Opinião

Melhor crédito consolidado: como escolher, afinal, a opção certa?

Rita Quaresma, COO da Gestlifes e responsável pelo CréditoConsolidado.pt

A acumulação de várias prestações mensais coloca muitas famílias numa situação financeira limite. Perante esta pressão, a consolidação de créditos surge como a resposta natural para equilibrar o orçamento.

A pergunta surge inevitavelmente é: afinal, qual o melhor crédito consolidado? À primeira vista parece uma dúvida simples, mas esconde a questão essencial: o melhor para quem?

O melhor nem sempre é aquele com a menor prestação

A proposta com a mensalidade mais reduzida é, à partida, a mais atrativa. É compreensível, pois é esse o valor que sai da conta todos os meses. Contudo, olhar apenas para a prestação não chega para avaliar se a solução é adequada.

Se a redução da prestação resultar apenas do prolongamento do prazo de pagamento, o consumidor pagará mais juros e terá um custo total mais elevado.

Isso não significa que um prazo mais longo seja uma má escolha. Em muitos casos, é a ferramenta certa para recuperar oxigénio financeiro e evitar o incumprimento. O essencial é olhar para o contrato como um todo e perceber quanto se vai pagar no total – e durante quanto tempo -, em vez de manter o foco apenas no valor mensal.

Um prazo alargado é ideal para quem precisa de reduzir a prestação ao máximo e respirar de imediato. Já um prazo mais curto otimiza o custo global da operação.

Comparar antes de escolher é o mais importante

Há outro ponto que merece ainda mais atenção: não existe uma instituição financeira que ofereça, em todas as circunstâncias, o melhor crédito consolidado para todos os consumidores.

As condições de financiamento dependem de vários fatores, incluindo o montante a consolidar, os créditos existentes, o rendimento, a taxa de esforço, o prazo pretendido e o próprio perfil de risco.

Por isso, comparar é a etapa decisiva. O objetivo não deve ser simplesmente encontrar a primeira proposta disponível, mas perceber que alternativas existem e quais os critérios que distinguem umas das outras.

Transformar a gestão financeira numa decisão positiva

O crédito consolidado não deve ser encarado como uma solução automática sempre que existem vários empréstimos.

Antes de consolidar, é importante perceber porque é que as dívidas chegaram àquele ponto e qual é o objetivo da operação.

Se a consolidação servir apenas para libertar rendimento mensal e esse espaço for imediatamente ocupado por novo crédito, o problema pode simplesmente ser adiado. Por outro lado, se permitir reorganizar compromissos, simplificar a gestão financeira e criar uma estrutura de pagamentos mais compatível com o rendimento disponível, pode ser uma ferramenta importante de planeamento financeiro.

É esta distinção que muitas vezes falta no debate público sobre o crédito: uma solução financeira só é boa quando resolve o problema certo.

Assim, quando passamos de uma escolha “impulsiva” para uma decisão informada e baseada na comparação, garantimos que a consolidação de créditos cumpre em pleno o seu propósito: simplificar a vida das famílias e fortalecer a sua saúde financeira a longo prazo.

 

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