das viagens. Adicionando isto ao facto de cada vez haver mais oferta, é cada vez mais relevante que estas empresas criem uma ligação permanente com os seus utilizadores.

Esta ligação não pode ser feita através de baixas de preço, visto que estas plataformas precisam de lucrar para continuarem a crescer e a manter o interesse dos seus condutores. Apesar de haver campanhas promocionais onde os preços são reduzidos, as líderes do mercado estão num contínuo esforço de tentar melhorar o serviço através da tecnologia para oferecerem características de que os seus competidores não dispõem.

A primeira empresa a tentar desenvolver um novo modelo de negócio que melhore substancialmente a relação empresa-cliente é a Lyft, que ainda não opera em Portugal. A solução passa por implementar um sistema de subscrição e é inspirada nos modelos de negócios de empresas como o Spotify e a Netflix.

“Pode-se inscrever num plano da Lyft como se subscreve um plano premium do Netflix ou do Spotify”, referiu o presidente e cofundador da Lyft, John Zimmer a um jornalista da Wired.

Apesar de ainda estar numa fase, avançada, de testes é relativamente fácil perceber como é que a empresa pode beneficiar com este novo modelo. Este tipo de estratégia aumenta a fidelidade dos clientes a uma marca, visto que muda o comportamento e cria hábitos que não existiam anteriormente.

Para além de melhorarem as relações com os clientes, estes modelos de subscrição são bastante atrativos para os investidores. Tendo em conta que a Lyft se está a preparar para se listar na bolsa com uma initial public offering (IPO), este novo método de fidelização pode ser mais um motivo para os investidores apostarem na empresa.

Apesar do modelo de subscrição ser uma tendência dos últimos anos das empresas que operam no meio digital, as plataformas de mobilidade oferecem outro tipo de resistência ao formato. Um dos problemas mais óbvios é o simples facto das empresas do meio digital terem custos quase fixos, algo que não acontece com as plataformas de mobilidade, visto que os custos variam dependendo da viagem.

Segundo as declarações de Robbie Kellman Baxter, autora do livro “The Membership Economy”, ao Wired, a grande dificuldade vai passar por definir um preço que não leve a empresa à bancarrota, mas que se mantenha atrativo tanto para os condutores como para os utilizadores.

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