Opinião
Mind Your Business, Man! We Want Global Peace
“Nasci em Reno N’djaka, um bairro de Bissau onde a pobreza era financeira, mas a humanidade era bilionária. Se lá conseguíamos viver em paz entre Mesquitas e Igrejas, porque é que as grandes potências não conseguem? Este é um manifesto sobre como a obsessão pelo controlo global está a destruir o equilíbrio necessário para o crescimento das nossas empresas e o bem-estar do nosso “panier de la ménagère”. Quando o ego geopolítico invade o meu business, a resposta é apenas uma: Mind your business, man! Deixem as nações em paz. Let the world breathe!”
Sempre acreditei num princípio fundamental: os problemas internos de um país pertencem a esse país. Quer falemos de iranianos, americanos ou israelitas; quer o contexto seja muçulmano, judeu ou cristão. Se uma nação é democrática ou não, se é livre ou vive oprimida, isso é, em primeira instância, um assunto deles.
Mesmo no meu próprio país ou no meu continente, nem sempre concordo com o que vejo. No entanto, escolho muitas vezes o silêncio sobre o que não domino. Faz parte da minha liberdade: a decisão consciente de engajar ou não engajar. Mas existe uma linha vermelha que, uma vez cruzada, muda tudo.
Quando as decisões de outros países começam a impactar o meu “panier de la ménagère”, o my business, a economia global, os preços da energia e a integridade das cadeias de abastecimento, então a conversa muda de tom. Quando o caos externo trava o crescimento das nossas empresas e o bem-estar das nossas famílias, aí sim: isso torna-se My Business!
Hoje, os conflitos no Golfo — motivados por geopolítica, ego ou ambições de controlo — deixaram de ser notícias distantes para se tornarem obstáculos reais ao progresso. Estamos a ver negócios paralisados e uma incerteza asfixiante. Tudo porque algumas nações acreditam que têm o direito de decidir não apenas dentro das suas fronteiras, mas também dentro das fronteiras dos outros.
Para entenderem a minha frustração, preciso de vos levar ao lugar onde tudo começou.
Reno N’djaka: A riqueza da tolerância
Nasci na Guiné-Bissau, num dos bairros mais pobres de Bissau. Mas a nossa pobreza era estritamente financeira; em humanidade, éramos bilionários. Sou muçulmano, mas cresci em paredes meias com vizinhos católicos, evangélicos e animistas.
No meu Reno N’djaka, a diversidade não era um problema de segurança nacional; era a nossa rotina. Nunca vi ninguém bater nas minhas irmãs por usarem ou não o véu. Nunca vi vizinhos forçarem as filhas a abandonar a igreja. O “Iram” (as estátuas tradicionais), a Mesquita e a Igreja conviviam em harmonia. Vivíamos em paz, cada um com a sua fé e a sua cultura. Era um mundo onde a diferença existia sem medo e sem imposições.
Se no meu pequeno e pobre bairro conseguíamos coexistir, pergunto: porque é que o mundo não pode ser o meu Reno N’djaka? Porque é que líderes globais sentem a necessidade de ditar como os outros devem viver, vestir ou governar, incendiando a estabilidade global no processo?
Deixo uma pergunta direta à liderança dos Estados Unidos, e em particular a figuras como Mr. Trump: Why, man?
Por que não deixam o mundo em paz? Como empreendedores e cidadãos, queremos paz global, estabilidade e a oportunidade de construir, não de destruir.
A obsessão por controlar o destino alheio está a sabotar o equilíbrio necessário para que todos possamos prosperar.
Leave the other countries alone. Mind your business! O mundo não precisa de mais xerifes ou de mais conflitos de poder; o mundo precisa de respirar. Precisamos de mais Reno N’djaka.
We just want peace. Let the world breathe, man!
Adulai Bary é gestor e empreendedor com mais de uma década de experiência em engenharia informática, inteligência empresarial, telecomunicações e consultoria internacional. Licenciado em Métodos de Tecnologia e Matemática Aplicados à Gestão, possui um MBA em Empreendedorismo & Negócios e certificações em gestão de projetos, incluindo a qualificação COPC.
Liderou a área de Inteligência Empresarial (BI) numa multinacional de telecomunicações e coordenou iniciativas estratégicas para o Governo da Guiné-Bissau, como os projetos Guiné-Bissau 360 e a participação na Expo 2023 em Doha. É presidente da GwIX, promovendo a infraestrutura digital no país.
Cofundador de várias empresas tecnológicas e de impacto, como a BIGTechnologies (Fundador & CEO), InnovaLab (Cofundador & PCA), Orik Capital, Ubuntu Green Energy e Inunde, tem também colaborado com organizações como a ONU e o Banco Mundial em projetos de desenvolvimento económico e digital. Foi reconhecido como um dos 100 jovens mais influentes da África Ocidental e é Embaixador da Guiné-Bissau pelo One Young World e pelo Next Einstein Forum.








