Estudo revela que árvores urbanas podem reduzir quase metade do calor nas cidades

Imagem de Alandsmann por Pixabay

Um novo estudo analisou cerca de 9.000 cidades e concluiu que a cobertura arbórea mitiga quase metade do efeito de ilha de calor urbana.

O sistema de arrefecimento mais eficaz das cidades pode não estar dentro dos edifícios, mas nas ruas e mais precisamente nas árvores que crescem junto aos passeios.

Um estudo publicado na revista Nature Communications, coordenado pela The Nature Conservancy (TNC), conclui que as árvores urbanas são responsáveis por mitigar quase metade do efeito de ilha de calor nas cidades. Sem elas, as temperaturas nas áreas urbanas poderiam ser duas vezes mais elevadas do que são atualmente.

A investigação analisou dados de cerca de 9.000 grandes cidades em todo o mundo, onde vivem, no total, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, a atual cobertura arbórea neutraliza aproximadamente 48,6% do chamado efeito de ilha de calor urbana — fenómeno que ocorre quando superfícies artificiais, como asfalto, betão e parques de estacionamento, absorvem e libertam calor, fazendo com que as zonas urbanas aqueçam muito mais do que as áreas rurais envolventes.

Mais de 200 milhões de habitantes urbanos em todo o mundo vivem em bairros onde as árvores já reduzem a temperatura do ar em pelo menos 0,5°C. O número pode parecer reduzido quando analisado isoladamente, mas, quando extrapolado para milhares de cidades e milhares de milhões de pessoas — num contexto de temperaturas globais cada vez mais extremas — representa uma diferença concreta entre conforto térmico e risco para a saúde.

O estudo apresenta ainda um dado que deve preocupar decisores públicos e empresas com compromissos ESG (Environmental, Social, and Governance): o efeito refrescante das árvores está concentrado precisamente onde a necessidade é menor. Os países de rendimento elevado, os climas húmidos e os bairros suburbanos concentram a maior parte da cobertura arbórea urbana, enquanto as comunidades mais vulneráveis, em zonas densamente povoadas e de baixos rendimentos, têm menos sombra e ficam mais expostas ao calor.

“É cada vez mais comum observarmos diferenças gritantes de temperatura entre bairros da mesma cidade, causadas pela distribuição desigual da cobertura arbórea”, afirmou Johnny Quispe, diretor de programas urbanos da TNC. “Os impactos do calor extremo tendem a afetar sobretudo as comunidades mais vulneráveis. Investir na arborização urbana traduz-se em ruas mais frescas, ar mais limpo e comunidades mais resilientes para todos”, acrescentou.

A investigação deixa também um alerta sobre os limites desta solução natural. A cobertura arbórea atual e futura deverá ser capaz de mitigar apenas entre 9% e 10% do aumento de temperatura projetado devido às alterações climáticas até 2050. Mesmo no cenário mais ambicioso de plantação de árvores, esse valor sobe para cerca de 20%, o que significa que 80% do aquecimento previsto não será compensado pelas árvores.

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