Opinião
Liderar em 2026: com os pés no presente e os olhos no futuro
O CEO dos números e do crescimento está em vias de extinção, e o próximo ano vai acentuar esta transformação.
Vivemos na era da inteligência artificial, dos dashboards, dos dados em tempo real, dos relatórios automáticos e dos alertas que chegam antes do problema, e, no entanto, há cada vez mais empresas perdidas, e o problema não é a falta de informação, é o excesso dela.
O papel do CEO em 2026 será menos de comandante e mais de catalisador. Ele não tem de saber e controlar tudo, mas tem de dar foco. Com tanta informação, pressão, distrações e inputs, o maior desafio de quem lidera hoje é manter o foco e reduzir o ruído, conseguir alinhar todos e dar uma direção clara, criar contexto e garantir consistência.
Durante anos, crescer era sinónimo de sucesso. Escalar era o caminho. Hoje já não é assim tão linear. O que conta é crescer com estrutura, solidez, cultura e impacto. O problema é que ninguém tem paciência para esperar.
Vemos imensas empresas jovens já com resultados impressionantes. A competitividade agressiva imposta pela economia digital cria urgência em tudo e promove decisões aceleradas. Mas agilidade não é fazer mais depressa. É fazer melhor. Crescer em cima de pessoas exaustas, operações frágeis ou decisões oportunistas é caminho curto.
Liderar é perceber isso, é saber travar a ambição quando a base não aguenta mais. Quando uma crise chega numa sexta-feira à noite, a cultura decide se a equipa paralisa ou age.
O problema é que ainda acho que para muitos líderes cultura ainda é vista como o “ambiente” de trabalho. Não é. Cultura é o que permite a uma equipa agir quando o contexto muda. É o que permite decidir rápido, confiar no processo, adaptar sem entrar em pânico. Uma empresa sem cultura é uma empresa lenta, frágil, vulnerável. O CEO que não percebe isto, vai continuar a gerir para indicadores.
Em 2026, também ninguém vai ter tempo para planos a cinco anos. Mas improvisar também já não serve. Antecipar, hoje, é estar atento ao que ainda não aconteceu, e saber o que fazer amanhã se acontecer. Também não é prever tudo. É perceber cedo. Quem lidera já não pode olhar apenas para os seus próprios resultados, tem de ler o mundo, até porque Portugal não está isolado, e nada já está apenas dependente de quem votamos.
O que acontece fora influencia tanto como o que se decide cá dentro. Não dá para liderar com os olhos apenas no Excel. É preciso ler o mundo e saber agir com consciência.
Liderar em 2026 é estar entre duas margens: o agora, com todas as urgências, e o que está a vir, com tudo o que pode mudar. É cortar o ruído, reduzir a complexidade, criar foco e ter a coragem de decidir.
Temos de correr, disso ninguém duvida, o importante é sabermos para onde. O futuro não espera por líderes ocupados, espera por líderes conscientes.








