Há umas semanas estive numa conferência sobre “Aging”, na qual participaram quatro jovens millennials, de quatro nacionalidades diferentes, falando das suas expetativas quanto ao seu futuro profissional.

Partilho convosco, porque as suas respostas vieram confirmar o que eu já vinha “sentindo”, cada vez com maior convicção, à medida que reflito sobre este tema geracional.

Um dos jovens dizia que queria ser empreendedor, ter a sua própria empresa. Outro referia que gostaria de trabalhar numa grande empresa e conseguir ter um nível de vida melhor que os seus pais tiveram, comprando uma casa, o seu carro, etc. O 3.º, curiosamente o português, afirmou que ainda não sabia bem o que queria para o seu futuro. E o 4.º salientou o seu interesse em voltar ao seu país e trabalhar em projetos de inovação que fizessem a diferença para as populações.

Mudar o mundo, ter recursos para ter um bom nível de vida, ser dono de uma empresa ou procurar um destino, não era exatamente o que as gerações que precederam os millennials diziam, na mesma idade??

Então eu diria que na essência, Pessoas são Pessoas e procuram dar um significado à sua vida. Em qualquer geração.

Claro que encontramos caraterísticas que distinguem as gerações mais novas: são mais qualificados, digitais, sempre conectados, bi ou trilingues, globais, mais abertos à diversidade, ao mundo e ao risco. Como diz uma das minhas filhas: “Nós não gostamos do “é suposto”.

O contexto em que estas gerações estão a viver também as condiciona: num mundo VUCA (volátil, ambíguo, complexo e ambíguo), não têm outra alternativa se não criarem estratégias de sobrevivência adequadas, mais focadas no desenvolvimento de competências de gestão da mudança e de resistência a ambientes difíceis.  A vida não está a ser nada fácil para as novas gerações…

Depois, há traços que são da juventude, não da geração: enérgicos, impacientes, contestando o status quo, querendo fazer diferente e salvar o mundo, querendo ganhar a sua independência, procurando uma missão a que se entregarem, procurando “viver 2 vidas numa vida”.

É por tudo aquilo que as gerações têm de próximo ou de distintivo que eu acho que está a vitalidade que faz avançar o mundo!

Acima de tudo, tenho uma enorme admiração pelas Pessoas (de qualquer geração, de qualquer idade…) que todos os dias se esforçam por criar vidas com sentido.

E talvez esta conversa sobre gerações não faça mais sentido…

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Sobre o autor

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Isabel Viegas é professora na Universidade Católica e Membro do Conselho Estratégico da Formação de Executivos da FCEE da mesma universidade. Foi Diretora-Coordenadora de Recursos Humanos do Grupo Santander em Portugal, de 2003 a 2016, bem como Diretora de Recursos... Ler Mais